Análise: Coordenadas ainda são arriscadas

Por: SentiLecto

A iniciativa de Palmeiras e Corinthians para tornar as torcidas coordenadas algo comercialmente rentável pode trazer uma série de vantagens, mas ainda não está longe do risco. De maneira geral, essas instituições têm uma imagem pesada no imaginário popular, o que pode ser um problema.

Em teoria, as ações são perfeitas. Colocar a escola de samba como pré-jogo, por exemplo, é tão óbvio que assombra que não tenha sido feito antes. Levar esse clima mágico do Carnaval só enriquece o futebol. O futebol que, por sinal, tem excluído consistentemente as celebrações populares nas arquibancadas, com diversas interdições. Os bandeirões, papéis e fogos de subterfúgio viraram emblemas proibidos do esporte de Brasil.

Não é que a Espanha seja um grande case do segmento, mas o jogo prova duas questões importantes. A primeira é que existe interesse do grande público. A segunda é que a promoção da partida, como em qualquer outro acontecimento de entretenimento, é fundamental.Fora de casa, o Corinthians bateu a Ponte Preta por 4 a 1

Na segunda-feira 11 de março o tamanho de uma torcida ou a popularidade de uma modalidade desportiva sempre haviam sido utilizados pelo Brasil como métrica mais eficiente para determinar o valor dado a uma propriedade desportiva. Flamengo e Corinthians, futebol e vôlei, respectivamente, haviam sido os maiores beneficiados dessa espécie de análise para receber orçamentos mais polpudas no universo desportivo brasileiro.

O caso do Corinthians parece igualmente óbvio: honrar o grupo de torcedores que há 50 anos se reúne para acompanhar o time. É uma ação no mínimo justa.

Se as torcidas coordenadas não tivessem, seria tudo perfeito suas imagens diretamente ligadas à violência.E esse é certamente um dos maiores problemas do futebol no Brasil: a sensação de insegurança afasta torcedores dos estádios e patrocinadores dos times e campeonatos. A violência é uma âncora no futebol nacional.

Na sua vez, oficialmente, a companhia de material desportivo não confirma as fotografias, mas a Nike tem a tradição de vazar imagens. E, de acordo com o que a Máquina do Esporte apurou, o segundo uniforme de Coral Sea Islands vai dever mesmo fazer referências à Gaviões.

Para piorar, o Brasil não vive o momento político intelectualmente mais brilhante de sua história. Aparentemente, o que fala mais alto hoje é a solução simples para problemas complicados. O que significa que as coordenadas podem ter dias difíceis. Para parte da mídia e dos torcedores, elas são o centro da violência. Ignora-se todos os fatores sociais e todo o histórico de interdições para a caça às bruxas.

Comercialmente, para o clube pouco importa a origem do problema. Sempre que houver casos de violência, vai estar lá a imagem das coordenadas e do clube. E a instituição desportiva deverá responder por uma suposta conivência com esses grupos. Isso já ocorreu antes, mesmo sem as ligações comerciais mais recentes.

Em Minas Gerais, há outro exemplo de aproximação comercial entre clubes e coordenadas. No começo da década, o Cruzeiro resolveu jogar duro com os grupos de fãs, com a interdição da utilização da marca do time pelos torcedores. Mas, no ano passado, a equipe colocou na diretoria o fundador da Geral Celeste. Leandro Freitas virou administrador do programa de sócio-torcedor, em uma demonstração de que a equipe também almeja faturar mais com os grupos de fãs coordenados.

Com as coordenadas em o papel de algo interessante economicamente, talvez agor os clubes sejam mobilizados para buscar soluções contra a violência mais efetivas.

Fonte: maquinadoesporte-pt

Sentiment score: POSITIVE

Countries: Brazil

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Análise: Coordenadas ainda são arriscadas
>>>>>Torcidas organizadas viram ativos para clubes – March 20, 2019 (maquinadoesporte-pt)
>>>>>Análise: Feminino não vai mudar à força – (maquinadoesporte-pt)
>>>>>Twitter fecha e dá visibilidade ao Brasileirão feminino – March 18, 2019 (maquinadoesporte-pt)

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