Análise: F-1 escancara como ego move o esporte

Por: SentiLecto

O que mais move o esporte no mundo a não ser o ego inflado de políticos e dirigentes? A disputa entre Jair Bolsonaro e João Dória Jr. pelo direito de Rio de Janeiro ou São Paulo receberem uma etapa da Fórmula 1 nos próximos anos escancara como a vaidade interfere diretamente nos negócios desportivos e como isso, no longo prazo, modifica um investimento num péssimo negócio.

Já o governador de São Paulo, João Doria Jr., que havia prometido uma entrevista coletiva na tarde da própria segunda para confirmar a manutenção da capital paulista no calendário por mais tempo, rebateu a crítica e declarou que nada está definido ainda.Na tarde desta segunda-feira , o presidente Jair Bolsonaro alegou, após reunião com representantes da Liberty Media, que a capital fluminense vai abrigar a etapa de Brasil da categoria mais importante do automobilismo global a partir de 2021, sem orçamento pública e após ficar pronto o autódromo privado da cidade. Em suas próprios vocábulos, Bolsonaro falou em “99% de possibilidade” para o Rio.

A Liberty Media, gestora da Fórmula 1, está rindo à toa. Apoiou-se em dois egos infladíssimos e duas figuras populistas para criar uma disputa interna e, no final das contas, conseguir para si o melhor negócio possível. O Brasil? Bem, nós teremos de nos contentar em olhar estudos de viabilidade econômica infladíssimos que dizem que o impacto econômico de receber uma etapa da F-1 no Brasil é altíssimo.

Foi com essa estratégia que os Jogos Olímpicos aumentaram nas últimas três décadas. Se utilizou o êxito de revitalização urbana de Barcelona-92 como pretexto para que governantes fossem persuadidos de que a herança olímpica em as cidades-sedes era tamanho que valia a pena injetar bilhões de dólares em infraestrutura para um acontecimento de somente 15 dias de duração.

Jogos Olímpicos demandaram investimento lembre para um acontecimento desportivo no Brasil / © Erich Beting

Foi preciso a Grécia quebrar, a China, a Rússia e o Brasil investirem bilhões em projetos de herança esportiva questionável e, claro, os países desenvolvidos começarem a se rejeitar a receber Olimpíadas para que o COI compreendesse que o discurso de herança não cola mais como antigamente.

Aqui em terras brasilis, porém, nossos políticos continuam a achar que o esporte vale qualquer investimento. Desde que, obviamente, ele gere ótimos frutos para suas ambições nas urnas. Foi assim que, jamais antes na história, o Brasil abrigou, numa pausa de dois anos, os dois maiores acontecimentos desportivos do mundo.

O ego inflado dos políticos faz com que não se pense antes de comportar-se. Gastamos dezenas de milhões de dólares em projetos grandiosos, de pequena duração e que não contribuem para a formação de uma cultura desportiva no país. A política interfere e bastante no esporte. E, no final das contas, gera o pior negócio possível para o país…

Fonte: maquinadoesporte-pt

Sentiment score: SLIGHTLY NEGATIVE

Countries: China, Brazil, Russian Federation, Greece

Cities: Sao Paulo

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Análise: F-1 escancara como ego move o esporte
>>>>>Fórmula 1 no Brasil vê nova disputa entre SP e RJ – June 25, 2019 (maquinadoesporte-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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