Análise: Social não pode ser única ação dos clubes

Por: SentiLecto

Uma das melhores consequências do desenvolvimento do mercado desportivo no Brasil é a preocupação que as entidades do ramo têm dado a questões sociais. Sem amarras com patrocinadores, times, que o Bahia deu o último grande exemplo, abraçam algumas ideias e deixam a criatividade solta para as mais diversas ativações. A camisa manchada é uma ideia simples, mas de grande efeito. Ela mexe com o emblema do clube e ergue a atenção de todos para o descaso que tem ocorrido no Brasil com a calamidade ambiental nas praias do Nordeste. Vai entrar na lista das grandes varandas do marketing desportivo nacional.

Não é a única. O Vitória já tirou as listras vermelhas do uniforme para incentivar a doação de sangue. O Vitória é maior adversária do Bahia. O Corinthians já modificou os cantos de torcida em libra para incluir deficientes auditivos no estádio, em ação com a Alcatel. O Cruzeiro chegou a modificar os números das camisas em estatísticas relacionadas à violência contra a mulher. Todas estas ideias tiveram uma enorme repercussão e viraram cases no mercado, assim como outras.

Mas às vezes há problemas até nos bons casos. As ações são ótimas, mas os clubes precisam ir além para transportar essa criatividade em um ativo comercial, e não somente um propulsor da imagem da instituição. Há diversos bons exemplos de ações sociais no futebol, mas quantas grandes ativações de patrocínio são possíveis contar? Não simples ativações, mas aquelas que, assim como as sociais, viralizaram, ganharam espaço e auxiliaram efetivamente o patrocinador, iniciativas que puxaram também as vendas do parceiro comercial?

Nem mesmo marcas icônicas como a Coca-Cola precisam pensar seu produto de forma a comprazer a todos como o futebol. E, nessa complexidade de precisar ser uma marca consumível a todos, o futebol precisa compreender que precisa ser ativista. Essa é uma condição intrínseca a um clube. Ele precisa ser em defesa de todos. E ativamente.

Na sexta-feira 04 de outubro a partida entre São Paulo e Fortaleza, marcada para e válida pela 23ª rodada brasileira, serviria de mote para uma ação especial da MRV. A construtora, que era patrocinadora dos dois clubes e estava comemorando 40 anos neste mês de outubro, vestiria os jogadores dos dois times na entrada em campo com camisas comemorativas, com o número 40 às costas e desboçadaspelos próprios torcedores dos dois times tricolores.

A criatividade centrada em ações sociais mostra também que o mercado tem resistências para trabalhar com os clubes, que muitas vezes têm obstáculos para fazer com que as marcas estejam além da mera exibição no uniforme. No fim da linha, o marketing fica tão preocupado em fazer seu case que esquece questões fundamentais.

Na sua vez, o que é mais alentador na história do Bahia é que o exemplo começa a ser aumentado para outros clubes e ações. Há poucos dias, o Santos também arremessou uma campanha dura contra o racismo. Além da recém-lançada terceira camisa em homenagem à história dos jogadores negros no clube, a equipe arremessou um manifesto pedindo que torcedores racistas, preconceituosos e xenófobos não consumam o Santos na última sexta-feira . Na quinta-feira , na partida contra o Ceará, o jogador do time cearense Galhardo declarou que torcedores de Santa Helena injuriaram os desportistas da equipe com expressões preconceituosas.

Provavelmente, o Bahia ignorou seus adversários do Nordeste porque teve a ideia primeiro e desejou os louros da ação, o que efetivamente ocorreu. Mas brigar por mais espaço com uma ação social não faz nenhum sentido. Afinal, o objetivo final da iniciativa teria que ser mais importante: chamar atenção para o óleo derramado!

Se esse fosse um trunfo comercial, a disputa nos bastidores para ter a melhor ação só faria algum sentido , o que hoje não existe. Quando o marketing só é bem-sucedido no social, esse espécie de ação, tão bem-vinda, pode se perder pelo percurso.

Fonte: maquinadoesporte-pt

Sentiment score: POSITIVE

Countries: Brazil

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Análise: Social não pode ser única ação dos clubes
>>>>>Análise: Bahia entende o pluralismo do futebol – October 21, 2019 (maquinadoesporte-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

Id Entity Positive Negative Named-Entity Total occurrences Occurrences (appearances)
1 Provavelmente 50 0 PERSON 4 Provavelmente e: 1, (tacit) ele/ela (referent: Provavelmente e): 3
2 simples ativações 50 0 NONE 3 (tacit) eles/elas (referent: simples ativações): 3
3 mercado 35 0 NONE 3 o mercado esportivo: 1, o mercado: 2
4 esto 0 0 NONE 3 (tacit) esto: 3
5 futebol 0 0 NONE 3 o futebol: 3
6 preocupação 0 120 NONE 2 a preocupação: 2
7 clubes 0 40 NONE 2 os clubes: 2
8 camisa 0 25 NONE 2 recém-ançada terceira camisa: 1, A camisa manchada: 1
9 ideias 10 20 NONE 2 Todas estas ideias: 1, algumas ideias: 1
10 exemplo 150 0 NONE 2 o exemplo: 1, o último grande exemplo: 1