Calamidade em Suzano: os cuidados para impedir que traumas afetem a saúde mental

Por: SentiLecto

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Enlutados pelo carnificina de quarta-feira na escola Professor Raul Brasil, em Suzano , sobreviventes, amigos e parentes dos mortos devem ser acompanhados para que não desenvolvam transtornos mentais associados a traumas, segundo experts escutados pela BBC News Brasil.

Schildkraut menciona campanhas como a “No Notoriety” , instituída por Tom e Caren Teves, cujo filho, Alex, foi um dos 12 mortos no tiroteio em um cinema em Aurora, no Colorado, em 2012.

Nos EUA, onde carnificinas em escolas são frequentes, um estudo assinalou que 29% das testemunhas desses ataques padecem transtorno de estresse pós-traumático – um transtorno de ansiedade que pode gerar sintomas vários meses ou anos após o incidente.

Profissionais de saúde mental advertem que sintomas semelhantes podem acometer até mesmo quem não tem qualquer relação com as vítimas, mas se expôs a fotografias e vídeos do ataque nas mídias sociais ou no jornalismo. Eles declaram que as pessoas abaladas, assim como vizinhos da escola e outros habitantes de Suzano, também devem ser sediadas e auxiliadas a superar o luto coletivo provocado pela calamidade.

Na sua vez, já assistiu aos nossos novos vídeos no ? Inscreva-se no nosso canal!”Ela gostava de ver que os estudantes daquele terceiro ano estavam se esforçando muito para entrar nas [universidades] federais e estaduais”, lembra.

A Prefeitura de Suzano declarou à BBC News Brasil que a Secretaria de Estado da Saúde emandoudois psiquiatras e um psicólogo a Suzano para atender sobreviventes e familiares das vítimas. Segundo a prefeitura, os profissionais estão trabalhando ao lado de uma equipe local do Caps , unidade do SUS especializada em saúde mental.

O psiquiatra Higor Caldato, expert em Psicoterapias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro , declara que, nos dias seguintes ao acontecimento, sobreviventes e pessoas próximas das vítimas costumam vivenciar sentimentos de estresse agudo, choque, amargura e lamento.

Nesse fase, declara Caldato, é essencial que profissionais acompanhem eles de saúde mental para que possam dar vazão às eafeiçõesem sessões de terapia e não se refugiem em ccondutasnnocivas como cobsessõesalimentares ou o consumo abusivo de álcool.

Ele alega que pessoas que estejam sob ansiedade extrema e com obstáculo para se dizer podem precisar de medicação para aliviar os sintomas e tirar mais proveito da terapia.

Segundo o psiquiatra, se os sentimentos negativos persistirem por mais de um mês e estiverem associados a outros fatores, como pesadelos, medo e sintomas depressivos, é possível que o transtorno de estresse pós-traumático tenha se instalado.

A condição, que também costuma exigir tratamento medicamentoso, pode provocar grandes efeitos na vida do afetado por um longo fase. Habitualmente, o transtorno é acompanhado por problemas para dormir, obstáculo para se concentrar e sentimentos de isolamento, contrariedade e culpa.

Para Caldato, o percurso para evitar o quadro é utilizar o episódio violento para reforçar relações e condutas positivas, animando o que ele chama de “crescimento pós-traumático”.

“O mais importante é dar suporte psicológico para que as pessoas possam enxergar a calamidade por outro ângulo – para que se sintam amparadas, protegidas, possam se cuidar, valorizar mais a vida e a família, ter urgência em buscar a alegria.”

Segundo a psicóloga Maria Helena Franco, até quem não estava presente no carnificina e não tem qualquer relação com as vítimas pode padecer seus efeitos quando exposto a imagens, notícias ou relatos sobre o acontecimento. Conhece-se essa reação como trauma vicário ou estresse traumático secundário.

“Tem um fio que nos junta que é a empatia, a questão humana. Todo mundo fica tocado, assustado. Não é um efeito menos importante e ele deve ser visto e considerado”, alega Franco, que organiza o Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto da PUC-SP, onde é professora titular de Psicologia.

Segundo Franco, o primeiro passo para superar o trauma vicário é aceitar a agonia provocada pela carnificina.

“Quando você está padecendo mas entra num raciocínio de que não deveria padecer pois não estava lá, não conhecia ninguém, você impossibilita que o sentimento seja elaborado. Só que não, ele continua ali, na mente.”

Ela declara que alguns grupos estão mais sujeitos a esse quadro, como bombeiros ou profissionais de saúde que lidam com pessoas traumatizadas. “É preciso que eles estejam preparados para trabalhar com crises, com agonia intensa, com luto. Porque eles também podem chegar a um limite e até adoecer.”

Franco alega que também merecem atenção vizinhos da escola e outros habitantes de Suzano.

“De repente Suzano, uma cidade pacata, ficou associada aa carnificina – alguns passaram a se referir ‘ao drama de Suzano’. É uma marca, uma ferida, e isso é sério. O tecido social padeceu um rombo.”

Ela propõe, por exemplo, mencionar o nome somente uma vez, e nas citações posteriores referir-se somente ao “atirador”.

Ela declara que, além dos atendimentos individuais, o trauma precisa ser trabalhado de forma coletiva. “É importante pensar em maneiras de juntar os estudantes, as escolas, as várias comunidades envolvidas. É daí, do coletivo, que vai vir a força de reconstrução.”

Em artigo publicado em 2018 pela Vanderbilt University , o pesquisador Chad Buck declara que os sintomas do trauma vicário ou estresse traumático secundário são semelhantes aos do TEPT O pesquisador Chad Buck é phD em Psicologia Clínica., mas menos intensos.

Segundo ele, a condição pode envolver cansaço crônica, amargura, ira, exaustão emocional, desonra, medo e desconexão, entre outros sentimentos.

Embora os estudos sobre esse distúrbio enfoquem profissionais de saúde mental, segundo Buck outras pessoas podem desenvolver os mesmos sintomas.

O psicólogo declara: “Quem já vivenciou acontecimentos semelhantes, tem TEPT pré-existente ou outras questões de saúde mental tem maior risco de padecer uma acentuação dos sintomas e o desenvolvimento de estresse traumático secundário”.

Para Maria Helena Franco, a carnificina vai ser “um divisor de águas” para os estudantes sobreviventes.

“Há uma situação bastante particular que agrava a situação: eles são ao mesmo tempo sobreviventes e testemunhas. São duas experiências bastante fortes.”

Franco alega que o acompanhamento dos jovens tem que levar em conta os registros sensoriais vinculados a traumas, como barulhos, odores, cenas e movimentos.

“O cuidado precisa ser voltado para os registros que, ficarão, se não forem tratados.” Segundo ela, o acompanhamento deve durar vários anos. “É um trabalho de longuíssimo prazo.”

Nos Estados Unidos, muitos pesquisadores estudam o efeito de carnificinas na saúde mental de sobreviventes e comunidades afetadas.

Em um artigo publicado em setembro de 2018, a revista da American Psychological Association lista uma série de finalizações dessas pesquisas.

Uma delas revelou que pessoas que se feriram em massacres, viram pessoas serem atingidas, perderam amigos ou sentiram que suas vidas corriam perigo têm muito mais chances de desenvolver sintomas de transtorno de estresse-pós traumático e outros distúrbios mentais do que as que conseguiram se esconder ou estavam mais distantes do incidente.

O artigo declara que pessoas que já têm sintomas de distúrbios mentais – como ansiedade ou depressão – estão mais sujeitas a desenvolver TEPT, assim como as que se sentem culpadas por não terem resgatado pessoas que faleceram.

Já as que têm redes de suporte mais sólidas, especialmente da família, tendem a ser menos afetadas.

O National Center for PTSD, organização que pesquisa o transtorno de estresse-pós traumático nos EUA, alega que 28% das pessoas que testemunham carnificinas desenvolvem TEPT.

O índice, segundo o órgão, mostra que os sobreviventes desses incidentes estão mais sujeitos a distúrbios mentais do que pessoas que enfrentam outras espécies de trauma, como calamidades naturais.

A American Psychological Association declara que os sobreviventes de carnificinas costumam passar por três etapas no processo de superação do trauma.

A primeira, imediatamente após o acontecimento, em geral envolve os sentimentos de negação, choque e descrença. Nesse momento, profissionais de saúde mental podem auxiliar-los oferecendo informações e explicando que suas reações são normais.

No segundo período, que se começa entre alguns dias e semanas após a carnificina, são habituais os sentimentos de medo, raiva obstáculo em prestar atenção, problemas para dormir e depressão. Raiva é ansiedade.

Na última etapa, vários meses após o ataque, os sentimentos negativos tendem a se dissipar para a maioria dos sobreviventes. Já alguns podem precisar de cuidados especiais – especialmente quando exibirem quadros persistentes ou abuso de substâncias químicas.

“Acontecimentos em homenagem às vítimas – particularmente os que são concebidos e cgovernadospor ealunase a comunidade – são os mais eficientes para aauxiliarna recuperação depois de um mcarnificina, ddeclaraa associação, cmencionandoum estudo realizado após um ataque que provocou seis mortes na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, em 2014.

Final de YouTube post de BBC News Brasil

Final de YouTube post 3 de BBC News Brasil

Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: NEGATIVE

Countries: United States, Puerto Rico

Cities: Santa Barbara

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Calamidade em Suzano: os cuidados para impedir que traumas afetem a saúde mental
>>>>>Massacre em escola de Suzano: destaque na mídia é ‘recompensa’ para atiradores, diz pesquisadora americana – (BBCBrasil-pt)
>>>>>Tiros em Suzano: Como foi o ataque que deixou ao menos oito mortos – (BBCBrasil-pt)
>>>>>’A favor do porte de livros': quem era a coordenadora morta por atiradores em Suzano – (BBCBrasil-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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