‘Característica para poucos não é característica': novo indicador sobre educação põe desigualdade em foco

Por: SentiLecto

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Iporã do Oeste, cidade que fica perto da fronteira de Santa Catarina com a Argentina, tem 9 mil moradoras e uma pública de destaque no cenário nacional. Quase 80% das crianças da 5ª série têm aprendizado adaptado em matemática, contra 44% da média de Brasil.

A nota da cidade no Ideb – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, utilizado como parâmetro para medir a característica das escolas – de 2017 está entre as de nível mais alto do país: 7,3 nos anos iniciais do ensino fundamental.

Os indicadores positivos acima, porém, ocultam um problema que não aparece no Ideb: também no 5º do ensino fundamental, os estudantes negros e mais pobres têm aprendido, em média, bem menos do que os estudantes brancos e mais ricos. A cidade tem uma das mais pronunciadas desigualdades do país no que se refere a raça e renda.

O exemplo da cidade catarinense se repete, em diferentes graus, na extensa maioria das escolas públicas das cidades de Brasil, segundo um novo indicador sobre desigualdade na educação que está sendo arremessado nesta terça-feira em seminário realizado em São Paulo.

Se o ensino oferece igualdade de chances a todos os estudantes, o Indicador de Desigualdades e Aprendizagens , elaborado pelo professor emérito da UFMG e ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Francisco Soares e outros acadêmicos para a Fundação Tide Setubal, pretende medir , independentemente de suas condições socioeconômicas.

A ideia é verificar se, além de bons indicadores de aprendizado, o ensino em cada município reflete também igualdade em termos de raça, gênero e renda na educação e aprendizado dos alunos.

“Característica para poucos não é característica. Essa frase diz um pouco do que estamos buscando”, afirma Soares, destacando que, embora o Brasil tenha registrado avanços nas últimas décadas nos resultados de aprendizado e acesso ao ensino básico, essa melhora tem acontecido de maneira muito desigual.

“O Ideb do Brasil tem melhorado, principalmente nos anos iniciais. É um triunfo que desejo comemorar. Mas desejava colocar nesse triunfo algo que não está presente. Por isso, dividimos os alunos de escolas públicas em cinco grupos de nível socioeconômico – começando pelos mais pobres e terminando com uma classe média um pouco mais estabelecida. A diferença de performance entre esses dois grupos é, hoje, equivalente a dois anos de escolarização.”

Ou seja, crianças de classe média que cursam a oitava série estudam lado a lado, na mesma sala de escola pública, com colegas mais pobres que, na realidade, exibem performance escolar equivalente à 6ª série.

“É uma diferença brutal”, opina Soares, que quando comandou o Inep, órgão do Ministério da Educação responsável por exames como o Prova Brasil e o Enem, foi o culpado por instituir outro índice social – o Indicador de Nível Socioeconômico das Escolas de Educação Básica , que cogita a performance das escolas por fatores socioeconômicos, como a renda familiar dos estudantes.

Se vai alimentar a base de dados para o IDeA com os resultados de o Prova Brasil de 2007 a 2015, exame que mede a performance de os estudantes de a ensino fundamental em Português e Matemática.

Segundo a medição, uma minoria dos 5.570 municípios do país tem conseguido oferecer ensino público de característica de maneira igualitária para negros e brancos, meninos e meninas, crianças mais e menos pobres. Há também uma pequena minoria de municípios com dados “atípicos”, em que negros e pobres aprendem mais que os demais.

Um dos principais destaques positivos é a cidade cearense de Sobral, que não somente tem a maior nota do Ideb no Brasil , como conseguiu que essa característica se estendesse a estudantes de diferentes raças e níveis socioeconômicos na rede pública.

Entre as capitais, Francisco Soares vê como caso interessante o de Teresina , “que, tem certo equilíbrio, embora não esteja no topo ” de ensino entre pessoas de diferentes rendas.

Senna – Acho que existem técnicos dentro da secretaria de alfabetização que compreendem de evidência. Houve uma confusão na comunicação que não auxiliou: foi colocado como se uma determinada técnica fosse o único que deveria ser adotado em todo o país , o que confundiu as coisas. Mas se você conversa com os técnicos, não é o que está sugerido nos documentos.

Na quarta-feira 29 de maio para Clara Grisot, cofundadora da associação de Francia Prison Insider, que coletava informações sobre as condições das prisões no mundo, “o que ocorria dentro das prisões de países onde há muita violência, como o Brasil, era a exacerbação do que acontecia nas ruas”.

“Mas não desejo igualdade na pobreza. Temos que desejar os dois faróis do carro iluminados .”

Soares alega que, além de questões sociais ou políticas, a igualdade de ensino é um problema econômico. À medida que o país envelhece, jovens mais bem educados serão caminho essencial para que a produtividade do trabalho brasileiro – que não cresce desde os anos 1980, segundo um estudo de 2017 do Banco Credit Suisse – volte a progredir.

O Brasil vive atualmente os momentos finais de seu bonificações demográfica, fase que favorece o crescimento da economia porque a população jovem é maioria em relação ao número de idosos.

Para garantir que a economia aumente de forma sustentável no futuro, o país precisaria ter aproveitado este fase para educar os jovens e instituir uma força de trabalho qualificada, sem excluir a população de baixa renda.

Soares alega: “A produtividade do trabalhador de Brasil é baixa porque ele aprendeu pouco”.

“Nosso êxito precisa ser mais sólido em duas dimensões: primeiro, com a transição demográfica, teremos mais jovens apoiando mais idosos, portanto esses jovens vão precisar ser mais produtivos e fazer mais. Segundo, com a tecnologia, os ofícios manuais repetitivos estão sumindo. O novo trabalhador deve ter educação para operar instrumentos de trabalho que vão exigir mais conhecimento.”

“Estou falando de milhões de pessoas. Para a economia rodar, não basta ter um pequeno grupo , é preciso ter uma massa. Essa dimensão tem sido pouco considerada na educação.”

Soares, no entanto, declara que atualmente não vê a desigualdade de chances no centro das discussões sobre políticas de educação no Ministério da Educação do governo de Jair Bolsonaro.

Por isso propus trocarmo o tratamento de sintomas pelo da causa, e o “analfabetismo zero” poderia ser uma grande bandeira para esse governo. Eu acho que eles capturaram essa ideia do protagonismo de alfabetizar e instituíram uma secretaria para dar esse status de protagonismo para o assunto. Mas a alfabetização, naturalmente, precisa ser tratada com todas as alavancas que indicamo: evidências, eficiência, formação de professores. É um conjunto de estratégias para dar certo.

” mudou tanto em tão pouco tempo que ainda não sabemos quais são as políticas para a educação básica. É algo sério, porque estamos perdendo tempo que a educação não tem no Brasil”, declara.

Outro indicador de desigualdade que foi divulgado nesta terça-feira refere-se à quantidade de recursos públicos que diferentes Estados e municípios destinam à educação pública.

Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019, feito pela organização Todos Pela Educação em parceria com a Editora Moderna, no Brasil há desde cidades que gastam R$ 19,5 mil por aluno anualmente quanto as que gastam apenas R$ 2,9 mil anualmente – o que equivale, na prática, a gastar R$ 241 reais por mês com o ensino de cada estudante.

No âmbito estadual, São Paulo é o que tem a maior média anual de recursos da educação dividido pela quantidade de estudantes , contra somente R$ 3,5 mil no Maranhão.

Além de gastos, Francisco Soares alega que o objetivo é influir políticas públicas que levem em conta necessidades locais e dos estudantes – tendo em mente que todos são capazes de aprender se tiverem as condições e os estímulos adaptados.

” serão diferentes. Mas é preciso uma intervenção que impeça que isso se modifique em um problema social”, declara o pesquisador.

“O que desejamo é que a escola se dê conta de que deve tomar iniciativas mais rápidas, mais sólidas, por aqueles estudantes que vão embora se ela não fizer nada. Não desejo confundir isso com uma questão de cidadania – é uma questão econômica, porque esse estudante vai ficar bastante caro. Ele voltará , não vai concluir os estudos. Temos motivos econômicos fortes para tratar da desigualdade”, deduz.

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Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: POSITIVE

Countries: Brazil, Argentina

Cities: Teresina, Sobral, Sao Paulo

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>’Característica para poucos não é característica': novo indicador sobre educação põe desigualdade em foco
>>>>>Viviane Senna: Brasil ainda não fez lição de casa do século 19 na educação – (BBCBrasil-pt)

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