Corrida nuclear? Nervosismo em Israel? 4 questões sem resposta após Trump implodir acordo com Irã

Por: SentiLecto

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O anúncio da saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, nesta terça-feira, deixa mais questões do que respostas.

É esta a avaliação de analistas que apoiam ou criticam o chamado Plano de Ação Conjunto Global , assinado em 2015 pelo Irã e por EUA, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha.

Em pronunciamento em rede nacional nesta terça-feira, Trump referiu-se mais de uma vez ao Irã como “principal país patrocinador do terrorismo no mundo” e classificou o acordo assinado pelo antecessor Barack Obama como “decadente” e “podre”.

O documento rechaçado por Trump estabelecia um telhado de 15 anos para a utilização do estoque de urânio enriquecido do Irã – material utilizado para produzir combustível para reatores, mas que também pode ser transformado para utilização em armas nucleares.

O convênio também restringia o número de centrífugas para enriquecer o material por 10 anos, além de estabelecer que a Agência Internacional de Energia Atômica monitoraria em tempo real as atividades de plantas de beneficiamento até então conservadas em segredo pelo governo de Iran.

Em troca da desaceleração das atividades nucleares, os países signatários retiraram uma série de sanções econômicas aplicadas anteriormente contra o regime de Iran.

A insatisfação dos iranianos com o ritmo lento de recuperação econômica levou a uma série de protestos em todo o país no final de 2017.

Para Trump e seus aliados, no entanto, o tratado era insuficiente porque não garantia inspeções em instalações militares do país e oferecia janelas temporais que poderiam permitir uma retomada da corrida nuclear de Iran.

Mas o que ocorre agora? O presidente de America prometeu que, logo após o pronunciamento em rede nacional, feito da Casa Branca, em Washington, assinaria um memorando para reativar “as mais duras sanções” contra o governo iraniano.

Nos últimos três anos, seguindo uma das principais normas do acordo nuclear, funcionários da AIEA inspecionar importantes laboratórios de pesquisa nuclear de Iran.

Antes conservadas secretamente, as usinas de enriquecimento de urânio do país eram monitoradas em tempo real por uma série de câmeras e sensores controlados remotamente. A agência também coletava amostras semanais de poeira em todo o país para avaliar a presença de partículas proibidas pelo acordo.

A continuidade da fiscalização internacional sobre o Irã fica agora em suspenso – já que não se sabe quais serão as consequências em médio prazo da resolução unilateral de Trump.

Imediatamente após o anúncio, o presidente de Francia Emmanuel Macron alegou que “a França, a Alemanha e o Reino Unido lamentam a resolução de Trump de sair do acordo”, e evidenciou que “o regime internacional contra a proliferação de armas nucleares está em jogo”.

Em comunicado conjunto, Theresa May a chanceler alemã Angela Merkel e o francês evidenciaram o “compromisso ininterrupto” por um acordo com o governo de Iran. Theresa May é a primeira-ministra britânica.

“Encorajamos o Irã a mostrar moderação em sua resposta à dresoluçãodos EUA; o Irã tem que continuar a satisfazer suas próprios deveres sob o acordo, colaborando plenamente e de forma oportuna.”

Já o presidente iraniano, Hassan Rouhani, quase concomitantemente, alegou que o anúncio mostra que “ao contrário do Irã, os Estados Unidos são um país que não satisfaz seus compromissos” e prometeu que pode ordenar a retomada do enriquecimento de urânio “em ritmo industrial”.

A manutenção do acordo nos moldes anteriores, agora sem a assinatura de America, é improvável, segundo analistas. Fica também a dúvida: o Irã vai continuar permitindo inspeções internacionais ou recomeçará suas pesquisas nucleares como retaliação?

Minutos antes do anúncio de Trump, o governo de Israel criou “estado de alerta máximo de ataque” e mandou oficiais na região das Colinas de Golan prepararem e conservarem abertos os alojamentos antiaéreos.

Como justificativa para as medidas de segurança, militares israelenses alegaram ter identificado “atividades irregulares de forças iranianas na Síria”.

Ao lado da Rússia, o Irã é um dos principais apoiadores do atual regime sírio, comandado por Bashar Al-Assad, considerado por Trump um dos maiores opositores dos Estados Unidos.

Depois de ir na TV, há uma semana, para alegar que tem documentos que confirmariam que o Irã teria mentido e continuado seus esforços para a produção de um arsenal nuclear, Binyamin Netanyahu voltou na TV nesta terça-feira para elogiar Trump. Binyamin Netanyahu é o primeiro-ministro de Israel.Há meses, o Irã vem mandando armas fatais para suas forças na Síria com o objetivo de agredi Israel”, declarou Netanyahu. “Nós vamo responder com força a qualquer ataque em nosso território.”

Segundo o jornalismo de Israel, esta é a primeira vez nos sete anos do combate civil síria que Israel manda preparar alojamentos antiaéreos em seu território como resposta a possíveis ameaças.

Para o lobista de Iran Trita Parsi em Washington, a resolução de Trump “pode dar começo a um combate regional mais extensa e uma corrida por armas nucleares”. Trita Parsi é presidente do think tank National Iranian American Council.

Os EUA, no entanto, não estariam a salvo, na avaliação do de Iran.

O Rouhani em discurso na cidade saboiana, transmitido pela TV estatal declarou: “Vocês têm que saber que não podem ameaçar esta grande nação porque nosso povo suportou oito anos de confronto (no combate com o Iraque”.

Em nota firmou,: “Trump colocou os Estados Unidos em um percurso rumo àogcombatecom o Irã”,.”Esta é uma crise de escolhas. Trump abandonou um acordo de controle de armas que evitou uma bomba nuclear de Iran e modificou isso em uma crise que pode levar a um combate.”

O principal prejudicado pelo anúncio de Trump parece ser o atual presidente do Irã, Hassan Rouhani, que assumiu o poder em 2013.

Em 1979, o atual presidente passa a ser visto por muitos iranianos como “fraco” e “manipulável”, por ter assinado o acordo com os estadunidense, enquanto o país passa por uma das mais profundas crises econômicas de sua história e pela principal crise política desde a revolução muçulmana que modificou a sociedade. O atual presidente é um político moderado que prometera abrir o país a uma economia globalizada.

De outro lado, os chamados “linha dura”, políticos que pregam um isolamento do ocidente e conduziram o país até a chegada de Rouhani, ganham força com o anúncio, já que são fortes críticos do acordo com os estadunidense.

Ali Khorram, ex-embaixador de Iran na China e assessor da equipe de negociação nuclear declarou: “Trump violou Obama seguindo as intrigas do primeiro-ministro de Israel e do príncipe herdeiro saudita Bin Salman”. Obama é o acordo internacional de seu antecessor. “Agora, ele jogou o Irã nas mãos dos linha dura”.

Segundo o jornal de America The New York Times, a insatisfação da população tanto com o governo atual quanto com os linha dura poderia escalar para um eventual golpe militar, que reorganizaria novamente a sociedade de Iran.

O analista Arash Karami, do think tank especializado em oriente médio Al-Monitor, acredita que tanto o moderado Rouhani quanto os mais radicais “têm como objetivo a manutenção da República Islâmica no país, mas constroem este percurso em direções completamente opostas”.

“A tentativa de maior integração com a Europa não é altruísmo de Rouhani – ele a vê como necessária para melhorar a economia iranian, quebrar monopólios e entidades corruptas que aparentemente preferem atuar sob sanções internacionais”, avalia.

“Isso não significa que todos os que integram a linha dura desejem sanções, mas eles vêm uma economia mais controlada e com maior dependência do Estado como melhor.” Mike Pompeo atravessava o planeta em um aviãozinho oficial para um encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, enquanto Trump ia na TV anunciar o rompimento do acordo com o Irã. Mike Pompeo é o secretário de Estado de America.O encontro visa a preparar o terreno para uma esperada reunião entre os presidentes dos dois países.

Segundo John Bolton, conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, a resolução de Trump mostra à Coreia do Norte que os EUA não evão estardispostos a aceitar “acordos inadequados”, sem dar detalhes sobre o termo.

Vozes como a do ex-presidente Barack Obama, no entanto, propõem que o gesto pode dificultar as negociações.

“No momento em que estamos todos torcendo para que a diplomacia com a Coreia do Norte tenha êxito, abandonar o acordo coloca em risco um acerto que garante – com o Irã – o mesmo resultado que estamos buscando com a Coreia do Norte”, alegou Obama.

Por sua vez, Trump também mencionou os norte-coreanos durante o anúncio de saída do convênio com Teerã.

“Hoje, mandamos uma mensagem clara: os Estados Unidos não fazem mais ameaças vazias.”

Fonte: BBCBrasil-pt

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Corrida nuclear? Nervosismo em Israel? 4 questões sem resposta após Trump implodir acordo com Irã
>>>>>7 perguntas para entender o acordo nuclear com o Irã que Trump pode abandonar – May 08, 2018 (BBCBrasil-pt)

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