Crise na Venezuela: 5 cenários possíveis para o fim do conflito

Por: SentiLecto

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A oposição e o governo da Venezuela parecem ter chegado a um empate técnico: ninguém consegue derrotar claramente o outro lado.

Os dois lados contam com forças que não estão dispostos a perder. E ambos também têm obstáculos que não desejam expor.

Essa é a finalização a que chegaram vários observadores da realidade do país depois dos , como o descumprimento das normas de prisão domiciliar pelo líder da oposição e os novos protestos e enfrentamentos entre manifestantes e forças de segurança.

Na BBC News Mundo Jennifer McCoy nos Estados Unidos declara: “Nenhum dos lados têm a habilidade de vencer o outro”. A BBC News Mundo Jennifer McCoy é cientista política da Universidade Estadual da Geórgia.”O governo controla as armas e tem aliados internacionais importantes, mas não tem suporte popular. A oposição tem um respaldo internacional mais extenso e o suporte de uma população cansada, mas não conseguiu convencer grandes deserções nas Forças Armadas nem mobilizar protestos massivos que se sustentem”, declara ela, que é expert em América Latina.

Desde que Juan Guaidó foi reconhecido por meia centena de países como presidente da Venezuela, em 23 de janeiro, as forças políticas do país, com o suporte de diferentes atores internacionais, entraram em um braço de ferro de pressões.

Um briga repleta de simbolismos – concertos na fronteira, disputas por assistência humanitária e constantes protestos de massa – , que, na prática, não parecem tem mudado nada.

Nicolás Maduro segue no poder; a Assembleia Nacional continua sem poder legislar e os atores políticos continuam sem reconhecer um ao outro.

A população padece com carência de alimentos e produtos básicos, apagões deixam o país no escuro durante dias e a sangramento de migrantes para países vizinhos está próxima a uma crise de refugiados, enquanto isso, a dramática crise econômica no país continua.

A mensagem de Vecchio, que também convida a população a ir à base aérea La Carlota com o distintivo.Q dideclara”A fita identifica os vede Venezuelaom ou sem uniforme que se ativaram para o cessar da usurpação”.uestionado sobre qual seria a atuação do filho do presidente e deputado federal, Eduardo Bolsonaro, que está em Roraima próximo à fronteira com a Venezuela, respondeu: “Isso aí eu tô fora”.

Como o país pode sair desse entrave? Quais os cenários possíveis daqui para a frente? Veja abaixo cinco cenários possíveis.

Para os experts, as forças na Venezuela deverão passar, mais cedo ou mais tarde, por uma negociação.

Eles preveem que, vai ser um processo lento e complicado de diálogo que terá que contar com um mediador imparcial e com a disposição genuína de ambas as partes para dialogar, se isso funcionar e fazer concessões.

As tentativas de diálogo anteriores, em 2014 e 2017, não foram para a frente, geralmente porque o chavismo tinha todo o poder do Estado e extenso agradecimento internacional.

Mas nos últimos meses, sobretudo depois desta semana, o cenário mudou: ficou claro que há fendas apreciáveis no chavismo, dezenas de funcionários do governo padeceram sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, e grandes potências já não reconhecem como presidente lícito Maduro e parceiros comerciais cruciais para o país.

E as sanções econômicas de Washington agravam a crise econômica.

A oposição desconfia do chavismo, em parte, porque se sentiu iludida nas tentativas de diálogos anteriores e porque, segundo eles, o chavismo “arruinou a democracia”.

Uma negociação pode tratar de aspectos mais de fundo, como votações livres com supervisão internacional, a renovação dos poderes judiciais e eleitorais e a libertação de políticos presos. Mas também pode tratar de questões mais pontuais e urgentes, como a determinação de problemas na produção e distribuição de eletricidade.

Os experts consentem que ambas as partes precisam partir de uma premissa central: de que o outro lado é um ator político lícito com qual é preciso se relacionar para evitar a violência.

Dimitris Pantoulas, cientista político grego baseado em Caracas alega: “Tem que haver uma divisão de poder negociada entre as partes”.

“Então teriam que buscar votações gerais disputadas por todos, com várias garantias políticas e jurídicas.”

O equívoco no corpo de inteligência que permitiu a “escapada” de López confirmou que tanto no chavismo quanto nas Forças Armadas há dissidências importantes.

Imagens feitas posteriormente pela agência de notícias Reuters mostram Guaidó e López com dezenas de homens uniformizados em uma rodovia em Caracas.

Nos últimos meses, vários chavistas ilustres – ex-ministros, ex-promotores, ex-militares – desertaram ou demonstraram sua intenção de instituir um chavismo sem Maduro.

McCoy declara: “Uma solução negociada não inclui necessariamente Maduro”. “Atores importantes em seu entorno poderiam deixá-lo, em favor de um governo de transição queencarnee os interesses de todos, reforma as instituições e promovavotaçõess.”

No entanto, se o impasse político for conservado, uma implosão do chavismo também poderia acontecer em um cenário de violência e confrontos, sobretudo.

Os chamados “coletivos”, por exemplo, são grupos armados de civis chavistas que também padecem com a crise econômica e têm demonstrado descontentamento com Maduro.

São grupos opostos à oposição, que veem como uma extrema direita apoiada pelos Estados Unidos. Mas também são atores herméticos e heterogêneos com poder militar e territorial que podem agravar a violência em vários sentidos, inclusive em enfrentamentos com militares, como ocorreu em diversos episódios nos últimos anos.

Alguns acreditam que a oposição pode voltar a se dividir e perder impulso, como ocorreu nos protestos de 2014 e 2017.

Pantoulas declara: “Podem prender Guaidó e, Maduro se reestabeleceria com um sistema totalmente autoritário e todos os problemas que conhecemos, se não houver reação do público ou reação internacional”.

É ainda mais fragmentada, estimulada por interesses diversos, que vão desde a profunda insatisfação com a situação econômica até a delinquência e o crime, se a oposição política está repleta de divisões, a que está nas ruas.

Em um país onde conseguir uma arma é relativamente fácil, existe a chance de que frações da oposição se coordenem em uma espécie de guerrilha urbana que, aos olhos de Maduro – e de Cuba e Rússia – seriam focos de luta financiados pelos Estados Unidos.

Ou seja, a implosão do chavismo ou da oposição pode se dar tanto com um governo de transição pacífico quanto com um cenário anárquico parecido com os de Líbia ou Síria.

A Venezuela tem uma longa história de golpes de Estado que conserva aberta essa chance cada vez que há um desenvolvimento político no país.

O último golpe, em 2002, tirou Hugo Chávez do poder por 48 horas e não somente dividiu o país, mas empoderou e radicalizou o chavismo, aproximando-o de Fidel Castro.

Os chamados da oposição às Forças Armadas para que elas se junamà sua causa têm craumentadoos últimos anos, até que Guaidó, neste ano, os converteu em uma de suas principais estratégias. Faz 2 meses, ele os repetiu, rodeado de uma dezena de militares.

É difícil saber quantos militares estariam dispostos a se rebelar contra Maduro, mas Guaidó declara que são “muitos”. Vários experts nas Forças Armadas de Venezuela relatam um descontentamento generalizado.

No entanto, a disposição a se rebelar não significa necessariamente suporte à oposição.

Vladimir Padrino se mostrou até agora leal ao presidente. Vladimir Padrino é o chefe das Forças Armadas. A Força Armada Nacional Bolivariana se diz “essencialmente anti-imperialista” há quase uma década, e muitos de seus membros desconfiam de uma oposição alinhada com Washington.

A este cenário o poder de os coletivos é adicionado o poder de os” coletivos”, originalmente instituídos para” defender a revolução”.

Um golpe de Estado pode acabar com o impasse político, mas não vai garantir a paz nem soluções para crise geral do país, declaram os observadores.

Evo Morales condenou “energeticamente” o que considera como “tentativa de golpe de Estado” por parte de uma “direita que é submissa a interesses estrangeiros”. Evo Morales é o presidente boliviano.

Não são poucos os observadores que acreditam que a única maneira de destravar o cenário político na Venezuela é acabar com o chavismo através de uma intervenção militar internacional.

Mencionam, por exemplo, o caso da invasão do Panamá pelos EUA em 1989, quando a Operação Justa Causa, deflagrada pelo Pentágono, derrubou o governo militar de Manuel Noriega e se começou um momento democrático no país, que continua até hoje.

Os críticos dessa solução, no entanto, declaram que a Venezuela é um país mais complicado, onde há Forças Armadas maiores, coletivos armados em todo o território e um suporte político ao governo de grandes potências, como China e Rússia.

Com os eventos dos últimos meses, a Venezuela se tornou um cenário de disputa entre grandes potências que dificulta a situação, e, sobretudo, relativiza o êxito de qualquer espécie de intervenção.

Já os EUA, de Donald Trump, alegam que “todas as alternativas estão em jogo”. Mas qualquer intervenção em teoria deveria ser aprovada pela ONU, onde a China e a Rússia têm poder de veto.

Uma intervenção também poderia ser aprovada em outros cenários, como na Organização dos Estados Americanos , onde a discussão sobre sua conveniência pode se estender por meses sem que haja soluções.

Enquanto nenhum de esses cinco possíveis cenários não é concretizado, a Venezuela continua no que muitos chamam de “impasse catastrófico”.

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Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: POSITIVE

Countries: United States, Russian Federation, Venezuela, Syria, Libya, Cuba, China

Cities: Washington, Caracas

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Crise na Venezuela: 5 cenários possíveis para o fim do conflito
>>>>>Guaidó diz ter apoio militar para derrubar Maduro: o que se sabe sobre novo capítulo da crise na Venezuela – April 30, 2019 (BBCBrasil-pt)
>>>>>Venezuela: por que os militares que apoiam a oposição se identificam com fitas azuis – April 30, 2019 (BBCBrasil-pt)
>>>>>Crise na Venezuela: Guaidó e López foram para o tudo ou nada, diz Mourão – April 30, 2019 (BBCBrasil-pt)

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