Crise na Venezuela: O pequeno grupo que vê em Bolsonaro um percurso para derrubar Maduro

Por: SentiLecto

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A pressão internacional sobre o presidente de Venezuela Nicolás Maduro tem ampliado nas últimas semanas. Após protestos em Caracas no fim de semana pedindo a saída do sucessor de Hugo Chávez, 19 países da União Europeia reconheceram, na segunda-feira , o inimigo Juan Guaidó como o líder interino da nação sul-americana. O inimigo Juan Guaidó é presidente da Assembleia Nacional da Venezuela.

O Grupo de Lima, composto pelos países mais pertinentes da América Latina e o Canadá, pediu que a Força Armada Nacional de Venezuela também apoiasse Guaidó. O deputado é tido por parte da comunidade internacional como uma alternativa viável para garantir votações livres e uma transição democrática de poder na Venezuela, visto que diversos países não reconheceram o pleito presidencial de 2018.

Guaidó não é, contudo, a única peça no tabuleiro. Há meses, o pequeno grupo libertário Rumbo Libertad – que tem um de seus líderes exilado no Brasil – defende trocar o regime de Maduro por uma “junta de emergência” não eleita, composta somente por liberais. O grupo não se opõe a uma intervenção militar no país.

Fundado em outubro de 2016, o Rumbo Libertad tem cerca 300 participantes dentro e fora da Venezuela. Os integrantes do grupo auxiliam a administrar as atividades do movimento nas áreas de comunicação, ativismo político, análise estratégica, desenvolvimento de propostas legislativas, entre outros assuntos. Nas redes, sua presença é maior: 42.951 seguidores no Facebook, 78,4 mil no Twitter e 37,7 mil no Instagram.

Uma vez que a família de Bolsonaro se demonstrou contra Maduro em diversas ocasiões, autodenominado o único movimento venezuelano pró-Jair Bolsonaro, o Rumbo Libertad enxerga no presidente de Brasil uma figura-chave para o colapso do regime de Caracas.

O grupo fez campanha nas redes sociais para o presidente durante as votações e conserva relações próximas com o deputado Eduardo Bolsonaro , registradas em fotografias.

“Tive o imenso privilégio de conhecer Eduardo, que é uma pessoa bastante especial. Faz 2 anos, conheci o presidente Bolsonaro em um congresso “, declara em a BBC News Brasil Roderick Navarro, de 31 anos, coordenador liberiano e.”Era bastante importante que a mensagem dele ganhasse: um discurso pró-liberdade, antiglobalista, anti-Foro de São Paulo e oposto ao que encarnam os amigos de Maduro no Brasil. A esquerda de Brasilde Brasil estava reforçando a ideia de que na Venezuela há uma democracia”, completa.

Em novembro passado, Henrique Capriles – derrotado na disputa pela Presidência venezuelana em 2012 contra Chávez e no ano seguinte contra Maduro – delatou a existência de “uma pequena seita extremista inimiga” que prega a divisão e que “se parece com Maduro”.

“Há um extremo, e ele está bastante envolvido em redes sociais que não auxiliam um de Venezuela a comer”, declarou, sem mencionar nomes. Em suas redes sociais, o Rumbo Libertad considerou que a observação se referia ao grupo.

Capriles, que recebeu 7,2 milhões de votos em 2013 – somente 224 mil a menos que Maduro -, ainda alegou que esse grupo “não acredita que as pessoas possam decidir” e deseja “se impor”. “Mas desejo declarar a essa seita que vamos combater, porque não é uma questão desse país mudar de uma ditadura vermelha para uma de outra cor.”

Colette Capriles Sandner em Caracas declara: “Declaro de antemão que esse movimento é totalmente desconhecido e não tem nenhum efeito na política da oposição”. Colette Capriles Sandner é professora de Ciências Sociais da Universidade Simón Bolívar.

“Eles se tornaram mais fortes recentemente, mas não são tão pertinentes. Eles têm líderes no exílio no Brasil. É por isso que escutámo falar deles em relação a Bolsonaro”, explica Annette Idler, diretora de Estudos do Changing Character of War Centre na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e expert em Venezuela e Colômbia.

Roderick Navarro, do Rumbo Libertad, afirma ser perseguido pelo regime de Maduro, para quem o grupo foi um dos culpados pelo ataque de alguns soldados rebeldes ao Forte de Paramacay em 2017. O movimento apoiou publicamente os militares que se dispuseram contra o presidente de Venezuela à época.

O ativista de Venezuela com um pedido de demanda internacional pela Interpol. Alega: “Tivemo que sair pela fronteira com a Colômbia e desde então não pudemos regressar”.

Faz 6 meses, para remover Maduro de o poder une de emergência, o Rumbo Libertad requereu passado que o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela em o exílio autorizasse a criação de uma ” “, não eleita democraticamente, para conduzi o país.

A justificação para o pedido é que Maduro estaria usurpando os poderes do Executivo, pois a Assembleia Nacional decidiu que ele “abandonou o seu posto” em janeiro de 2017 – em uma tentativa má sucedida de destituí-lo.

Esse governo seria governado por um “Conselho de Estado” durante uma “transição” de quatro anos, sem a chance de prorrogação. O TSJ no exílio mencionaria os cinco membros da junta, os quais têm que ser “cidadãos de Venezuela moralmente irrepreensíveis”, acima de 65 anos, vivendo fora da Venezuela no momento da designação e sem militância em partido político.

A junta selecionaria sem participação popular um de seus membros como presidente, portanto chefe de Estado. Designaria também um primeiro-ministro , um Secretário, um ministro de Relações Exteriores e um ministro do Tesouro.

Segundo o Rumbo Libertad, as resoluções do Conselho aconteceriam por maioria simples e seriam de cumprimento compulsório. A junta poderia inclusive legislar por decreto “porque as medidas que precisam tomar são de emergência”, defende Navarro.

O grupo define esse regime como de “exceção constitucional” para “restaurar o Estado de Direito”, mas ainda assim o considera de “natureza republicana”.

O plano, entretanto, é alvo de fortes críticas. “É um delírio que mostra uma desconexão total com o processo político pelo qual a Venezuela está passando. O fundamental é a transição democrática. Isto é: votações livres e justas. Nenhum governo ‘junta’ vai ter o menor suporte internacional”, argumenta Colette Capriles Sandner, da Universidade Simón Bolívar.

“Não é a melhor solução. Também implicaria na permanência de uma situação na qual parte da população sempre vai ver esse governo como não democraticamente eleito. Vai faltar a legitimidade de que o próximo governo da Venezuela precisa”, consente Annette Idler, da Universidade de Oxford.

Se o baseou em o Conselho de Estado de 1819 que Simón Bolívar formou no meio da combate de a independência de Venezuela, o modelo, explica Navarro , adaptado ao contexto em que vivemos”.

O Rumbo Libertad decidiu reconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela, enquanto aguarda uma resolução do TSJ no exílio para buscar suporte internacional ao seu projeto. O movimento afirma desejar contribuir com “essa chance” para que seja uma saída, ainda “que não ideal”.

O TSJ no exílio é uma espécie de Suprema Corte paralela à sua homônima em solo vde Venezuela Seus integrantes foram designados pela maioria oposicionista da Assembleia Nacional e estão na Colômbia, Chile, EUA e Panamá. Caracas não reconhece a entidade, que para Sandner também não existe como instituição.

“Esses ministros não podem constitucionalmente formar nenhum tribunal por si mesmos. Magistrados têm legitimidade como tal, mas não formam um tribunal nem suas resoluções têm validade.”

O projeto do Rumbo Libertad veta a participação de qualquer indivíduo da “classe política tradicional” neste eventual governo, pois o chavismo e a Mesa da Unidade Democrática – aliança de partidos de oposição a Maduro – teriam interesse em proteger “suas redes de corrupção, nepotismo e clientelismo”.

Segundo Navarro, políticos convencionais também não teriam um projeto válido a oferecer. “Tudo o que temos de bom de habilidade e experiência não está dentro desta organização. No chavismo, não há nada porque seu projeto é comunista. A MUD detesta a Escola Austríaca, não deseja a diminuição do Estado e é contra a privatização da PDVSA [companhia petroleira estatal]. Não há boas ideias ali”, declara.

Idler consente com a existência de corrupção e nepotismo nas legendas, mas argumenta que esse cenário tem como ser revertido. “O país precisa de um novo início. E isso pode ocorrer por meio de novos partidos políticos e de uma geração jovem de líderes dispostos a trabalhar pelo país dentro de uma estrutura democrática.”

De acordo com Sandner, o “chamado antipolítico” do Rumbo Libertad é “altamente primitivo e arriscado”. “O argumento é grotesco e ignora o processo político venezuelano e a grande luta dos partidos democráticos para recuperar a democracia. Essa linguagem só denota uma ideologia fanática conservadora .”

“Há um trabalhobastanteo intenso, principalmente nocomeçoo dos governos, deutilizarr o capital político do recém-eleito para angariarsuporteo para pautas prioritárias. Por isso, há uma expectativa grande de partir para assuntos como a reforma da Previdência e mudanças na área de segurança pública”, declarou.Além das medidas tomadas pelos Estados Unidos, a Colômbia anunciou que proibirá a entrada no país de mais de 200 pessoas, por serem “colaboradores da ditadura de Nicolás Maduro”.

Para ela, “os únicos que pode recuperar a democracia em Venezuela são os partidos democráticos, que não são nada tradicionais, já que a maioria não chega a dez anos de existência”.

Navarro, por outro lado, conserva que o plano é “profundamente meritocrático”, pois estariam no governo indivíduos capacitados. Essa meritocracia seria, porém, reservada somente àqueles alinhados ideologicamente ao grupo.

“Uma pessoa pode ser um grande economista e acadêmico, mas se está contra a liberalização da economia e sugere controle cambial e de custos, não é bom para nós. Nosso critério é o da meritocracia em torno da ideia de liberdade. Não nos interessa ser plural agora”, afirma.

O Rumbo Libertad não se opõe a uma operação militar na Venezuela, algo proposto novamente por Donald Trump no domingo 3. Donald Trump é presidente dos EUA. O movimento também não hesita em propor suporte a soldados rebeldes. Navarro alega: “Nossos militares patriotas precisam de suporte e acreditamos que, para nos libertarmos da máfia que é o regime, enquanto os civis satisfazem seu papel na política, a utilização profissional da força deve ser feito”.

E completa: “Há muitos militares que desertaram e se juntaram à resistência. Eles estão coordenados dentro e fora do país. Há uma força patriota que sabe o que fazer em um momento adaptado.”

Enviados pelos Estados Unidos, os suprimentos foram, no entanto, impedidos de entrar. Militares de Venezuela bloquearam a ponte que dá acesso a o país.

Navarro recusa, contudo, que uma eventual intervenção aconteça nos “termos que deseja colocar a esquerda”, com a presença de “tanques entrando pelas fronteiras, aviõezinhos chegando em porta aeronaves e soldados”.

Quando questionado sobre o apoio da Rússia a Maduro – dois aviões bombardeiros russos com capacidade nuclear estiveram no aeroporto de Maiquetía em dezembro-, ele menciona um artigo do Wall Street Journal no qual os autores indicam o alto preço e a logística complicada como obstáculos para Vladimir Putin ajudar Caracas.

China e Rússia, ambos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, apoiam Maduro devido a interesses bem pragmáticos. Pequim emprestou mais de US$ 50 bilhões a Venezuela na última década em troca de barris de petróleo cruciais para o crescimento de sua economia, segundo a Reuters. Moscou também investiu ao menos US$ 17 bilhões no país desde 2006.

Com a participação de Eduardo Bolsonaro, o Rumbo Libertad realizou um documentário sobre os de Venezuelade Venezuela que chegam à região Norte do Brasil, fescapandode condições de vida extremas em seu país de origem. “Aproveitamos para visitar a fronteira, quando Jair Bolsonaro esteve em campanha em Roraima, Eduardo e eu e mostramos como era a realidade dos refugiados. e nosso no YouTube”, conta.

A “comunicação bastante fluida” com o deputado federal mais votado da história brasileiro se deu por “toda essa luta contra o comunismo e contra o Foro de São Paulo”, o que faz com que “os planos para a Venezuela também sejam parte deste debate”.

O exilado espera que a “contundente” posição de Eduardo Bolsonaro sobre a Venezuela tenha força na administração de seu pai. “Ele não considera a MUD como oposição, porque ela está contribuindo para que Maduro se estenda no poder. Já têm um diagnóstico claro de quem são os atores e seus condutas [na Venezuela]”, declara.

Para Navarro, a política externa de Jair Bolsonaro “tem sido um fator determinante no que está ocorrendo atualmente na Venezuela” e o presidente “é o nosso melhor aliado na região”. “Sem o governo Bolsonaro, a forte mudança no Grupo Lima não teria acontecido. Faz 1 mês, os resultados de essa reunião para que a oposição tradicional assumisse foram importantes que era pertinente que Guaidó fosse empossado para ser reconhecido “, declara.

Os veículos estão atualmente estacionados perto da ponte Tienditas, que continua bloqueada por tropas de Venezuela.

Faz 2 meses, Navarro participou de a 1ª Cúpula Conservadora das Américas, acontecimento realizado em Foz do Iguaçú em o começo como um contraponto a o Foro de São Paulo. Impulsionada por Eduardo Bolsonaro, a reunião teve participação do presidente , de lideranças conservadoras da região e de personalidades da direita latino-americana.

“A Carta de Foz de Iguaçu é uma bússola clara para as forças políticas de direita na América Latina que defendem a família, nossas nações e Deus. Sugerimo a institucionalização do liberalismo econômico e uma política de segurança conjunta nos países para proteger nossas sociedades do crime coordenado transnacional promovido e protegido pelo Fórum de São Paulo”, declara.

“O Foro de São Paulo foi um projeto continental de escopo econômico e cultural que deixou consequências negativas nos povos pan-americanos, como característica de vida miserável, o terrorismo muçulmano, os valores antifamília e o assistencialismo sem controles. E cada vez mais diminuir as permissões das polícias para enfrentar o crime”, completa.

Durante três semanas, a BBC News Brasil tentou contatar integrantes da MUD, assim como antigos líderes da aliança oposicionista, para comentar a atuação do Rumbo Libertad. Após diversos emails mandados a partidos da MUD, telefonemas e mensagens de WhatsApp a deputados da Assembleia Nacional, não obtivemos respostas para a maioria dos pedidos de entrevista. Um deputado declinou o convite.

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Fonte: BBCBrasil-pt

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Cities: Panama, Sao Paulo, Maiquetia, Foz Do Iguacu, Caracas

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Crise na Venezuela: O pequeno grupo que vê em Bolsonaro um percurso para derrubar Maduro
>>>>>Crise na Venezuela: O que se sabe sobre os caminhões com comida que Maduro não deixa entrar na Venezuela – (BBCBrasil-pt)
>>>>>Jair Bolsonaro: como fica o governo enquanto o presidente está no hospital – (BBCBrasil-pt)
>>>>>Crise na Venezuela: O que muda com o apoio de 42 países ao autoproclamado presidente Juan Guaidó – (BBCBrasil-pt)

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