Em meio a crise de moradia, cidades dos EUA incentivam donos a abrigar sem-teto no quintal de casa

Por: SentiLecto

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Diante de uma crise de moradia que já levou milhares de pessoas a viverem em carros, alojamentos ou nas ruas e vários governos locais e estaduais a disserem estado de emergência, algumas cidades de Americade America estão testando uma abordagem inusitada para enfrentar o problema: oferecer incentivos para que donos abriguem sem-teto no quintal de casa.

Pelo menos quatro projetos pilotos, em Portland , Seattle , no condado e na cidade de Los Angeles, estão recrutando pessoas interessadas em instalar uma “microcasa” nos fundos de sua propriedade, onde indivíduos ou famílias sem-teto possam morar.

As normas variam. Em Seattle , a iniciativa pioneira , o Block Project construi as casas , gerenciar por a organização sem fins lucrativos Facing Homelessness , com doações de a comunidade e assistência de voluntários.

Os donos não recebem nada em troca, e os residentes não pagam aluguel nem têm prazo para deixar o local. A casa é retirada de seu quintal e instalada em outra propriedade, caso um participante desista do projeto.

Em Portland, todo o preço e trabalho de construção ficam a cargo do governo do condado de Multnomah, que entrega as casas prontas aos participantes, com a condição de que, por um mínimo de cinco anos, abriguem famílias escolhidas pelo programa, chamado A Place for You .

O aluguel pago pelas famílias durante esse fase, com assistência de vouchers do governo, não vai para o dono, e sim para cobrir serviços como luz, água e manutenção. Depois de cinco anos, o dono assume o controle da microcasa e pode alugar para quem desejar e receber renda da locação. Tem que pagar pelo preço de construção, se quebrar o contrato antes desse prazo.

Em Los Angeles, há dois projetos separados, ambos em período inicial. Na semana passada, a cidade anunciou que recebeu US$ 1 milhão da Bloomberg Philanthropies, organização filantrópica de Michael Bloomberg, para financiar um programa, cujos detalhes ainda estão em debate.

No condado , a ideia é oferecer financiamento para auxiliar donos a construir ou renovar casas no quintal. O governo paga por parte dos preços, mas o participante fica responsável pela obra, com a assistência de consultores.

Quando prontas, as unidades devem ser alugadas para sem-teto escolhidos por meio de programas de assistência, mas ainda não há definição sobre prazos ou outros detalhes.

Todos esses programas ainda estão em estágios iniciais, e os idealizadores reconhecem que, sozinhos, não solucionarão a crise de moradia, relacionada também à pobreza, e não somente à falta de casas. Mas o objetivo é descobrir se iniciativas da espécie poderiam complementar as medidas já adotadas na guerrazinha ao problema.

“Dez anos atrás, eu nunca imaginaria que estaríamos falando de unidades no quintal no contexto de soluções para a crise de moradia. Isso mostra como as cidades chegaram a um ponto em que estão tentando de tudo para enfrentar esse problema”, declarou à BBC News Brasil Connie Chung, uma das rculpadaspelo projeto no Departamento de Planejamento Regional do Condado de Los Angeles.

Apesar de incomum, se recebeu a ideia foi bem recebida até agora. Quando o projeto piloto de Portland foi anunciado, em 2016, mais de mil donos demonstraram interesse. A cidade é uma das que disseram estado de emergência por conta da crise de moradia. No condado completo, calcula-se que sejam necessárias pelo menos 25 mil unidades complementares.

A professora Luciane Patricio declara que essa situação deixa explícito que há opções para tornar um ambiente mais seguro, mas que se as levam muitas vezes não em conta.

“O interesse realmente nos assombrou. Achávamos que teríamos sorte se 20 donos considerassem participar”, declarou na BBC News Brasil Mary Li o laboratório de inovação do condado, culpada pelo projeto. A BBC News Brasil Mary Li é diretora do Multnomah County Idea Lab.”Quando você tem mil pessoas dispostas a potencialmente arriscar seu maior bem material, a sua casa, para auxiliar alguém que não tem uma, é algo bastante especial. Mostra que, elas auxiliam, quando as pessoas têm a chance”, destaca Li.

Ao final, quatro foram escolhidos, e as microcasas, com cerca de 18 m², ficaram prontas para receber os primeiros habitantes na metade deste ano. Agências do governo escolheram as famílias, que também recebem serviços já existentes do governo local, como auxilia para conseguir emprego e determinação de eventuais disputas com os donos.

Uma das primeiras admiradas foi Sherry Mesa, que desde julho vive com a sobrinha, Sobeyda, em uma microcasa no quintal de Martha Chambers. “Eu não posso contribuir com altas quantias em dinheiro, mas esta é a chance perfeita para auxiliar uma família, em meu quintal. Todo mundo sai ganhando, o dono e a família que antes era sem-teto”, declarou Martha em testemunho logo após receber Sherry e Sobeyda.

Em Seattle, que também está em estado de emergência devido à crise de moradia, com mais de 12 mil sem-teto, o Block Project tem mais de cem pdonosinteressados em lista de espera.

Como o próprio nome sugere, a ideia do projeto é envolver a comunidade inteira e, no futuro, instalar em cada quarteirão da cidade uma microcasa para abrigar alguém que vivia como sem-teto.

“Se alguém na vizinhança tiver alguma objeção, por qualquer motivo, não instalaremos a casa naquele quarteirão”, declarou à BBC News Brasil o arquiteto Rex Hohlbein, que fundou a organização Facing Homelessness e cinstituiuo Block Project ao lado da filha, a também arquiteta Jenn LaFreniere.

O processo para conectar donos e futuros residentes fica a cargo de serviços de assistência social e envolve questões sobre gostos pessoais e estilo de vida. Essas agências também acompanham os participantes e auxiliam a solucionar eventuais problemas. Os residentes assinam um contrato que estabelece normas e interdições, como a utilização de drogas e substâncias ilegais nas casas.

Até agora, somente uma casa está pronta, no quintal de Kim Sherman e Dan Tenenbaum, que desde o ano passado abriga Bobby Desjarlais, de 76 anos. Membro do povo indígena Cree, Bobby viveu como sem-teto por mais de uma década.

Residente de Seattle a vida inteira, Kim conta que acompanhou o crescimento da população sem-teto. Ela em testemunho gravado pelo Block Project declara: “Quando eu era criança, agora vejo pessoas sem-teto todos os dias, quase não existia , parte meu coração”. “Esse projeto me dá a chance de fazer algo concreto, que fará diferença na nossa comunidade, e mudar a vida de uma pessoa.”

Três outras microcasas estão em construção. Segundo Hohlbein, cada uma custa em torno de US$ 85 mil . Com cerca de 11 m², elas têm energia solar e sistema de captação de água da chuva. No futuro, o plano é cobrar aluguel dos residentes, pago com assistência de vouchers do governo, e utilizar o dinheiro para construir mais casas.

Hohlbein declara acreditar que o primeiro passo para enfrentar a crise de falta de moradia é diminuir a distância física e emocional entre os que têm e os que não têm uma casa para morar.

“Resolvendo somente a falta de casas, não chegaremos à raiz do problema. Ao instituir conexões, relacionamentos, é possível acabar com o problema por meio do envolvimento da comunidade”, evidencia.

Ele recorda que os participantes do Block Project não recebem dinheiro e a vontade estimula eles de auxiliar e fazer parte da solução, e que o objetivo não é instituir uma relação entre dono e locatário, e sim entre vizinhos. “A espécie de pessoa que está disposta a participar e está disposta a viver com alguém que tem um trauma, seja por algo que o levou a tornar-se sem-teto ou simplesmente porque viver sem-teto é traumático. Para essa pessoa a renda não é a motivação.”

Em outros projetos, porém, além da solidariedade, a motivação também é a chance de ganhar renda extra. “Todo mundo sai ganhando. O dono se beneficia porque ganha dinheiro para auxiliar a construir ou renovar uma casa no quintal, o que agrega valor a sua propriedade. Pode receber aluguel, o que encarna uma fonte complementar de renda. E pode ser parte da solução para a crise”, observa Chung.

Mais de 500 donos se inscreveram para participar do projeto no condado de Los Angeles, que tem mais de 55 mil sem-teto. Neste período inicial, com investimento de cerca de US$ 500 mil , cinco ou seis serão escolhidos. As casas terão que ter no mínimo 14 m² e, no máximo, 111 m², e têm que estar prontas para receber os primeiros residentes até o fim de 2019.

Li, de Portland, realça que é importante não rotular os residentes como “sem-teto”.

“Depois de se mudarem para uma casa, deixam de ser ‘sem-teto’. O que estamos tentando declarar é que estes são vizinhos. Por uma série de acontecimentos, poderia ser você ou eu.”

Hohlbein acredita que, no futuro, a ideia de abrigar alguém no se a vai encarar seu quintal como outras iniciativas de economia colaborativa, como Airbnb ou Uber.

“transferem-se as opções quando o poder público não resolve essa questão, para escapar de essa situação para o próprio trabalhador. Ele adere a aplicativos de carona, espera um vizinho passar para ir junto ou pega um Uber. Ela precisa se deslocar para chegar ao trabalho e precisa encontrar uma alternativa”, alegou.

“É parecido, estão pedindo que você reconsidere seu espaço pessoal. Antes do surgimento do Airbnb, a ideia de ter um insólito passando a noite em sua casa, enquanto você dorme, era impensável. Hoje em dia, minha mãe, que tem 80 anos de idade, é adepta do Airbnb. Esse paradigma mudou”, realça.

“Acredito que, assim como aconteceu com casas e carros, isso mudará também em relação ao quintal. As pessoas não vão mais ver esse espaço como um santuário pessoal, mas sim como um local onde você pode fazer o bem social.”

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Fonte: BBCBrasil-pt

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Countries: United States, Brazil

Cities: Los Angeles, Seattle, Portland

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Em meio a crise de moradia, cidades dos EUA incentivam donos a abrigar sem-teto no quintal de casa
>>>>>Como o horário de verão aumenta o medo de assaltos dos trabalhadores que saem cedo de casa – (BBCBrasil-pt)

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