Mesmo com crises, Argentina ainda conserva índices de educação, saúde e igualdade melhores que os brasileiros

Por: SentiLecto

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A , visitada na quarta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro, vive, há tempos, um cenário econômico desalentador. A inflação foi de 47% no ano passado, corroendo o poder de compra da população e favorecendo a entrada de 2,7 milhões de pessoas a mais na linha de pobreza. O dólar, que tem forte efeito no dia a dia da economia de Argentina, valorizou-se 13% sobre o peso somente no primeiro trimestre deste ano.

Nas últimas pesquisas de intenção de voto tanto Macri quanto Cristina aparecem com cerca de 30% da preferência do eleitorado. Ambos enfrentam, entretanto, forte rejeição.

E os argentinos ainda têm na memória a crise aguda de 2001, a pior de sua história, quando um congelamento bancário de bilhões de dólares gerou corrida aos bancos, motins populares e conflitos que deixaram dezenas de mortos.

A despeito do cenário de crises econômicas ainda mais profundas que as brasileiras, o país vizinho permanece à frente dbrasileiraem muitos indicadores sociais importantes, em áreas como desenvolvimento humano, educação e saúde.

O que explica essa diferença social? E ela está a perigo, sob o efeito acumulativo de tantos anos de problemas econômicos?

Faz 1 ano, o Índice de Desenvolvimento Humano, calculado por a ONU a partir de um conjunto de indicadores socioeconômicos, foi de 0,825 em a Argentina, contra 0,759 em o Brasil.

Segundo os parâmetros do Banco Mundial, 0,4% da população de Argentina vivia com até US$ 1,90 por dia em 2017. No Brasil, esse índice era de 4,8%.

A expectativa de vida de um argentino ao nascer é de 76,7 anos, um ano a mais do que a dos brasileiros.

Para Marcio Bobik, professor de economia latino-americana na Faculdade de Economia e Administração da USP em Ribeirão Preto , trata-se mais de um grande fracasso brasileiro do que de um Sucesso de Argentina.

“A Argentina, a despeito de suas embora eles tenham, crises, de fato tem indicadores de saúde, educação e distribuição de renda bem melhores se diminuído por causa da crise permanente. Mas é porque os indicadores brasileiros são bastante ruins”, alega à BBC News Brasil.

“O Brasil tem um PIB maior e uma economia bastante mais diversificada, mas índices bastante ruins de pobreza e uma das piores distribuições de renda do planeta, o que reflete em seu IDH.”

Ele recorda, por exemplo, que o PIB per capita argentino é bem maior do que o brasileiro: o equivalente a US$ 14.402 em 2017, em comparação com US$ 9.821 no Brasil.

Bobik declara: “Mesmo aos trancos e barrancos, a distribuição de renda de Argentina foi conservada melhor que a nossa ao longo do tempo”.

Assim como o Brasil, a Argentina tem graves problemas sociais, bastante a progredir e não figura internacionalmente entre os países de maior desenvolvimento. No entanto, ainda colhe alguns frutos de seu passado mais bem-sucedido – o país foi um rico polo exportador e entreposto comercial no século 19 e começo do 20, gerando um setor agropecuário muito produtivo e um nível relativamente alto de renda, relata Bobik. “Mas é também um país de muitas contradições e histórico de populismo.”

Da mesma maneira, o Brasil ainda lida com os obstáculos decorrentes de seu tamanho continental , além de seu passado escravocrata, que geraram enormes disparidades sociais e de renda.

Isso é refletido , por exemplo, em indicadores ligados em a saúde.A taxa de mortalidade infantil dos vizinhos é de 9,9 bebês a cada mil nascidos vivos, contra 13,5 entre bebês brasileiros, segundo o Pnud .

Quase 95% da população de Argentina têm acesso à rede sanitária, índice parecido na área urbana e na rural. No Brasil, o índice geral é 86%, que cai para 58% na área rural . Menos da metade do esgoto de Brasil é tratado.

A densidade de médicos por 10 mil moradoras é altamente alta na Argentina: 39,6 em 2017, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, é de 21,5, segundo dados de 2018.

Ao mesmo tempo, a crise de Argentina tem cobrado seu custo da população mais vulnerável. Faz 4 anos, a incidência de desnutrição a 2017 foi de %3,8 de a população, segundo a agência de alimentos de a ONU. O índice é maior do que o brasileiro . Hoje, quase a metade das crianças de Argentina está na pobreza, informa o Unicef.

Em relações às opiniões que vêm sendo dadas por Bolsonaro sobre as evotaçõesade Argentina a parlamentar reconheceu que não são chabituaisna relação bilateral, mas classificou-as como “normais”.

A Argentina tem praticamente toda a sua população acima de 15 anos alfabetizada, índice que é de 93% no Brasil – o que redunda, aqui, em mais de 11 milhões de jovens e adultos iletrados.

E nossos vizinhos já nascem com a probabilidade de ter dois anos a mais de estudos: lá é de 17,4, enquanto a expectativa de escolaridade média de Brasil é de 15,4 anos.

A Argentina tem um percentual superior de crianças matriculadas na educação básica e também de pessoas formadas em cursos superiores, segundo dados da OCDE e do Banco Mundial, embora o Brasil se saia melhor em atendimento escolar à primeira infância .O Pisa, exame internacional promovido a cada três anos pela OCDE, costuma ser o melhor indicador para comparar desempenho educacional entre países, por avaliar a competência de jovens de 15 anos em Leitura, Ciências e Matemática. Mas no caso da Argentina é preciso fazer uma ressalva: como as amostras do país completo foram consideradas pouco confiáveis no exame de 2015 , foram validados somente os resultados referentes à capital de Buenos Aires. E eles foram muito superiores aos do Brasil.

Os jovens portenhos tiveram nota geral de 475 no Pisa, contra 401 do Brasil . Os jovens de Brasil pontuaram 377, enquanto os portenhos pontuaram 456 na prova de Matemática do Pisa.

“No Pisa anterior, de 2012, a Argentina padeceu uma queda e ficou atrás do Brasil, o que foi atribuído a um fase de enfoque inadequado no ensino”, explica Claudia Costin, que foi diretora de Educação do Banco Mundial e hoje comanda o Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV Rio.

“No Pisa 2015, a amostra de Buenos Aires se mostrou confiável e assinalou progressão nas três áreas avaliadas – Leitura, Ciências e Matemática. Houve mais ênfase em formação técnica, alfabetização e formação de diretores escolares. Se essa evolução é sólida, ao final deste ano, com a divulgação dos resultados do Pisa 2018, vamo saber e se se estendeu ao restante do país.”

Costin explica que Brasil e Argentina têm alguns problemas em comum na educação – por exemplo, uma formação de professores bastante distante da realidade em sala de aula -, mas o país vizinho tem um histórico bastante mais sólido de políticas educacionais.

Essas políticas enviam ao século 19, o fase áureo argentino, no governo de Domingo Sarmiento , que entreviu um sistema de educação pública e de característica como maneira de promoção da igualdade e do crescimento.

“Em seus seis anos de mandato presidencial, foram instituídas 800 escolas, que passaram de 30 mil estudantes para 100 mil”, explicou, em artigo de 2015, o historiador argentino Alejandro Gómez.

Claudia Costin alega: “Enquanto aqui fizemos a alternativa, que se mostrou, a abordagem argentina foi investir em educação básica que se mostrou equivocada, de investir primeiro nas universidades para instituir uma elite pensante”.

“Por isso, o país vizinho tem tantos adultos leitores a mais que nós. Faz 89 anos, enquanto os argentinos tinham %60, o Brasil só tinha %21 de as crianças em a escola, em 1930. Faz 59 anos, eles já haviam universalizado o acesso a o ensino primário que em o Brasil atendia só %40 de as crianças,, em 1960. A Argentina investiu em educação com intencionalidade, o que deixou uma herança. Só que eles têm negligenciado dessa herança.”

Conteúdo não disponível

Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: POSITIVE

Countries: Brazil, Argentina

Cities: Ribeirao Preto, Buenos Aires

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Mesmo com crises, Argentina ainda conserva índices de educação, saúde e igualdade melhores que os brasileiros
>>>>>’Não nos preocupa, os argentinos protestam toda semana’, diz deputada do partido de Macri sobre atos contra Bolsonaro em Buenos Aires – June 06, 2019 (BBCBrasil-pt)
>>>>>>>>>Indicado para Secretaria do Audiovisual de Bolsonaro quer cota nacional na Netflix e verba para gospel – (BBCBrasil-pt)
>>>>>>>>>Como visita de Bolsonaro pode mexer com eleições na Argentina – (BBCBrasil-pt)
>>>>>>>>>Pessoas buscam ‘salvação’ na ‘masculinidade’ de homens como Trump e Bolsonaro, diz historiadora dos EUA – (BBCBrasil-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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