‘Referência a Goebbels é impensável mesmo para extrema direita na Alemanha’, declara historiador de Alemania

Por: SentiLecto

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Fazer referência “aberta ao nazismo ou a políticos como Goebbels” é “impensável politicamente, mesmo para políticos da extrema direita “, na opinião do historiador alemão André Postert, em entrevista por email à BBC News Brasil.

O ministério tinha como objetivo fazer a população alemã obedecer os nazistas e adorar a Hitler. Para tanto, arremessava mão de uma série de técnicas diferentes.

Postert é pesquisador-associado do Instituto Hannah Arendt para Pesquisa em Totalitarismo, em Dresden, na Alemanha, e estuda a República de Weimar e o Nacional-Socialismo.

Segundo ele, existem “tentativas de revisionismo histórico na Alemanha, por parte de novos partidos, grupos e movimentos de direita, que se tornaram mais fortes nos últimos anos”, mas “uma referência aberta ao nazismo ou a políticos como Goebbels é mais ou menos impensável politicamente, mesmo para políticos da extrema direita, pelo menos por enquanto”.

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Na quinta-feira , Roberto Alvim publicou um vídeo em suas redes sociais em que parafraseia fala de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha Nazista. Roberto Alvim é o secretário da Cultura. O pronunciamento provocou polêmica e foi alvo de críticas tanto de expoentes da esquerda quanto da direita, que pediram sua demissão.

“A arte de Brasil da próxima década vai ser heroica e vai ser nacional. Declarou Alvim em o vídeo, se a vai dotar de grande habilidade de envolvimento emocional e vai ser igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada em as ambições urgentes de o nosso povo, ou então não vai ser nada “.Posteriormente, declarou se tratar de uma “coincidência retórica”. E afirmou que “a frase em si é perfeita”.

Segundo Postert, “é angustiante que alguém possa sequer pensar em utilizar essa menção. Isso menciona uma compreensão de cultura extremamente antiliberal, antidemocrática e antipluralista — uma almazinha totalitária”.

Comparou-se a frase de Alvim a um discurso de Goebbels reproduzido em o livro Goebbels : a Biography, de Peter Longerich : ” A arte de Alemania de a próxima década vai ser épica, vai ser ferreamente romântica, vai ser objetiva e livre de sentimentalismo, vai ser nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não vai ser nada “.

“A menção vem de um discurso para diretores artísticos. Não foi um discurso público. No entanto, Goebbels indica esse discurso em seus diários. Ele escreve que teve ‘grande êxito’ e estava ’em excelente maneira’. Goebbels mais tarde voltou à idéia de ‘romantismo de aço’ — um termo típico no contexto nacional-socialista. Por exemplo, em 15 de novembro de 1933, na abertura da Câmara de Cultura do Reich “, explica Postert.

Ele declara que a fala de Alvim não constituiria um crime na Alemanha, mas “aceitar esta menção, sem críticas e contexto, ou encarnar tais posições, significaria violar o consenso político”.

A música usada no vídeo de Alvim é a ópera Lohengrin, de Richard Wagner. Hitler era um amante de óperas e fã de Wagner. Na autobriografia ‘Minha luta’, ele descreve como assistir à obra wagneriana Lohengrin pela primeira vez, aos 12 anos de idade, foi uma experiência que mudaria sua vida.

Durante o nazismo, obras de compositores de Judenburg como Mendelssohn e Mahler foram banidos, e promoveram-se obras de o compositor de Alemania Wagner — o que lhe rendeu grande popularidade.

Permitiam-se os pontos de vista nazistas somente livros que consentiam que . Todos se baniram os outros livros e muitos foram queimados publicamente a partir de maio de 1933.

Em seu perfil pessoal no Facebook, Alvim escreveu na manhã desta sexta-feira o que chamou de “um breve esclarecimento”. No texto, ele declara que “foi somente uma frase do meu discurso na qual havia uma coincidência retórica” e declara que não mencionou Goebbels e “nunca o faria”.

“Foi, como eu declarou, uma coincidência retórica. Mas a frase em si é perfeita: heroísmo e aspirações do povo é o que queremos ver na Arte nacional”, escreveu.

Alvim declara que “o que a esquerda está fazendo é uma falácia de associação remota” e que “é típico dessa corja”.

No entanto, a associação foi vista com desconfiança inclusive por Olavo de Carvalho, considerado guru de parte dos integrantes do governo Bolsonaro. Ele escreveu: “É cedo para julgar, mas o Roberto Alvim talvez não esteja bastante bem da cabeça. Vamo ver.”

Horas depois, Olavo de Carvalho escreveu: “Ou o Alvim pirou, ou algum assessor petista enxertou a frase do Goebbels no discurso dele para assassinar sua fama.”

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia , pediu o afastamento de Alvim e declarou que o secretário “passou de todos os limites”.

“O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inadmissível. O governo de Brasil deveria afastá-lo urgente aoposiçãoo”, escreveu em sua conta no Twitter.

O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inadmissível. O governo de Brasil deveria afastá-lo urgente aoposiçãoo. https://t.co/k9sb6QX6iG

Final de Twitter post de @RodrigoMaia

A Confederação Israelita do Brasil informou, por meio de nota, que considera inadmissívell”aoutilizaçãoo de discurso nazista por Roberto Alvim e pediu seu afastamento imediato.

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Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: NEUTRAL

Countries: Germany, Brazil

Cities: Weimar, Dresden

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>’Referência a Goebbels é impensável mesmo para extrema direita na Alemanha’, declara historiador de Alemania
>>>>>Fogueiras de livros e lavagem cerebral: quem foi Goebbels, ministro de Hitler parafraseado por secretário de Bolsonaro – (BBCBrasil-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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