Sanções contra Irã trazem lucros a governo e Petrobras, mas encarecem gasolina nos postos

Por: SentiLecto

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Menos de 24 horas depois da saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, anunciada por Donald Trump nesta terça-feira, em Washington, países exportadores de petróleo já comemoram lucros significativos.

No fim da tarde desta quarta, o barril de petróleo era negociado a US$ 71,32 , valor mais alto desde novembro de 2014.

Conforme ampliam o nervosismo no Oriente Médio e os custos dos barris no mercado internacional, países produtores de petróleo, como o Brasil, arrecadam mais dinheiro com impostos e royalties. Mas a notícia também traz conseqüência colaterais para consumidores e empresários, que vão encontrar gasolina mais cara nos postos e têm que faturar menos com a venda de mercadorias e serviços, graças ao transporte mais caro.

Para o engenheiro David Zylbersztajn, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a alta traz alívio para municípios e estados que dependem da produção de petróleo – caso do Rio de Janeiro, cuja economia entrou em colapso com a queda na arrecadação de royalties nos últimos anos.

“Governo e estados arrecadam significativamente mais. O problema no Brasil é que se gasta mal na maioria das vezes. Os Estados vão entrar em crise novamente, quando cair o custo. Não condições não são instituídas para que a economia se reproduza. Quando ela falece, é como a mesada da tia: se você não investiu ou guardou nada, ficará sem mesada, sem dinheiro de uma hora para a outra”, compara.

“É claro que impactará no custo final para os consumidores”, continua Zylbersztajn. “Ainda mais porque há dois movimentos: ampliação do custo do barril com a saída dos EUA do acordo e a ampliação do dólar” – que bateu recordes nas últimas semanas graças a incertezas sobre as votações brasileiras e à cpossibilidadede aampliaçãonas taxas de juros dos EUA.

Para o professor da USP Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobras durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a classe média é a principal prejudicada.

“O transporte urbano e de cargas é altamente dependente da gasolina e do diesel. Isso vai ampliar os preços da classe média e seu mau humor, às vésperas das evotações, ddeclaraSauer por telefone à BBC Brasil.

Na avaliação de Luis Carvalho, analista de petróleo e gás para a América Latina do banco suíço UBS, “a Petrobras deve ser afetada positivamente” com a resolução de Trump, já que a empresa reajusta valores de combustíveis no mercado doméstico a partir da oscilação dos custos internacionais.

“O pré-sal atualmente é viável com o valor do petróleo próximo dos 35 a 40 dólares por barril. Consequentemente, com o barril próximo dos 77 dólares, a margem de lucro dessa produção vai ser bastante maior”, calcula o economista.

Analistas americanos avaliam que a principal razão da alta lembre desta quarta-feira é a incerteza sobre o futuro das exportações do petróleo iraniano – o país é um dos cinco maiores produtores do mundo e exporta atualmente mais de 2,6 milhões de barris por dia.

Quando as sanções econômicas prometidas por Trump contra o Irã entrarem em forcita, em novembro, estima-se que as exportações iranianas poderão cair entre 500 mil e 1 milhão de barris diários – voltando aos níveis anteriores ao acordo assinado em 2015 com EUA, França, Reino Unido, Alemanha, China e Rússia, quando o país era alvo de sanções americanas e europeias.

Mas quem tem que ocupar o “vazio” que vai aparecer após as sanções sobre exportações de Iran?

Para Dan Eberhart, expert no mercado de energia e CEO da companhia estadunidense de serviços petroleiros Canary LLC, o movimento do presidente de America deve animar a produção de petroleiras dos próprios Estados Unidos.

“A OPEP tem que continuar com sua habilidade complementar de produção inalterada, já que a Arábia Saudita está focada nos custos das ações de sua companhia estatal de combustível. Então, qualquer oferta complementar tem que cair nos ombros dos produtores de America. Algo que tenho certeza que tem que deixá-losmuitoecontentess”, avalia.

No entanto, para Eberhart, a popularidade doméstica de Trump também pode ser abalada com o custo do combustível em alta.

“A resolução vai ser boa para o mercado de petróleo e gás dos EUA. Mas não está fazendo isso por essa razão, uma vez que o custo da gasolina na bomba tem um protagonismo político significativo, especialmente quando entramos na temporada de viagens de verão .”

A reviravolta na produção mundial do combustível acontece ao mesmo tempo em que a demanda por petróleo em todo o mundo dispara. De acordo com dados divulgados recentemente pelo banco de America Goldman Sachs, a demanda global pelo recurso aumentou no primeiro trimestre deste ano no ritmo mais agilizado dos últimos oito anos.

Aflutuação nos custos do combustível pode arrefecer se o Irã chegar a um entendimento com os outros signatários do acordo nuclear.

Todos eles – França, Reino Unido, Alemanha, China e Rússia – se opuseram publicamente à dresoluçãounilateral de Trump.

Um dia histórico. Estávamos a 14 de julho de 2015 e os ministros dos negócios estrangeiros de Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França, Alemanha e Irão colocavam um ponto final a uma verdadeira maratona diplomática que culminou com um acordo sobre o programa nuclear de Iran.

“Os EUA não adquirem petróleo de Iran, diferentemente de outros signatários do acordo como Rússia, Reino Unido, França e Alemanha, que se opõem ao fim do acordo e têm que continuar adquirindo petróleo de Iran. A Ásia, de longe o principal importador de petróleo do Irã, também tem que continuar adquirindo, como já fez na rodada anterior de sanções”, avalia Sukrit Vijayakar, expert em petróleo da consultoria de America Trifecta.

Na próxima segunda-feira, ministros das Relações Exteriores de França, Alemanha, Reino Unido e Irã devem se reunir para negociar um novo acordo, nos mesmos moldes do prévio, mas sem a participação dos estadunidense.

Nesta quarta, o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, declarou que lamenta profundamente a resolução de Trump e alegou que o acordo é “essencial para a manutenção da paz no Oriente Médio”.

Imediatamente após o anúncio, Emmanuel Macron declarou que “o regime internacional contra a proliferação de armas nucleares está em jogo”. Emmanuel Macron é o presidente de Francia.

Em comunicado conjunto, a primeira-ministra britânica, Theresa May, a chanceler de Alemania, Angela Merkel, e o presidente francês evidenciaram o “compromisso ininterrupto” por um acordo com o governo de Iran.

“Encorajamos o Irã a mostrar moderação em sua resposta à dresoluçãodos EUA; o Irã tem que continuar a satisfazer suas próprios deveres sob o acordo, colaborando plenamente e de forma oportuna.”

Já o presidente iraniano, Hassan Rouhani, quase concomitantemente, alegou que o anúncio mostra que “ao contrário do Irã, os Estados Unidos são um país que não satisfaz seus compromissos” e alegou que pode ordenar a retomada do enriquecimento de urânio “em ritmo industrial”.

A insatisfação dos iranianos com o ritmo lento de recuperação econômica levou a uma série de protestos em todo o país no final de 2017.Vozes como a do ex-presidente Barack Obama, no entanto, propõem que o gesto pode dificultar as negociações.

Rouhani, cujo posição está na berlinda por pressões internas de políticos linha-dura, que sempre se colocaram contra o acordo, declarou que o anúncio de Trump é uma “combate psicológico washingtoniana”. Na manhã desta quarta, parlamentares de Iran queimaram publicamente uma cópia do texto do acordo e berraram “morte à América”, em nítido sinal de elevação daotnervosismo

China e Rússia, dois dos principais parceiros do governo de Iran, declaram que trabalharão para conservar o convênio com o país.

Com o crescimento da animosidade no Oriente Médio e de conflitos com Arábia Saudita e Israel, o Irã deve se aproximar ainda mais dos russos, de quem devem adquiri mais armas para fazer oposição a eventuais ataques patrocinados pelo ocidente.

Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: POSITIVE

Countries: United States, United Kingdom, China, Brazil, Saudi Arabia, Russian Federation, Israel

Cities: Washington, Franca

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Sanções contra Irã trazem lucros a governo e Petrobras, mas encarecem gasolina nos postos
>>>>>Vitória da diplomacia posta em causa – May 08, 2018 (Euronews-pt)
>>>>>>>>>Diplomacia europeia tenta salvar o acordo sobre o nuclear iraniano – May 07, 2018 (Euronews-pt)
>>>>>>>>>>>>>Irão garante que “EUA vão se arrepender “como nunca” se saírem de acordo nuclear” – May 07, 2018 (Euronews-pt)
>>>>>>>>>>>>>>>>>França defende acordo nuclear com o Irão – (Euronews-pt)
>>>>>7 perguntas para entender o acordo nuclear com o Irã que Trump pode abandonar – May 08, 2018 (BBCBrasil-pt)
>>>>>Corrida nuclear? Tensão em Israel? 4 perguntas sem resposta após Trump implodir acordo com Irã – May 08, 2018 (BBCBrasil-pt)

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