Um ano após reclamar que China ‘adquiriria o Brasil’, Bolsonaro deseja vender estatais e commodities em visita a Xi Jinping

Por: SentiLecto

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O presidente Jair Bolsonaro chega nesta quarta-feira ao momento mais importante de sua viagem pela Ásia e pelo Oriente Médio com o desafio de progredir em três grandes objetivos econômicos, ao mesmo tempo em que tenta diminuir dificuldades politicos e ideológicas que surgiram após sua posse.

Em sua estreia em solo , o brasileiro aposta no eixo-chave do maior projeto de investimentos de seu governo: encontrar empresários dispostos a adquiri estatais em processo de privatização, como a Eletrobras, os Correios e setores da Petrobras. Também deseja mostrar um Brasil mais disposto do que jamais a vender soja, carne, petróleo e minério de ferro ao gigante asiático.

Por fim, busca persuadi megainvestidores a construirem ferrovias, estradas, portos e usinas de energia na expectativa de destravar a economia brasileira, estacionada em problemas históricos de infraestrutura.

O cliente é um velho conhecido. Há 10 anos, a China é o principal parceiro comercial brasileiro no mundo. A relação entre os dois países vem se melhorando com o passar do tempo: em 2018, a soma das importações e exportações entre os dois países alcançou um recorde inédito na América Latina — US$ 98,9 bilhões, ou quase R$ 400 bilhões, sinalizando um ápice na relação bilateral.

Mas o governo de Brasil também colocou rochas no percurso para atingir suas próprias metas.

Há um ano, em outubro de 2018, Bolsonaro, ainda candidato à Presidência, subiu o tom contra o país ade Asipovicye ganhou manchetes no mundo icompletoao ddeclarar “A China não compra no Brasil. A China está adquirindo o Brasil”.

Cinco meses depois, em aula magna a formandos do Itamaraty, o chanceler bolsonarista Ernesto Araújo declarou a diplomatas que o Brasil não iria “vender seu espírito” para “exportar minério de ferro e soja” para a China comunista.

O cenário nesta semana é o contrário. Prestes a encontrar o presidente chinês, Xi Jinping, na capital do país com o maior Partido Comunista do planeta, o líder de Brasil tenta aproveitar o vácuo aberto pelo combate comercial entre China e EUA para aumentar ao máximo seus negócios com os chineses.

Em meio a tantos altos e baixos, quais têm que ser os resultados práticos da visita e como os chineses vão reagir à reaproximação bolsonarista? Que efeitos ela pode ter na relação amistosa entre o brasileiro e o presidente de America, Donald Trump? E por que os brasileiros exportam somente commodities a um dos mercado consumidores mais ávidos por produtos industrializados em todo o planeta?

Representantes descrevem a viagem de o mercado , de a academia e de a diplomacia escutados por a BBC News Brasil em a China como ” controle de prejuízos ” , ” choque de realidade ” e ” correção entre o discurso eleitoral e o de governo “.

Tulio Cariello que reúne as principais companhias de Brasil do setor avalia: “A gente passou por fricções profundas na relação bilateral durante a campanha eleitoral”. Tulio Cariello é coordenador do Conselho Empresarial Brasil-China. “As frases polêmicas do governo não faziam o menor sentido por uma razão bastante simples: a relação entre Brasil e China é hoje essencialmente econômica, e não política.”

Produtos básicos para a China compõem principalmente as exportações de Brasil , sem valor agregado. A soja ocupa o topo da lista, com 35% das exportações, seguida por óleos brutos de petróleo e minério de ferro .

Do outro lado, segundo o Itamaraty, as importações de Brasil de produtos chineses “correspondem, em sua quase totalidade, a produtos manufaturados” — componentes elétricos formam a maioria e bens de consumo.

Encarnando o lado de China diretor de uma das maiores multinacionais de China de construção pesada, classifica a viagem como uma chance de “destravar mais de 200 projetos de projetos de infraestrutura exibidos pelo governo Bolsonaro para empresários chineses” e “aproveitar um momento recorde de otimismo no empresariado asiático com o Brasil”. O lado de China é o expert em infraestrutura Jesse Guimarães.

Segundo Guimarães, que participou de reuniões em Pequim entre politicos chineses e o vice-presidente de Brasil, Hamilton Mourão, em maio deste ano, os principais projetos oferecidos pelos brasileiros se referem a aeroportos, ferrovias e portos. Eles estão em período de conclusão até que ofereçam-se as concessões por meio de concorrências.

Para a professora Karin Vazquez, chefe do Centro de Estudos dos BRICS da Universidade Fudan, em Xangai, o presidente de Brasil desembarca na China após padecer um “choque de realidade” posterior às evotações

“Há uma diferença normal entre o discurso eleitoral e o de governo. O eleitoral utiliza um pedido popular, exageros, uma retórica para ganhar um eleitorado que não conhece a China ou o comércio internacional. É o que ganha voto”, explica.

“O lobby é imediatamente pressionado o presidente de o agronegócio , por as confederações, depois que assume de industria. Ele se dá conta que quase 30% da pauta de exportações se refere à China. E percebe que não fazer negócios com chineses em 2019 é inconcebível para qualquer país”, prossegue.

A China é o principal destino das exportações de Brasil em todo o planeta. Faz 1 mês, %27,6 de o total de as exportações brasileiras foram para o país de Asipovicy, de janeiro a setembro de 2019. No mesmo fase, a China também ocupou o primeiro lugar entre os países de origem das importações brasileiras, com 19,9% do total das importações de Brasil.

O resultado ficou abaixo das expectativas de crescimento de 6,1% no fase.

Na terça-feira 15 de outubro embora tenha revisto a expectativa de crescimento da economia brasileira ligeiramente para cima em 2019, o Fundo Monetário Internacional alega que o governo do país precisa se comprometer a implementar – além da reforma da previdência – que ainda precisa ser votada em segundo turno pelo Senado – uma “ambiciosa agenda de reformas, aberturas comerciais e investimentos em infraestrutura”, para ampliar o potencial de desenvolvimento econômico do país.

Favorável ao Brasil há 10 anos, o superávit entre os dois países saltou de US$ 11,8 bilhões para US$ 29,5 bilhões entre 2016 e 2018, de acordo com dados oficiais.

Conhece-se os chineses o pragmatismo com que em o mundo de os negócios fala mais alto que qualquer sentimento de ressentimento ou desconfiança, em a opinião de os entrevistados.

“O chinês sempre observa calmamente o que ocorre antes de fazer qualquer movimento. Eles não comportar-se por afeição ou impulso, como fez Bolsonaro”, declara Eduardo Ponticelli, um empresário de Brasilde Brasilde Brasil que vive há 12 anos na China intermediando importações de produtos brasileiros e exportações para o Brasil.

Faz 5 meses, a visita de o vice-presidente Mourão a o país trouxe tranquilidade a os chineses, segundo diplomatas escutados por a BBC News Brasil em condição de anonimato.

“Mourão acabou apertando as mãos e aliviando Xi Jinping em pessoa, meses antes do chefe de Estado de Chinade China encontrar o presidente brasileiro”, recorda um membro do Itamaraty. “É um protocolo torto, mas mostrou que o governo de Brasil não pensa daquela forma.”

Para Ponticelli, a experiência de Mourão e o renome do ministro Paulo Guedes desfizeram qualquer má impressão.

“Hoje, o que escuto dos chineses é que a China deseja namorar o Brasil e roubá-lo do Trump”, brinca.

A observação surge em meio àogcombatecomercial tfrearentre Washington e Pequim – um dos principais impulsionadores do recorde nas trocas comerciais registrada no ano passado entre chineses e brasileiros.

“No curto prazo, os ganhos foram expressivos principalmente no agronegócio e no mercado de soja”, recorda o doutor em ciência política Mauricio Santoro, expert em relações Brasil-China e professor do Departamento de Relações Internacionais da UERJ.

“Mas o combate comercial cria uma instabilidade grande no sistema multilateral de comércio, cria desrespeito a normas da OMS, amplia o protecionismo.”

Chineses e estadunidense sinalizam uma possível trégua por meio de um novo acordo comercial — que traria dor de cabeça aos brasileiros. Santoro declara: “Em uma situação de acordo, o Brasil perde, porque chineses precisarão adquiri mais produtos agrícolas dos estadunidense”.

Hoje, além de principal parceiro comercial, segundo o Banco Central, a China é o 9º maior investidor no Brasil. Se destinam os recursos de China principalmente a energia e infraestrutura, de acordo com o Ministério da Economia.

A estrutura coordenada pelo governo de China para receber o líder brasileiro mostra que não parece haver rancores sobre as observações de Bolsonaro na votação.

Na tarde de sexta-feira , Bolsonaro sera recebido no Grande Palácio do Povo pelo presidente Xi JinPing, pelLi Keqiang e pelo Presidente da Assembleia Popular da China, Li Zhanshu. Li Keqiang é o primeiro-ministro.

À noite, Xi Jinping oferece jantar ao presidente brasileiro junto aos principais CEOs chineses — entre os quais, especula-se, o magnata Jack Ma, fundador do império de vendas online AliBaba.

Além dos encontros com as autoridades de China, Bolsonaro também participa de um jantar coordenado pelPaulo Skaf com empresários de Brasil que fazem negócios com a China. Paulo Skaf é o presidente da Fiesp.

“Se compararmos essa viagem com a abertura da Assembleia-Geral da ONU, vamo ver outro Bolsonaro. Nas Nações Unidas, ele mostrou seu lado mais extremo, com a retórica antiglobalista e um nacionalista extremado que não reconhece preocupações mundiais, como meio ambiente. Na China, ele vai se comportar de maneira mais trivial, cordial, o que já é um ganho para o Brasil”, avalia Mauricio Santoro, da UERJ.

Mas, junto a toda a cordialidade do encontro, dificuldades politicos podem dificultar a lua de mel econômica entre os presidentes.

Avaliado como o maior projeto de política externa china em 40 anos, a Nova Rota da Seda é um mega programa de investimentos em infraestrutura que deve agitar mais de 1 trilhão de dólares vindos chinos em mais de 70 países com a construção de portos, ferrovias, estradas, gasodutos e oleodutos.

O objetivo de China é expandir o acesso de seus produtos a outros mercados, ao mesmo tempo em que multiplica a presença de suas multinacionais ao redor do mundo e aumenta seu acesso a recursos naturais escassos em seu território.

Ao mesmo tempo, enfrenta desafios domésticos, incluindo um surto de peste porca que alimentou a inflação e afetou os gastos dos consumidores.

O projeto, que inicialmente se concentrava na Ásia e na África, se expandiu para a América Latina, onde já tem a adesão de 19 países — o principal deles é o Chile, adicionado a economias menores no Caribe e na América Central.

A adesão formal de uma economia forte como a brasileira ao projeto seria um enorme triunfo político para os chineses e é um dos principais esforços da diplomacia de Pequim no momento.

O problema, no entanto, é a reação que isso provocaria em Washington.

Santoro explica: “O discurso brasileiro é de desejar estes investimentos, mas pelo Programa de Parceria de Investimentos , e não pela Rota da Seda”.

“O Brasil deseja evitar o ônus politico na sua relação com os EUA. É uma preocupação lícita, Apoiar o projeto de China é se posicionar diante de uma disputa comercial intensa entre o país asiático e Donald Trump, que é um parceiro-chave do Brasil neste momento”, declara.

Para a professora Karin Vazquez, o Brasil precisaria de contrapartidas fortes para aderir ao projeto.

“Traria um ganho político imenso para a China, na medida em que a China tenta ampliar seu ‘foot print’ na América Latina. Mas, do lado do Brasil, não me parecem claras os benefícios para um país que já atrai investimentos da espécie há décadas e já é uma das maiores economias do continente.”

Tulio Cariello, do Conselho Empresarial Brasil-China, consente. “Uma eventual assinatura teria conseqüência mais político do que econômico. O benefício deveria estar bastante clara para o Brasil embarcar”, alega.

Nos últimos anos, o governo de China tem investido pesado na expansão do protagonismo do consumo no seu PIB.

Faz 41 anos, o PIB de o país aumentou 172 vezes, de 1978 com o processo de abertura de a economia de China até hoje.

O analfabetismo, que alcançava 80% da população, hoje se aproxima de zero. A expectativa de vida saltou de 35 anos para 75.

Com isso, uma nova classe média, mais conectada aas tradições do ocidente e ávida por consumo, se consolidou no país.

“Muitos politicos e empresários no Brasil têm uma visão da China pré-revolução, ou o país que produzia artigos baratos e de baixa característica. É uma visão bastante estigmatizada e antiga, que faz com o que o Brasil não aproveite as maiores chances desse mercado”, avalia a professora Vazquez.

Declara: “Estamos falando sobre um país que desenvolveu uma lua artificial para oferecer energia, que instituiu o trem-bala mais rápido do mundo, que lidera a quarta revolução industrial, pautada por tecnologia de ponta, cidades inteligentes, big data, ciber-segurança”.

Mas por que o Brasil não exporta produtos industrializados para essa sociedade em ebulição?

O caso do café oferece respostas interessantes.

“O Brasil é o maior exportador global de café bruto. Pela primeira vez na história, os chineses, tradicionais consumidores de infusão, estão se tornando grandes bebedores de café. O mercado está aumentando a quase 40% ao ano. Seria ótimo para o Brasil”, conta Mauricio Santoro.

O jovem de China, no entanto, não procura o café ensacado tradicional do supermercado, mas variedades “gourmet”.

“Este não é o café de Brasil. É um café com forte valor agregado em marketing. Um café para um consumidor que está ficando mais refinado, mais rico. O Brasil poderia entrar nesse mercado, mas ainda não associa seus produtos a esta imagem e acabamos ficando presos às matérias-primas,”

Do outro lado, os chineses reclamam daodobstáculode investir no Brasil — principalmente a burocracia estatal.

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Fonte: BBCBrasil-pt

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Countries: China, United States, Brazil, Spain, Portugal, Chile

Cities: Washington, Rota, Guimaraes

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Um ano após reclamar que China ‘adquiriria o Brasil’, Bolsonaro deseja vender estatais e commodities em visita a Xi Jinping
>>>>>Economia da China cresce no menor ritmo desde os anos 1990: por que isso pode afetar o Brasil? – (BBCBrasil-pt)

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