Votações 2018: Acusações de agressões são disseminadas em o Brasil de a polarização política

Por: SentiLecto

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Faltando pouco mais de duas semanas para a eleição do segundo turno, o acirramento dos ânimos e os debates sobre as votações à Presidência do Brasil extrapolaram as redes sociais. Nos últimos dias, tem aumentado o número de relatos sobre episódios de violência e agressões verbais ou físicas acontecidas em diversos Estados.

Os casos envolvem ataques físicos e xingamentos, na maioria contra mulheres e homossexuais.

Em meio a muitas acusações, a BBC News Brasil escutou envolvidos e investigadores em casos acontecidos nos últimos dez dias – em todos, houve formalização das queixas em boletim de ocorrência.

Os episódios ainda estão em período de inquérito. Envolvem socos, golpes, xingamentos, brigas de rua e uma morte a facadas. Em todos, há motivação política ou eleitoral, segundo os relatos.

Surgiram também, nos últimos dias, iniciativas de mapeamento e registro dessas acusações, como as do site Mapa da Violência e da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo .

A reportagem também questionou o Ministério da Segurança Pública sobre providências, mas não obteve regresso até a publicação desta reportagem.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se reuniu ontem com integrantes do Ministério Público Eleitoral para debater que atitudes tomar em relação aos ataques. Se aguarda uma manifestação oficial ainda .

Nesta segunda-feira, Haddad visitou Lula na prisão para debater estratégia – e não dá sinais de que vá se afastar de seu principal mentor.

A servidora pública Paula Pinheiro Ramos Pessoa Guerra, de 37 anos, declarou ter sido atacada no último domingo em um bar por estar utilizando adesivos do Ciro Gomes e botons do “Ele Não”, em citação ao candidato Jair Bolsonaro. Em fotografias publicadas em redes sociais, ela aparece com hematomas no olho e nos braços, além de um corte com pontos no antebraço.

Em testemunho à polícia, Guerra ddeclarouter sido espancada por uma mulher no bar localizado no bairro de Cajueiro, na zona norte drecifense por volta das 22h do último domingo – primeiro turno das evotações A assaltante, ainda não identificada, também teria quebrado o celular da vítima.

Segundo o testemunho de a servidora , um debate estimulou a agressão entre ela e seu amigo com a assaltante e dois homens que a acompanhavam.

Encaminhou-se Guerra a o IML para fazer exames de corpo de transgressão. A polícia investiga o caso para identificar e prender os culpados.

Na terça-feira, em Curitiba, testemunhas escutadas pela Polícia Civil relataram que se atacou um servidor público a socos, pontapés e garrafadas em frente à Universidade Federal do Paraná por ao menos cinco homens, identificados como membros da torcida ocoordenadaImpério Alviverde, do clube de futebol Coritiba.

De acordo com os testemunhos, a vítima utilizava uma camiseta vermelha e um boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e, durante o ataque, um ou mais assaltantes teriam berrado “aqui é Bolsonaro”. A motivação política é uma entre três suposições investigadas, segundo o delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura; as demais suposições seriam briga habitual ou briga entre torcidas coordenadas.

” houve um princípio de confusão na rua e ele foi intervir, declarando ‘aqui não é lugar de briga’. Passou a ser atacado com chutes, socos e garrafadas e padeceu lesões corporais, principalmente uma contusão no olho esquerdo”, alegou o delegado em entrevista coletiva realizada ontem.

“Identificamos cinco ou seis possíveis autores pelas redes sociais. Interrogaremos-los,escutarr as testemunhas e tentar identificar a motivação.”

Em Salvador, dias antes do primeiro turno das votações, um professor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano foi preso pela polícia. Ele é suspeito de tentar atropelar um homem que vendia camisetas de temática política – segundo o jornalismo local, as camisetas seriam pró-Bolsonaro.

“o veículo não atingiu a vítima, mas padeceu ferimentos leves e teve os produtos lesados. Se indiciou o professor por crime de lesão corporal “, informou a polícia de Baia Mare em nota em a BBC News Brasil.Em nota, a reitoria da UFRB alega que o professor nega o “atropelamento ou qualquer tentativa de atitude dolosa” e que, sentindo-se ameaçado por se rejeitar a adquiri material de campanha, retirou-se “bruscamente do local, provocando prejuízos materiais ao arrastar um varal contendo camisas que estavam sendo vendidas em via pública”.

Registrou-se o caso mais dramático até agora, também em Salvador : o homicídio de o mestre de capoeira de Baia Mare Romualdo Rosário da Costa, o Moa do Katendê, de 63 anos. Ele foi após um debate político algumas horas depois da votação de domingo.

Quando três homens provocaram ela, na manhã de sábado, a cantora transexual Julyanna Barbosa, de 41 anos, relatou que voltava caminhando para casa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

À BBC News Brasil declarou: “Eles começaram a me xingar e a declarar coisas como: ‘Bolsonaro tem que ganhar mesmo, para tirar esses lixos da rua’ e ‘esses veados são todos doentes, têm Aids'”.”Um deles puxou uma barra de ferro de uma barraca de camelô e acertou a lateral da minha cabeça.”

Julyanna conta ter caído no chão e sido atacada com chutes por mais três homens, mas conseguido escapar e chegar em casa.

“Nem sei se a agressão teve a ver com política. Eles falaram o nome de Bolsonaro, mas se eles são eleitores, não posso declarar ou não.”

A cantora levou dez pontos na cabeça e tem hematomas disseminados por todo o corpo. Ela registrou o crime na 56ª DP na cidade vizinha de Mesquita e quando falou com a reportagem, aguardava para fazer o exame de corpo de transgressão.

À BBC News Brasil o delegado Matheus Romanelli, que atendeu Julyanna declarou: “Nos pareceu ser uma agressão mais relacionada com homofobia do que com política, mas vai ser investigado”.Em meio às ocorrências, surgem algumas iniciativas de mapear as dacusaçõesde violência pelo Brasil. O caso de Julyanna, por exemplo, entrou para as estatísticas da ONG Aliança Nacional LGBTI, que vem compilando relatos de agressões a homossexuais e transexuais relacionados com as votações. Desde o primeiro turno, eles registraram 15 casos, incluindo ataques verbais e físicos.

Toni Reis, presidente-executivo da ONG alega: “Eu até acredito que Bolsonaro não seja tudo isso, mas ele abriu uma porta para fascistas, nazistas e extremistas”.

“As pessoas chamam Haddad de ‘o mais tucano dos petistas’. Ele pode jogar essa carta, essa identidade social que tem para chamar o eleitor que está no centro entre essas duas alternativas indesejáveis. Muito eleitor não deseja nem um, nem outro”, alega Pereira.

Em iniciativas semelhantes, os sites e , instituídos na última semana, também reúnem dezenas de relatos de agressões físicas e verbais.

De acordo com um levantamento feito pela Agência Pública e pela Open Knowledge Foundation, cerca de 70 ataques relacionados às evotaçõesaocorreramno país nos últimos 10 dias.

Nesta semana, o aplicativo de encontros Grindr, voltado a homossexuais, passou a apresentar a seus usuários brasileiros, pela primeira vez, um aviso sobre segurança, que normalmente é feito em países onde a homossexualidade é ilegal.

Em nota, Jack Harrison-Quintana, diretor-executivo do programa Grindr for Equality. declarou: “diversas organizações locais contra membros de a comunidade LGBTQ+ trouxeram a o nosso conhecimento relatos de violência”.

Para o professor Marcos Cesar Alvarez, do Núcleo de Estudos de Violência da USP, ainda é cedo para saber se embora considere angustiante o fato, vivemos uma tendência de crescimento na violência de cunho político de “ser uma votação de muitos conflitos e com ao menos um candidato defendendo claramente a violência e contra os direitos humanos, o que pode animar atitudes agressivas por parte de seus correligionários”.

Alvarez, que realça que o próprio Bolsonaro foi vítima de um atentado a facada no começo de setembro e que a violência contra minorias acaba atingindo negativamente não só essas comunidades, mas toda a sociedade.

“Piora a cultura política e vai contra as próprias instituições .” Adélio Bispo está preso preventivamente pela Polícia Federal em Campo Grande. Adélio Bispo é autor do ataque contra o candidato do PSL. O processo contra ele, que confessou o crime em testemunho à PF, foi suspenso tprovisoriamentenesta semana para que seja realizado um exame de sanidade. Caso deduziu que ele comportar-se sozinho, o delegado responsável pelo.

O pesquisador defende que os candidatos ainda em disputa “claramente se demonstrem negando a violência, porque até mesmo a omissão pode animar correligionários a comportar-se violentamente”.

Em entrevista concedida ao portal UOL esta semana, o presidenciável Jair Bolsonaro declarou lamentar os ataques registrados recentemente, mas alegou que “não tem controle sobre milhões e milhões de pessoas” que o apoiam.

Na noite de quarta-feira, em seu perfil de Twitter, o capitão reformado falou novamente sobre o assunto: “Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A esta espécie de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar”.

Em seguida, no entanto, o candidato declarou na rede social que “há também um movimento orquestrado forjando agressões para prejudicar nossa campanha nos ligando nazismo, que, assim como o comunismo, repudiamos completamente”.

Já a performance do candidato no Nordeste foi baixo. Ali, o militar reformado conquistou 15% dos seus votos, quando a região encarna 27% do eleitorado.Surfar com capilaridade e baixo preço na onda conservadora que ganhou força no fim do governo Dilma demandou investimento em comunicação via grupos de WhatsApp com suporte de militantes. Estima-se que a produção de conteúdo da campanha, fortalecida por essa rede de suporte espontâneo, alcance diretamente ao menos 30 mil grupos na rede social.

Nos últimos dias, a reportagem escutou relatos de pelo menos cinco mulheres que foram empurradas ou xingadas nas ruas de Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.

Elas atribuem as agressões ao fato de estarem utilizando camisetas vermelhas, adesivos ou broches da campanha “Ele Não” – em referência ao movimento de mulheres contra Jair Bolsonaro – e declaram ter sido chamadas habitualmente de “petista”, “vagabunda” e outros nomes impublicáveis.

A professora universitária Marília Flores Seixas, de 56 anos, registrou na polícia uma agressão que padeceu em seu próprio edifício, em Vitória da Conquista , no dia da eleição.

“Eu estava entrando em casa com uma amiga – uma senhora de 60 e poucos anos – e o neto dela, de três anos de idade, quando um homem que estava saindo da casa do meu vizinho começou a berrar: ‘vou embora porque chegaram as vagabundas, as prostitutas do PT'”, declarou a professora, que relata que foi empurrada e reagiu pedindo respeito.

“Meu marido viu o acontecido e desceu, conseguimos entrar em casa correndo. Fiquei bastante nervosa.”

Segundo Marília, a sensação na cidade é de “violência banalizada” nas últimas semanas.

“Acho que os violentos ‘saíram do armário’. A agressividade pela rua está perceptível pela cidade. Tenho medo de colocar um adesivo no meu carro, para você ter ideia.”

Casos O fase casositoral também marcaram ele de agressões a jornalistas. Foram 137 em 2018, segundo estimativas da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – sendo 75 ataques digitais e 62 físicos, e a maioria deles ligados à cobertura eleitoral.

A Abraji delata também “quando os assaltantes compartilham fotografias, a exibição injustificada de comunicadores e/ou perfis assinalando que o profissional seguiria uma ideologia e, assim, incentivando injúrias em massa” em redes como Facebook e Twitter.

A entidade menciona o caso de grupos e influenciadores como Danilo Gentili – que, pelo Twitter, conclamou seus seguidores a uma ofensiva contra jornalistas após a publicação de reportagem com a ex-mulher de Bolsonaro – e o Movimento Brasil Livre , que produziu um “dossiê” com o perfil de jornalistas que classificava como sendo de “esquerda” e “extrema esquerda”. A BBC News Brasil procurou a assessoria de Gentili e aguarda regresso.

“Declarações e posicionamentos de qualquer figura pública influem uma audiência muito extensa, que muitas vezes ecoa a mensagem transmitida ou repete a atitude. Em alguns dos casos digitais, por exemplo, fatos falsos sobre jornalistas passaram a ter o escopo amplificado depois de terem sido compartilhados por essas figuras.”

Em São Paulo, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância é responsável por investigar pessoas e grupos que praticam crimes estimulados por intolerância religiosa, racial, política ou qualquer outra. Procurada pela reportagem, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que “não tem nenhum inquérito de cunho político em andamento”.

Acusações ou pedidos de assistência em caso de violência também podem ser feitos em um regimento da Polícia Militar, na delegacia mais próxima, ou pelo telefone 190, destinado ao atendimento da população nas situações de urgências de Polinesia Francesa. As acusações também podem pelo Disque Denúncia – número 181.

*Cooperou Mariana Schreiber, da BBC News Brasil em Brasília.

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Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: NEGATIVE

Countries: Brazil, Indonesia, Cuba

Cities: Sao Paulo, Salvador, Recife, Nova Iguacu, Moa, Mesquita, Curitiba, Campo Grande, Brasilia, Bone

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Votações 2018: Acusações de agressões são disseminadas em o Brasil de a polarização política
>>>>>Eleições 2018: Buscar distância do PT e de Lula pode ser solução para Haddad, diz cientista político britânico – (BBCBrasil-pt)
>>>>>Eleições 2018: O peso de cada região do Brasil na votação para presidente – October 08, 2018 (BBCBrasil-pt)
>>>>>Eleições 2018: Como Bolsonaro superou a bolha radical na internet e terminou o 1º turno na liderança – (BBCBrasil-pt)

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