O corpo fala o que o espírito cala

Por: SentiLecto

Engole o choro, menino. Sentir ira é feio. Está triste por que? Besteira. Menino que tem tudo. Assim a gente vai aprendendo que nem todo afeto é bem-vindo. E compreende que a ordem é se calar. Fazer de conta que não sente o que de fato ocorre por dentro.

Você aumenta. Estuda. Trabalha. Pode faltar à prova, ao trabalho, claro. Se estiver doente. Com certificado do médico. Gripe, febre, virose, dor no corpo, essas coisas. Está doente, fazer o que? O outro é obrigado a entubar. É lei.

Mas tente faltar por amargura. Por pesar. Por aperto grande no peito. Por vontade de só chorar. Porque não consegue ter forças nem para viver, quanto mais para erguer da cama.

Nesse caso você será acusado de preguiçoso. Safado., que gosta é de moleza, Às dores do espírito ninguém dá o devido valor. Por luto? Se for morte, só três dias. Depois, se vire e não padeça mais.

A agonia do corpo a gente aceita. Fica com pena. Visita. Leva frutas e docinhos. A dor do espírito, não. Ela assusta. Como se fosse uma bruxa. Como se pudesse enfeitiçar a gente também. A gente se afasta. Comportar-se como se ela fosse contagiosa. Não é.

O que faz a agonia emocional tão intolerável? Porque essa enorme falta de empatia? Porque a agonia do outro nos envia à nossa. Nos força a enxergar o que a gente cala. Silencia. E sorrindo forçado, finge que não é nada.

Se seu espírito falasse, o que ela te declararia? Preste atenção. Seu espírito fala de muitas e diversas maneiras. Na falta de atenção, murcha e adoece. Não sem antes ir advertindo. Espíritos advertem. A gente é que faz escutado de mercador. Finge que não compreendeu.

Os afetos são uma espécie de whatsapp corporal. O que não pode ser sentido, ela digita no corpo. No corpo, como numa tela, as mensagens vão pulando pouco a pouco.

A garganta fica aborrecida do que a gente, por desonra ou medo, não fala. O estômago queima de ira contida. A contrariedade agiliza os batimentos. O nervosismo faz a cabeça latejar. A respiração fica curta. O ar falta. O coração descompassa do tanto que sente e sufoca. São sinais, mas a gente declara:

Tem até medo de reencontrar. Não deseja ver de novo nem pintado de ouro. Aliás, pintado de ouro é que não deseja mesmo. Além dos defeitos, imagina que esquisito a criatura dourada vagando pela rua? Deus me livre!

Na quinta-feira 17 de maio a moça me escrevia aflita. era virgem, mas não tem coragem de contar ao ficante. tem desonra de ser virgem? Que sarcasmo. Veja como os tempos eram outros. Antigamente era exatamente o oposto.

– Passará.

Corre médicos, farmácias, em busca de uma vida saudável. Na ilusão de que o corpo é só uma carne com músculos. Que adoece ao acaso. Grande engano. Nenhum afeto é calado em vão. Que é preso Um afeto é revoltado. Vai se rebelar. Tentar escapar. Escondido, disfarçado de enfermidade.

Os afetos nos seguem pela vida afora. São frutos de afeições, amizades, triunfos e derrotas. Expectativas e frustrações. O ideal seria sentir, comemorar e guardar na lembrança, se for bom. Digerir, elaborar e chutar a bola para a frente quando os afetos provocarem mágoas.

A saúde do corpo não é uma situação realçada, isolada do espírito. A saúde depende diretamente do que a gente sente. Das relações que conservamo sejam elas boas ou ruins.

Doenças aparecem, faz parte do combo da vida. A enfermidade quando chega maltrata. Com sorte, servem de lição, de aprendizado. Com elas saímos melhores do que entramos. Principalmente se conseguirmos compreender a mensagem que ela traz.

Acompanho no consultório pessoas que padecem de várias maneiras. Muitas com sintomas que não aprecem em exame nenhum. Então mentem? Não. Padecem verdadeiramente. Nem sempre o afeto lesa o corpo.

Mas pode fazer com que ele trabalhe de maneira defeituosa. Não há estrago no órgão. Ele somente tem seu funcionamento modificado como alarme mencionando que alguma coisa precisa ser declarada.

A afeição eterna e perfeita é como um unicórnio. Lindo. Flutuante e irreal. Existem afeições. Nenhum perfeito. Nenhum sem obstáculos. Mais para jegue, talvez, do que para unicórnio. Mas bons, possíveis e reais. E podem te fazer bem contente. Por que, não?Aceite que dói menos.

A impossibilidade de falar do que se sentar-se é a grande causa das enfermidades todas. Tristezas, pesares, decepções, a sensação de ter sido derrotado, deixe que fluam. Sinta. Chore. Conte. Desabafe. Acalme o espírito antes que o corpo exploda.

Mônica é carioca, professora e psicóloga clínica. Expert em atendimento a crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias.

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Poesia Toda Prosa

Fonte: Extraoglobo-pt

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