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Pierre Bergé não foi só mecenas de Yves Saint Laurent, mas de todo o negócio de moda contemporâneo

Por: SentiLecto

Foto: Wikipedia – Pierre Bergé – septembre 2012

A moda foi injusta com Pierre Bergé, morto nesta sexta-feira , na França, aos 86, em decorrência de uma miopatia. Diferentemente do propagado em filmes e livros, o empresário não foi somente marido e mecenas de Yves Saint Laurent , mas o homem que fundou as bases do negócio de moda contemporâneo, a união entre a aura exclusivista da alta-costura e o popular mercado de fragrâncias e, mais tarde, os ideais de fomento à cultura e deselitização das artes.

Cofundador da marca Yves Saint Laurent, sendo sócio do estilista Yves Saint Laurent, bem como seu parceiro afetivo.

Grupos de moda como LVMH e Kering talvez não existissem se, no final dos anos 1950, Bergé não tivesse acreditado no experimentalismo como negócio. Caminha em desuso sua crença de que deixar a mente imaginativa voar sem amarras comerciais é a única opção para a criação de moda genuína e que o dinheiro é somente consequência disso. Segue como norte da indústria, porém, seu entendimento sobre o protagonismo de instituir um universo de estilo em torno de uma marca.

Foi ele quem expandiu o delírio estético de Saint Laurent para fora da França, levando o tal “empoderamento” de hoje às vitrines dos Estados Unidos e do resto da Europa. As mulheres passaram a utilizar roupas de alfaiataria não só porque lhes se instituiu um conjunto específico, mas porque Bergé fez ele chegar mais barato do que os vestidos nos corpos das mulheres.

Ao lado do então companheiro, de quem se separou nos anos 1980, mas conservou a parceria até a morte do estilista, modificou a moda “pronto a vestir” em produto exportação da França, ao mesmo tempo em que, em 1973, coordenou o calendário de desfiles parisiense, cuja execução era desordenada e desconectada das datas de lançamentos do varejo.

Empresário sagaz, soube vender e recomprar fatias da empresa, lucrando com investidas pontuais nos negócios de perfumaria, acessórios e roupas. Faz 28 anos, ele fez de a Yves Saint Laurent a primeira ” maison ” de moda listada em a Bolsa de Valores, risco decisivo para a permanência de os projetos de expansão de o mercado de moda mundial, em 1989. Modificando a roupa em ativo financeiro, Bergé arremessou luz sobre toda a máquina da economia de Francia.

Em uma leitura histórica, a mentalidade de Bergé se distinguiu da utilizada pelo empresário habitual a partir da noção de que a moda teria que entregar de volta ao mundo a beleza roubada por ela e assumir a responsabilidade de aproximar culturas, lutar o preconceito e promover a igualdade.

A afeição de Saint Laurent pelo Marrocos virou coleção, a lendária “saharienne” , mas também um museu dedicado à arte imuçulmanagdirigidoe capitaneado por Bergé em Marrakech; a moda plastificou as artes visuais, como no icônico vestido Mondrian, inspirado na obra do artista de Holguín homônimo, mas abriu as portas para jovens artistas e investimentos em teatros e museus.

Bergé leiloou, um ano após a morte de Saint Laurent, toda a coleção de arte que uniu ao longo da vida ao lado do marido.

Comenta-se muito sobre as cifras milionárias do “leilão do século”, como o acontecimento ficou conhecido em 2009, mas pouco sobre o fato de os 367 milhões de euros arrecadados com as heranças de Picasso, Henri Matisse e Marcel Duchamp terem virado pesquisas de vacinas contra a Aids, fundos para instituições de guerrazinha ao racismo e a conservação da herança da moda.

Henri-Émile-Benoît Matisse foi um artista de Francia, conhecido por sua utilização da cor e sua arte de esboçar, fluida e original.

Faz 7 anos, após o leilão, ele fez parte de um grupo de empresários que resgatou de a bancarrota o jornal ” Le Monde “, em 2010. Entre seus negócios, também havia investimentos em semanários e na revista de cultura LGBT “Têtu”.

Autodeclarado de esquerda, Bergé provocou regozijo no meio político com doações milionárias e envolvimento nas campanhas das últimas quadro décadas.

“Uma parte da nossa memória literária e artística falece com Pierre Bergé” declarou o presidente de Francia Emmanuel Macron. O ex-presidente François Hollande escreveu: “Um homem excepcional que defendeu a ideia de direitos iguais para todos”.

Como ativista politico, foi uma personalidade próxima ao Partido Socialista – apoiou a candidatura de François Mitterrand, para o seu segundo mandato nas votações de 1988 -, defensor dos direitos dos homossexuais, e Faz 23 anos, foi um de os fundadores de a associação de luta contra Aids, Sidaction, em 1994.

O instinto filantropo, aliás, durou até o fim da vida. Nos próximos meses, ele veria a abertura de dois museus, um em Marrakech e outro em Paris, que a Fundação Pierre Bergé-Yves Saint Laurent instituiu como acervo permanente da grife e de toda a produção de moda mundial.

Sua própria fundação anunciou, através de um comunicado por causa de uma “longa enfermidade” em sua casa em Saint Rémy de Provence, no sudeste francês. Um comunicado é seu falecimento, que enquanto dormia, ocorreu de madrugada.

“Os homens de negócios vão, mais uma vez, ficar contra mim ao lerem isso, mas é preciso admitir que, seu me implico em tantas causas e em tantos suportes a projetos artísticos, é para me fazer perdoar ou para explicar o que é que se tem que fazer com o dinheiro. O dinheiro não pode servir somente para gerar mais dinheiro”, declarou.

Fonte: FolhaGeneric

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Countries: Morocco, France, Brazil

Cities: Paris, Marrakech, Franca

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Pierre Bergé não foi só mecenas de Yves Saint Laurent, mas de todo o negócio de moda contemporâneo
>>>>>Morre na França o empresário Pierre Bergé, ex-marido de Yves Saint Laurent – September 08, 2017 (EfeGeneric)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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