Síndrome de burnout. Pode ser o seu caso.

Por: SentiLecto

Ela desejava ser professora. Um sonho de vida. Um objetivo a ser alcançado. Apesar dos questionamentos de todos:

– Mas professora? Ganha mal. Trabalha bastante.

Sim, era o que ela desejava. Se esforçou. Se formou. Arrumou escolas. Corre de uma para a outra sem tempo de respirar. Fins de semana e feriados? Não tem. Corrige provas. Monta aulas. Preenche diários.

A moça não se deu conta, mas ela não é mais a mesma. Caminha aborrecida. Tem obstáculo de se concentrar. Lapsos de memória. Esquece o que a fazer, o que ia falar. Vive ansiosa. Triste. Murcha. Ela se sentar-se fracassada, insegura. Parece que perdeu a esperança. Seu sonho solou.

Na sua vez, joãozinho rói as unhas. As rebarbas machucaram a pobre perereca. Houve reclamações. Fora isso? Foi bom? Pintos e pererecas não servem só para fazer xixi. Vejam só, eles dão prazer. E que prazer descobrir isso, né?

Na quinta-feira 16 de maio ele havia entrado no perfil da criatura. estava lá a idade estado civil. A idade é ofício. Casada. Para quem não desejava confusão, melhor é procurar outra vítima para agredi. Não? Não. Se era casada, era o que ele desejava.

De tão exausta, já prefere não sair. Uma fadiga de corpo e de espírito. Sabe um espírito cansado? É a dela. Lazer? Não tem. Fica em casa, largada. Tentando se recuperar, mas não adianta.

Estudantes difíceis. Falta de suporte da direção. Escolas caindo. Pais sem noção fazendo pré-requisito e dando razão aos filhos reizinhos. Se sente impotente. Seria incompetente? Esse não era o recheio do sonho que ela tinha tido.

A musiquinha do Fantástico, domingo à noite, quase lhe faz chorar. Segunda chegando, tudo velho de novo. Vontade é de desaparecer. Se esconder. Buscar uma saída. Sei lá.

Sua bolsa, antes, tinha batom, rímel. Hoje? Medicamentos para dor. A moça virou uma Maria das dores. A cabeça dói toda semana. A barriga também. Um nervosismo no pescoço.

A voz que desaparece. Uma azia que não passa. O estomago dói. O sono não lhe obedece. Tem dias que perde o apetite de tanta agonia.

Dias que come como um poço sem fundo, pela mesma razão. Não passa uma semana sem uma dor em algum lugar. Seus músculos doem de tanto nervosismo. A pressão que sobe dentro e fora dela já não têm mais controle. Tem horas que seu coração dispara. Parece que vai falecer.

Desesperada, ela busca médicos e emergências de clínicas. Se a examina . É medicada. Como se o corpo fosse de boneca. Como se os afetos não afetassem o corpo. Como se fosse tudo separado. Não é.

O corpo fala o que a gente sente e não declara. O que o espírito cala, não desaparece. Dói no corpo. A dor corporal é um pedido de ajudinha. O sinal de que é hora de rever atitudes, relações, dinâmicas.

Trabalhos exigem dedicação. Em muitas companhias, funcionário bom é funcionário escravo. Pau para toda obra. Com hora de entrar. Sem hora de sair. Aquele que leva trabalho para casa. Cuja último vocábulo é sempre: sim, senhor.

Esse trabalhador é bom para quem? Para a família não é. Falta tempo. Falta dedicação. Falta energia. Falta disposição. Para os amigos? A mesma coisa. Para o lazer? Para a santa preguiça? Nada. Ele para de existir para si mesmo.

A dor é no corpo, mas a causa é do espírito. Excesso de nervosismo e estresse provocados pelas pré-requisito sádicas do dia a dia. A síndrome do burnout não seleciona cor classe social. Cor é raça. Não seleciona ofício, empregados ou desempregados, chefes ou empresários.

O que leva a pessoa a chegar a esse ponto? Muitos fatores. O medo de perder o emprego é um fator de peso. Afinal estamos em tempos de crise. Lojas fechadas em todos os quarteirões.

Outro fator, o obstáculo de declarar não. De se colocar de maneira assertiva e educada. De colocar limites. De saber seus próprios limites. De não se deixar buscar.

A mania de perfeição também pode ser um item importante. A competitividade. A pré-requisito de ter que dar o melhor o tempo todo. De ser O mais eficiente. O funcionário do mês. Pode levar a gente a sair atropelando tudo. Ignorando tudo e todos.

Pode-se pensar também na tentativa de preencher um vazio. Como se esse tanto de trabalho fosse tampar esse buraco que a gente, às vezes, tem naoaespírito Uma sensação de não valer nada. Uma falta de desejos. De tesão pela vida.

Burnout é um vocábulo de Inglaterra. Burnout é uma chama que queima arruinando o que era completo. Modificando em cinzas o que era vivo. Acabando com a segurança, autoestima e energia de quem está passando por esse síndrome.

A psicoterapia entra como maneira de repensar o que está interferindo na sua vida. Suas obstáculos nas relações. O que está te adoecendo. Que dinâmica é essa que te mata pouco a pouco detonando sua saúde física e mental.

Redefina prioridades. A vida precisa ser bem recheada. De amigos, afeições, lazer, viagens, músicas, danças. De tudo o que se deseja. É preciso voar, querer, plantar sonhos. Ter tempo para ficar na preguiça de meia e pijama velhinho.

É preciso elucidar porque angustia. Por que não ganharam? Por que uns têm pinto e outros não? Não ganharam? Ou ganharam e perderam? Cortaram? Quem cortou? Doeu quando caiu?

Tempo de olhar para o céu. Sem deixar passar o dia sem saber se fez sol ou chuva. Trabalhar é bom. No que se gosta, melhor ainda, mas viver é mais que isso. Inove. Institua. Faça diferente. Vida exige coragem e dedicação. Ao trabalho? Sim. Ao tesão principalmente. Surpeenda-se.

Mônica é carioca, professora e psicóloga clínica. Expert em atendimento a crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias. Perita judicial.

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Poesia Toda Prosa

Fonte: Extraoglobo-pt

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Síndrome de burnout. Pode ser o seu caso.
>>>>>Saiba como agir com as crianças diante da curiosidade com o corpo – (Extraoglobo-pt)

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