Eleita a 1ª deputada indígena brasileira, Wapichana promete ser resistência

Por: SentiLecto

Lutar as “ameaças” aos direitos dos povos indígenas vai ser um dos principais desafios de Joênia Wapichana, a primeira mulher indígena na história a ser eleita para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

A adoção do sobrenome Wapichana é uma homenagem ao nome de seu povo indígena. Joênia Batista de Carvalho foi também a primeira mulher indígena graduada em uma faculdade de Direito no Brasil e estudou na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

Disse: “A informação que temos é que no Brasil houve bastante movimento de desinformação debatida, alguns com formatos jornalísticos falsos e outras com formatos mais difíceis de classificar como ‘memes’, notícias em formatos simplistas e outras espécies”.

Na quarta-feira 26 de setembro a Proteste havia publicado um comunicado para ajudar os clientes da fabricante de câmeras e produtos fotográficos Nikon, que havia anunciado recentemente o fim das suas atividades no Brasil.

A deputada eleita pela Rede Sustentabilidade é a segunda indígena a chegar à Câmara, depois de Mário Juruna, eleito em 1982 nas primeiras evotaçõesparlamentares com voto popular direto depois do golpe militar de 1964.

Wapichana explicou: “Essa candidatura chega em um momento bastante delicado e necessário para se trabalhar na defesa da garantia dos direitos constitucionais diante das várias propostas opostas aos povos indígenas que tramitam na Câmara”.

Advogada, a agora deputada acumula uma série de triunfos ao longo da vida: em 1997, foi a primeira mulher indígena a se graduar em uma faculdade de Direito brasileira, depois se tornou mestre em Direito Internacional pela Universidade do Arizona.

Referência na luta pelos direitos indígenas dentro e fora do país, Wapichana não se “imaginava na carreira política”, mas neste ano decidiu aceitar um convite do Conselho Indígena de Roraima .

Contou: “Aceitei participar porque percebi que a minha contribuição como defensora dos direitos indígenas seria essencial para adicionar na defesa de nossas lideranças, acreditava que era o momento correto”. Wapichana, que realça a oposição aos interesses da bancada ruralista, como a extração mineral, a exploração e a utilização de terras indígenas por terceiros e a falta de inclusão das comunidades na discussão sobre os seus próprios territórios, se declara “inquietada” com o “delicado momento” que o Brasil cruza e garante que seu trabalho “vai ser difícil , mas não inimaginável”.

Segundo dados do Conselho Indigenista Missionário, atualmente há 33 projetos contra os direitos indígenas tramitando no Congresso Nacional, e Embora sejam um direito original garantido na Constituição de 1988, 17 deles buscam a mudança nos processos de demarcação de terras indígenas.

Outra bandeira primordial da deputada vai ser a “desmistificação” de pontos cruciais na hora de compreender o que é a demarcação de terras indígenas, já que “muitos não compreendem esse processo na sua totalidade”.

“É preciso desmistificar situações, pois tem gente que alega que é muita terra para pouco índio, que o índio ameaça a segurança nacional, ameaça a economia de um estado. Já vimos no passado que não é assim”, evidenciou Wapichana.

Enquanto pelo menos outras duas centenas de terrenos tropeçaram em obstáculos jurídicos, segundo a Fundação Nacional do Índio , o Brasil conta atualmente com 436 terras indígenas regularizadas, o que encarna 12% do território nacional e aguardam uma resolução do governo. Wapichana pretende informar a sociedade sobre “o valor desses territórios para os índios”.

Nesse sentido, ele alegou que as “fake news” ou “notícias falsas” é um fenômeno “bastante novo”, com poucos anos de descobrimento, por isso acreditar ser “é difícil” avaliar o efeito que elas têm na sociedade.

A advogada explicou: “As populações indígenas necessitam uma demarcação consoante com o estabelecido na Constituição e que respeite sua sobrevivência física e cultural, sua economia, a conservação do meio ambiente, assim como todo o seu resguardo espiritual”.

“Eu vou fazer utilização da minha experiência como advogada, como defensora dos direitos indígenas e como militante dos direitos sociais. E utilizarei tudo o que for possível dentro dos meios legais para conter esses absurdos que podem vir a se concretizar”, argumentou.

Fonte: EfeGeneric

Sentiment score: POSITIVE

Countries: United States, Brazil

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Eleita a 1ª deputada indígena brasileira, Wapichana promete ser resistência
>>>>>CIDH diz que no Brasil houve “desinformação deliberada” em campanha política – October 17, 2018 (EfeGeneric)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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