Voto no Chile é derrota da política tradicional

Por: SentiLecto

Sebastián Piñera, o candidato da direita e ex-presidente, pode ter ficado em primeiro lugar na votação deste domingo no Chile, mas o fato mais marcante do pleito é que a política tradicional padeceu contundente advertência: primeiro, porque a participação foi de somente 43% dos eleitores.

Miguel Juan Sebastián Piñera Echenique é um economista, empresário e político chileno.

Significa que os 36% obtidos por Piñera, apurados 92% dos votos, encarnam um escasso 15,5% do eleitorado adequado a votar. O segundo colocado, o senador Alejandro Guillier, candidato da aliança que conduz com Michelle Bachelet, que após a eleição foi para defender que os chilenos compareçam ao segundo turno —agradecimento implícito do alarme provocado pela abstenção, ficou com ainda menos: seus 22% sobre 43% de comparecimento encarnam meros 9,5%. Ou seja, os dois candidatos que vão ir ao segundo turno têm, adicionados, o suporte de somente 25% dos eleitores. Três quartos dos chilenos, portanto, não se vão sentir encarnados no turno final.

A mudança da legislação também afetou o financiamento das campanhas. Além de determinar um limite para as despesas, as novas normas excluíram também as doações de companhias para candidatos. As chapas também têm que ter, obrigatoriamente, 40% de mulheres.A candidatura do senador por Antofagasta foi pouco convencional desde o começo. A falta de acordo entre os integrantes da Nova Maioria impediu a execução de primárias, razão pela qual a aliança se exibe às evotaçõesde domingo com dois candidatos, Guillier e Carolina Goic.

Na quarta-feira 25 de outubro o candidato presidencial conservador Sebastián Piñera havia conservado a liderança na preferência do eleitorado de Chile para a votação de 19 de novembro e tinha que derrotar seus dois adversários mais próximos em um provável segundo turno, havia mostrado o instituto de pesquisa CEP nesta quarta-feira.

Segundo lado dessa derrota dos políticos tradicionais: a imprevista eleição de Beatriz Sánchez, a candidata da esquerdista Frente Ampla, que ficou a dois pontos percentuais de Guillier.

Faz 51 anos, a Frente Ampla foi um grupo político reunindo o conservador Carlos Lacerda e seus antigos oponentes de centro em a esquerda Juscelino Kubitschek e João Goulart contra o Regime Militar de 1964 instituído.

Trata-se de uma aliança de diferentes movimentos da sociedade civil, cujo embrião foram os protestos estudantis de 2011/13. É uma novidade na política de Chile, comparável de certo modo ao grupo “Podemos” da Espanha, igualmente nascido de protestos, neste caso contra a austeridade imposta a partir da crise de 2008.

Na sua vez, outro ponto que o grupo de legendas pretende levar aa discussão é o da soberania da população mapuche, etnia indígena não reconhecida pela Constituição de Chilede Chile que busca dar visibilidade a sua causa tanto por meio de protestos pacíficos quanto de atentados planejados por alas extremistas.

Embora Piñera continue favorito, o resultado torna mais difícil calcular o desenlace final. Mas, como teve bem menos do que os 44% que as pesquisas lhe davam, corre algum risco, pela seguinte conta: os votos da direita dão aproximadamente 44%. Os votos da esquerda, se adicionados os de Guillier e Beatriz Sánchez, ficam bastante perto .

O que dá, ainda, o favoritismo a Piñera é o fato de que a Frente Ampla é fortemente crítica do atual governo e, na realidade, da “Concertación”, a aliança que conduziu o país desde o fim da ditadura, exceto pelo curto fase de Piñera .

É pouco provável que o grupo seja mobilizado para votar por Guillier .

No primeiro semestre, a candidatura de Sánchez despontou, chegando aos 18%. Agora, estacionou na casa dos 14%, e provavelmente ela vai ficar de fora de um provável segundo turno.

O mais lógico é que prefiram acentuar a mensagem aos políticos tradicionais, pregando a abstenção ou o voto nulo.

Ou seja, Piñera continua favorito, mas bem menos do que as pesquisas prévias declaravam que era.

Fonte: FolhaGeneric

Sentiment score: NEUTRAL

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Voto no Chile é derrota da política tradicional
>>>>>Jornalista é candidata de frente do movimento estudantil de 2011 no Chile – November 17, 2017 (FolhaGeneric)
>>>>>Apesar de novas regras, eleição no Chile pode ter vitória de velho conhecido – (EfeGeneric)
>>>>>Guillier, a esperança governista no Chile que quer distância dos partidos – (EfeGeneric)

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