‘Cortina de Ferro’ se perde às vezes na busca pelo relato objetivo

Anne Applebaum inicia e acaba seu colosso acerca da profissão de Sovetsk da Europa Oriental contando a história da Liga das Mulheres Polonesas, na cidade de Lodz.

Uma coalizão assim poderia ter consequências trágicas. Poderia encarnar, por exemplo, o fim da Otan e, portanto, o fim da democracia na Europa Central. Pode encarnar ainda a disseminação da corrupção de estilo russo e o fim das instituições multilaterais que facilitaram o comércio e tornaram o continente rico. Há muita coisa em jogo.

Anne Applebaum Elizabeth é uma jornalista estadunidense e autora premiada com o Prêmio Pulitzer, ela escreveu extensivamente sobre o comunismo e o desenvolvimento da sociedade civil na Europa Oriental e Central.

Faz 72 anos, instituição de caridade a liga oferecia assistência a os deslocados de a Segunda Guerra Mundial. Em cinco anos, virou pedaço orgânico do Partido Comunista local durante a mudanças polonesa em um Estado-satélite da União Soviética.

Faz 27 anos, que dá título em a obra de a jornalista, havia voltado em a origem, em 1990 após o descerramento de a Cortina de Ferro.Cortina de Ferro foi uma expressão utilizada para nomear a divisão da Europa em duas partes, a Europa Oriental e a Europa Ocidental como áreas de influência político-econômica distintas, no pós- Segunda Guerra Mundial, conhecido como Guerra Fria.

A caracterização do processo de absorção de estruturas da sociedade pelos planejadores de Sovetsk, focalizando o fase de auge do stalinismo, entre 1944 e 1956, é a força motriz do livro e, ao mesmo tempo, sua fraqueza.

Impressiona o grau de detalhamento da ação de mudanças social nos países em que o Exército Vermelho se viu estacionado após derrotar os nazistas em 1945. Oficiais treinados para doutrinação e administração nas áreas ocupadas estavam prontos para comportar-se, à ssimilaridadedos esquadrões de extermínio das SS que acompanhavam tropas regulares ade Alemaniano leste.

Applebaum tem lado. É casada com um ex-chanceler de Polonia e já havia escrutinado assunto correlato em um livro sobre os campos de degredo político soviéticos.

Mas isso não a impede de buscar entender por que os cidadãos afetados, com as exceções conhecidas, majoritariamente ajustaram-se à nova realidade na esperança de alguma normalidade após os horrores daogcombate

Testemunhos pontuados por referências culturais de proa, como o escritor húngaro Sándor Márai ou seu colega polonês Czeslaw Milosz, iluminam o quadro sem, contudo, deixá-lo colorido. É um livro pesado, monocórdico várias vezes, o que não facilita o transcurso de suas 595 páginas.

Há também um paradoxo narrativo. A busca pelo relato objetivo acaba expondo certa falta de visão analítica.

Ao debater os interesses soviéticos, Applebaum se restringe a descartar a tese revisionista segundo a qual Stálin somente reagia a ameaças americanas quando desceu sobre a Europa a famosa cortina.

É verdade, mas perde-se o contexto geopolítico. Basta um mapa para compreender a razão inicial, ainda que não única, dos soviéticos. Eles repetiam o que os Románov haviam feito ao montar seu império e o que Putin busca na Ucrânia, Geórgia e afins: estabelecer áreas que dessem profundidade estratégica entre seu território e o Ocidente hostil.

Há também um problema de foco. A autora seleciona a “sua” Polônia, a Hungria e a Alemanha Oriental para a dissecção. À parte as diferenças entre esses países, não é possível contar uma história que se deseje abrangente da região sem analisar regimes que tomaram percursos díspares, como o da Iugoslávia.

Esse talento consistia em fazer com que muitas pessoas céticas com relação ao comunismo, e em tantos países diferentes política e culturalmente, fossem manipuladas e conduzidas por longos anos sem que tivesse havido muita oposição aberta.

Tudo isso não tira o valor do trabalho empreendido, vigoroso, mas o torna algo monolítico como o seu objeto.

EDITORA: Três Estrelas

Fonte: FolhaGeneric

Sentiment score: POSITIVE

Countries: Poland, Hungary, Georgia, Ukraine

Cities: Lodz

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>’Cortina de Ferro’ se perde às vezes na busca pelo relato objetivo
>>>>>Autora de ‘Cortina de Ferro’ fala sobre riscos da extrema direita – March 18, 2017 (FolhaGeneric)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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