Mudança é aposta arriscada para o negócio da rede social

Por: SentiLecto

Imagine um magnata dos biscoitos. Ele descobriu uma forma de ganhar muito dinheiro distribuindo o produto de graça, e em menos de uma década instituiu um império.

As chamadas fake news envolvem política e dinheiro sujo. Significam colocar Donald Trump na Casa Branca. Transportam seus executivos para comitês parlamentares de inquérito. Atraem policiais, procuradores e juízes. É compreensível que o Facebook deseje distância de toda essa péssima fama.

Na terça-feira 19 de dezembro o Escritório Federal de Defesa da Concorrência na Alemanha havia divulgado um relatório preliminar no qual considerava que a empresa de America Facebook estava “abusando de sua posição dominante” no “mercado de Alemania de redes sociais”.

Mas de repente seu reino começa a desmoronar. Cientistas estão inquietados por as pessoas estarem comendo biscoitos demais e declaram que elas estão adoecendo por isso. O vício em biscoitos pode até ter auxiliado um governo estrangeiro a influir uma votação, no país do magnata dos biscoitos.

E por isso o magnata decide fazer alguma coisa. Convida seus melhores confeiteiros e lhes declara que a partir daquele dia eles não devem mais se inquietar só com distribuir o maior número possível de biscoitos gratuitos e estufar as barrigas das pessoas. Declara que agora vai adotar uma abordagem holística para a experiência dos biscoitos.

O objetivo é que as pessoas comam alguns biscoitos, mas não demais, e por isso vai ser preciso torná-los menos viciantes e mais expressivoss”. Talvez seja necessário colocar cenouras, couve e brócolis nos biscoitos.

Que espécie de fabricante desejaria que os consumidores comam menos biscoitos? Aparentemente, o Facebook.

Na quinta , como parte de seus esforços para fazer da rede social uma força que trabalhe para o bem, Mark Zuckerberg anunciou que o Facebook vai realizar mudanças expressivas em seu feed de notícias, que vai passar a priorizar posts que provoquem o que a rede define como “interações expressivas” com amigos e parentes e diminuirá a prioridade de coisas como artigos e vídeos noticiosos, que, segundo a companhia, encorajam as pessoas a percorrer passivamente a tela do feed.

O que a plataforma fez nos últimos tempos foram coisas que, apesar dos holofotes, têm consequência diminuída. São bandeirinhas para mencionar notícias questionáveis, cursos sobre o protagonismo da imprensa, anúncios explicando onde mora o perigo.

O esforço parece útil, e até mesmo nobre, se considerarmos que Zuckerberg admitiu que a mudança não beneficiaria os seus negócios, pelo menos em curto prazo. Mas, se você pensar no negócio principal do Facebook como a distribuição de biscoitos gratuitos, e não como operar uma rede social, os obstáculos do plano se tornam evidentes.

Vai ser, se as pessoas não costumam gostar de biscoitos saudáveis que desejam mesmo um Facebook mais expressivo? Não é fato que aquilo que fez com que nos viciássemos no Facebook é a indignação fácil que ele propicia. Mas, se ele quer mesmo fazer com que o tempo que passamos no Facebook seja mais positivo, suspeito que o Facebook deverá mudar bastante mais radicalmente do que seu líder nos revelou. Não bastará que se torne um fornecedor de biscoitos um pouco mais saudáveis; pode ser necessário que abandone de vez o negócio do açúcar. E o que ocorre a todos aqueles bilhões em futuros lucros, nesse caso?

Também há dúvidas sobre quais serão os critérios de “conteúdo expressivo” da empresa. Para o professor Jeff Jarvis, o movimento corre o risco de incentivar um “commentbait”, ou “caça-comentários”, com a proliferação de materiais com observações odiosas.Tradução de PAULO MIGLIACCI

O que o Facebook não pode calcular é como o mundo vai reagir.

Zuckerberg é renomado por ser um competidor feroz e impiedoso. Duvido que conserve sua resolução, se os negócios começarem a padecer por causa do feed mais saudável.

Os usuários desejam biscoitos, e não brócolis. É difícil ver de que forma isso poderia mudar agora.

Fonte: FolhaGeneric

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Mudança é aposta arriscada para o negócio da rede social
>>>>>Câncer social, Facebook corta na própria carne – January 13, 2018 (FolhaGeneric)
>>>>>Mudança no Facebook terá efeito “arca de Noé”, dizem analistas – (FolhaGeneric)
>>>>>Mudança no feed do Facebook já foi experimentada em seis países – (FolhaGeneric)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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