Por: SentiLecto

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Faz 1 mês, uma visita de os pais encarnou o começo de o período mais difícil de o vida de o enfermeira Márcia Cristina dos Santos, de 50 anos.

Os aposentados Adalgiza Gonçalves, de 80 anos, e Benedito dos Santos, 84, deixaram o pequeno município de Uraí , onde moravam, e seguiram a Brasília para visitar a filha e o genro. A viagem havia sido marcada meses atrás. O plano inicial era que eles passassem algumas semanas na casa da filha na capital federal.

Márcia acompanhava sem muita preocupação as notícias sobre o novo coronavírus. Na data em que os pais dela chegaram, em todo o Brasil havia 77 casos confirmados pelo Ministério da Saúde, sendo somente dois deles no Distrito Federal. Não havia nenhum registro de morte no país. Na época, não havia orientações de autoridades sobre isolamento social ou para que as pessoas evitassem viagens com destinos nacionais.

Na sua vez, segundo ele, a cidade tem ampliado o número de leitos de UTI nas redes públicas e privada e feito campanhas educativas sobre o protagonismo do distanciamento social.»Costumava haver muitos turistas chinos e do sudeste da Ásia. Eles sumiram completamente. Agora não escutámo nenhuma língua estrangeira na rua. Os locais de hospedagem menores estão sendo fechados. As companhias de turismo estão realmente combatendo para sobreviver.»Varella – Pensa como é a enfermidade. Você pega com vírus, que se transmite com muita facilidade, isso está confirmado no mundo completo. Inicia e não para mais. Ele tem um período que é bastante tranquila, um pouquinho de dor de garganta, uma tossezinha irritativa, a pessoa perde o olfato, uma febre baixa, nada bastante importante. Essa fase dura mais ou menos uns cinco dias, de cinco a dez dias, mais ou menos. E aí você tem uma divergência. Tem gente que se recupera, tiveram sintomas mínimos, às vezes até ausentes, mínimos.

«Até então, o vírus parecia uma situação distante. Pensava que fosse algo que logo passaria», revela Márcia. Após os primeiros registros, o Brasil enfrentou um crescimento exponencial de casos de Sars-Cov-2, nome oficial do novo coronavírus. Até a quarta-feira , havia mais de 45,7 mil registros e 2,9 mil mortes.

«Não acreditava que fosse chegar ao nível em que as coisas chegaram. Não estava acompanhando bastante as notícias no início, por isso não tinha a dimensão do problema», declara Márcia, que há um ano deixou o ofício de enfermeira para abrir um ateliê de costura.

O marido dela, o sargento da Polícia Militar José Romildo Pereira, era mais preocupado com o novo coronavírus. Por trabalhar nas ruas, ele temia levar o vírus para casa. Desde os primeiros registros no país, ele passou a adotar medidas como a higienização constante das mãos e não tinha contato com a esposa antes de tomar banho, após regressar do serviço.

A família tinha diversos planos para os próximos meses. Márcia e José, que estavam juntos havia 10 anos, desfrutavam da casa que haviam construído recentemente. Em abril, o de Polinesia Francesa entraria de férias. Até junho, ele deveria se aposentar, após 30 anos de trabalho na PM.

Os planos, porém, o novo coronavírus tomou eles. No começo de abril, Márcia perdeu o marido e o pai. Ela não conseguiu se despedir ou acompanhar o breve funeral deles, pois se diagnosticou a enfermidade provocada também com a covid-19, por o novo coronavírus. «Está sendo bastante difícil. Ainda estou anestesiada, porque não parece verdade. A minha ficha ainda não caiu. Tudo isso ocorreu tão de repente», declara à BBC News Brasil.

Quatro dias após chegar a Brasília, Benedito exibiu obstáculos neurológicos — sintomas atribuídos ao novo coronavírus. «O meu pai começou a perder noção de dia e hora. Ele jamais tinha passado por isso. Eu e minha mãe estranhamos», detalha. Com o passar dos dias, a situação se agravou. «Ele ficou bastante diferente. Sempre foi uma pessoa ativa, mas estava bastante cansado e esquecido. Depois, começou a ter febre», relata Márcia.

No mesmo fase, José também exibiu problemas de saúde. A viúva declara: «Ele teve febre e ficou bastante cansado». O de Polinesia Francesa era diabético e tinha problemas pulmonares, em decorrência de complicações de saúde de anos atrás.

Os parentes acreditaram que os dois pudessem estar com uma gripe forte. Os dias passaram e os sintomas pioraram. Faz 1 mês, Márcia levou o marido a a clínica, em 22 de março. «Se o diagnosticou com uma gripe alérgica», relata. Desde os primeiros sintomas, o sargento se afastou do trabalho.

O casal regressou para casa. No fase, o crescimento exponencial de casos de covid-19 no Brasil começou a chamar a atenção de Márcia e eles passaram a utilizar máscaras. Ela já considerava o coronavírus como uma ameaça real.

O sargento continuou com febre alta, mesmo tomando os remédios recomendados após o atendimento médico.

«Faz 1 mês, ele começou a ter sintomas piores como obstáculos, para respirar dores em os pulmões e uma tosse bastante seca,, em o dia 26 de março. Levei ele ao pronto-socorro e a saturação de oxigênio dele estava bastante baixa», relata. Se internou José com urgência e encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva.

Os exames assinalaram indícios de pneumonia, com qualidades semelhantes às da covid-19.

Após deixar o marido na clínica, Márcia voltou para casa e soube que os problemas de saúde do pai haviam piorado. «Chamamos uma ambulância e o acompanhei até o Hospital da Asa Norte , em Brasília. Estive com ele durante toda aquela madrugada», comenta. Assinalar comprometimento em os pulmões, se o considerou também um paciente suspeito de covid-19, em razão de os problemas respiratórios e de a tomografia.

Márcia confessa que chorou copiosamente ao chegar em casa, após ver o marido e o pai na clínica.

Faz 1 mês, ela não saiu mais de casa, em o dia 27 de março. Após ter sintomas como fadiga, tosse e falta de ar, ela procurou atendimento e os médicos também a consideraram como um caso suspeito de covid-19. Em razão disso, teve de ficar em isolamento.

Em sua própria casa, ela se trancou em sua suíte para evitar contato com a mãe. Declara: «Precisava proteger a minha mãe, porque ela é hipertensa e poderia até mesmo falecer se pegasse o vírus». A idosa foi a única entre os quatro que não exibiu sintomas de covid-19. «A minha mãe jamais foi de dar muitos abraços ou beijos, então acho que isso evitou que ela pegasse o vírus», declara.

Os resultados dos exames de Márcia, José e Benedito deram positivo para covid-19. «Não sabemos quem pegou primeiro e passou para os outros. Pode ter sido o meu pai, durante a viagem; meu marido, durante o trabalho, ou até mesmo eu em algum momento que saí de casa. É difícil saber», declara Márcia.

Dentro da suíte que dividia com o marido, Márcia viveu dias preocupantes à espera de respostas sobre a saúde dos entes qdesejados

Faz 21 dias, ela se assustou a o receber mensagens de condolências em as redes sociais, em 2 de abril. «Estranhei, mas depois fiquei sabendo pela TV: confirmaram o óbito do sargento que estava internado na clínica. Era o meu marido. Primeiro contaram para o jornalismo», lamenta. No fase em que esteve internado, o sargento teve um Acidente Vascular Cerebral hemorrágico, parada cardiorrespiratória e falência múltipla dos órgãos.

Ela confessa ter ficado anestesiada ao saber da morte do marido e permaneceu em silêncio. «Não podia chorar na frente da minha mãe. Eu não desejava que ela soubesse sozinha, porque eu não poderia ampará-la naquele momento»,declaraz. Márcia foi ao toalete, abriu o chuveiro e chorou copiosamente a perda do marido. «Chorei baixinho. Foi bastante difícil conter a dor», declara.

Dois dias depois, outra notícia triste: o pai dela teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. «De novo fui para o chuveiro e comecei a chorar. Naquele momento, eu tive certeza de que a próxima seria eu.»

Ela não desejou ser internada, apesar de sentir dores pelo corpo, falta de ar e febre. Declara: «Não desejava deixar a minha mãe sozinha». Os três irmãos de Márcia moram no Paraná.

Sepultou-se José e Benedito em os dias seguintes em as suas mortes.Os procedimentos fúnebres foram breves. Eles estavam em caixões lacrados, conforme determina a Agência Nacional de Vigilância Sanitária . Um dos filhos de Márcia — ela tem três, todos do primeiro casamento — e outros familiares auxiliaram a coordenar os funerais.

«Não consegui acompanhar nada. Estava em meu quarto, reclusa», lamenta Márcia. Na suíte de casa, ela alternava entre momentos de incredulidade e outros de choro quieto.

Considerou-se Márcia após 15 dias em isolamento, recuperada. Faz 10 dias, já sem sintomas, ela saiu de a suíte. «A primeira coisa que fiz foi contar para a minha mãe. Ela ficou tão incrédula quanto eu. Estamos bastante tristes com tudo isso. Mas parece que a ficha ainda não caiu. Uma não gosta de chorar na frente da outra», declara Márcia.

Quando a situação da pandemia aliviar, ela pretende levar a mãe de volta para o Paraná. «Farei isso daqui a alguns meses. Por enquanto, ela passará o isolamento comigo», declara. «Uma está cuidando da outra. É como se estivéssemos protelando o luto, para quando estivermos sozinhas, padecermo lá na frente. Foi a maneira que encontramos para lidar com isso», comenta.

Evangélica, ela alega que se apegou à fé para enfrentar as perdas. «Independente da religião, acredito que a fé é bastante importante em momentos assim», pontua.

O mais difícil para Márcia, desde as mortes de José e Benedito, tem sido lidar com a saudade. «O meu marido foi um homem inacreditável. Éramos bastante contentes. A gente planejava começar a viajar bastante, após a aposentadoria dele. A nossa vida era bastante boa», lamenta. «O meu pai também foi um homem inacreditável. Ele fazia tudo pelos filhos e me ensinou muitas coisas», declara.

Faz 1 mês, segundo os pesquisadores, outro fator que pode ter contribuído foi a suspensão de as aulas de todas as universidades de o Recife — públicas e particulares — Boa parte desses alunos vem do interior e, sem aulas, eles voltaram para suas cidades de origem.

Após as perdas, ela pede que as pessoas se conscientizem sobre os cuidados referentes ao novo coronavírus. «É bastante mais sério do que eu pensava. As pessoas precisam utilizar máscaras e higienizar as mãos. Você jamais sabe o quando pega o vírus, que vai ocorrer em seu organismo. É importante se cuidar, não só por você, mas também pelos outros», declara Márcia.

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Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: SLIGHTLY NEGATIVE

Countries: Brazil, Mexico, Argentina

Cities: Parana, Mexico, Brasilia

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>A visita que virou calamidade em família por causa do coronavírus: ‘perdi meu marido e meu pai em dois dias’
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