Por: SentiLecto

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O futuro da ajudinha emergencial, criada para proteger a renda de parte da população durante a pandemia do coronavírus, tem dividido opiniões — dentro e fora do governo. E a discussão tem se intensificado conforme o prazo da vantagem se aproxima: de acordo com as normas vigentes, a ajudinha paga a mais de 65 milhões de brasileiros conclui em agosto.

Inicialmente, o governo pretendia pagar R$ 200, mas o Congresso aumentou a vantagem para R$ 600. Anunciou-se a ajudinha com duração de três meses, a ser trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados que satisfazem determinadas exigências, como renda familiar per capita de até meio salário mínimo de até três salários mínimos . pago a ou com renda total de até três salários mínimos . Faz 1 mês, o governo anunciou prorrogação por mais dois meses, em julho.

A venda dos Correios, por exemplo, levaria no mínimo dois anos até ser concretizada.

Faz 1 mês, com base em preconceitos, a sociedade desejava definir qual pobre merecia receber ajudinha de o Estado segundo a avaliação de a socióloga Letícia Bartholo, expert em programas de transferência de renda,, em o domingo 19 de julho. era aí, declarava a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada , que moravam as armadilhas da discussão sobre programas de guerrazinha à pobreza.

Agora o governo precisa decidir se vai prorrogá-lo novamente — e, se sim, em quais condições.

E é aí que está em jogo, de um lado, a prorrogação de uma vantagem que tem sido elogiado até por alguns críticos do governo como importante ferramenta para lutar de maneira imediata conseqüência econômicos da pandemia e, de outro, a bandeira que Jair Bolsonaro ergueu durante a campanha presidencial de 2018: o liberalismo econômico, personificado em Paulo Guedes.

Foi a promessa de diminuir a participação do Estado na economia e de promover ajustes nas contas públicas que garantiu ao então candidato Jair Bolsonaro o suporte do grande empresariado. Ele garantia que a economia estava nas mãos de Guedes, embora Bolsonaro não tivesse histórico de defender essas medidas.

E desde então o dispositivo calculado para durar duas décadas é alvo de disputa no Executivo e no Legislativo.

Agora, economistas alinhados com esse pensamento liberal têm criticado a chance de prorrogação da vantagem, sob o argumento de que não há espaço fiscal.

O preço mensal do programa é de cerca de R$ 50 bilhões. Nos cinco meses concluídos em agosto, portanto, o gasto supera R$ 250 bilhões. Para ter uma dimensão, o valor é mais que o dobro do déficit primário registrado em 2019, que foi de R$ 95 bilhões.

A dança em torno da agenda liberal teve novos passos na última semana.

Guedes chegou a falar em impeachment na terça-feira , ao defender o telhado de gastos, norma que restringe o crescimento dos gastos da União. O ministro declarou que os auxiliares que aconselham o presidente a «furar» a norma do telhado de gastos estão levando o presidente para uma zona de impeachment.

Outro movimento foi a saída de mais dois nomes importantes da equipe de Guedes — Salim Mattar, secretário especial de desestatização, e Paulo Uebel, culpado pela secretaria especial de desburocratização —, que o ministro batizou de «debandada».

O desembarque de funcionários insatisfeitos marca uma virada na postura econômica do governo, segundo analistas, de uma agenda liberal para um percurso com maior atuação estatal e personalidade populista.

Depois, Bolsonaro deu sinais trocados sobre o assunto. Na quinta-feira , ele defendeu a manutenção do telhado de gastos, depois de se reunir com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre , e da Câmara, Rodrigo Maia .

No entanto, Bolsonaro também declarou, em transmissão ao vivo, que Guedes tem 99,9% de poder sobre os assuntos da sua pasta.

Ela ressalva, no entanto, que regionaliza-se esse fenômeno e não pode ser observado de maneira homogênea entre todas as periferias brasileiras. As zonas mais carentes do Nordeste, onde o lulismo é mais forte, precisam ser acompanhadas com mais atenção, adiciona.Segundo um balanço pelo próprio Mattar no começo de agosto, operações de «desestatização e desinvestimento» no governo Bolsonaro geraram, por enquanto, R$ 134,9 bilhões.

«A questão da economia, o Paulo Guedes, é 99,9% com ele. Tenho que ter 0,1% de poder veto. O telhado é o telhado, certo? O piso sobe anualmente e cada vez mais você tem menos recursos para fazer alguma coisa», afirmou Bolsonaro.

«A ideia de furar telhado existe, o pessoal discussão, qual é a problema?», declarou Depois

Outra linha defende que o telhado de gastos não é mais importante que conservar proteção à população mais vulnerável. Para esse grupo, é função do Estado proteger a população mais pobre, especialmente num momento em que a pandemia de coronavírus afeta o mundo completo, inclusive com sérios efeitos na economia.

Nessa linha de raciocínio, o alto índice de informalidade no mercado de trabalho de Brasil é mais uma justificação para a necessidade de o Estado comportar-se neste momento, já que boa parte da população fica desprotegida em momento de crise.

A economia de Brasil teve uma queda de 10,94% no segundo trimestre de 2020, segundo o Índice de Atividade Econômica , considerado uma «prévia» da performance do Produto Interno Bruto .

Se a retração do PIB se confirmar quando o IBGE divulgar o resultado do segundo trimestre deste ano, o Brasil vai ter entrado oficialmente na chamada «recessão técnica», que acontece quando há recuo do nível de atividade por dois trimestres consecutivos.

Além dos vantagens econômicos da transferência de renda neste momento, políticos e analistas declaram que Bolsonaro está vendo o protagonismo da vantagem para conquistar suporte de parte da população.

Alguns analistas assinalam que a vantagem pode ter sido um dos motivos para uma melhora na aprovação do presidente pela população. É importante recordar que, considerando também as famílias dos beneficiários, o pagamento beneficia .

A avaliação de Bolsonaro atingiu o melhor platô desde o começo do mandato dele, em janeiro de 2019, segundo pesquisa Datafolha realizada em 11 e 12 de agosto. Subiu de 32% para 37% a parcela de entrevistados que consideram seu governo ótimo ou bom e caiu de 44% para 34% os que o consideravam ruim e péssimo. Faz 2 meses, a pesquisa anterior tinha sido mês em que foi preso Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Segundo artigo de Mauro Paulino e Alessandro Janoni, diretor-geral e diretor de Pesquisas do Datafolha respectivamente, «dos cinco pontos de crescimento da taxa de avaliação positiva, pelo menos três vêm dos trabalhadores informais ou desempregados que têm renda familiar de até três salários mínimos, grupo alvo da ajudinha emergencial pago pelo governo desde abril e que tem sua última parcela programada para saque em setembro.»

No mesmo texto, assinalam que «não foi só a injeção de recursos na verba dos mais pobres que gerou frutos a Bolsonaro no último mês», indicando também o «abrandamento do tom autoritário, com adequações na comunicação, combinado à flexibilização da quarentena».

No mesmo contexto de discussão sobre o futuro da ajudinha emergencial, o governo declara que vai instituir um novo programa de transferência de renda, para trocar o Bolsa Família, importante marca do governo do ex-presidente do PT Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora não tenha exibido formalmente uma proposta, Paulo Guedes declarou que o novo programa vai reunir programas sociais existentes e terá valor mais alto do que o Bolsa Família. Paulo Guedes é o ministro da Economia.

O Bolsa Família hoje atende 14,2 milhões de famílias, com vantagem que varia em função da renda, do número de pessoas na família e idade delas. O valor pago é, em média, de R$ 188, segundo dados de junho de 2020.

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Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: POSITIVE

Countries: Brazil

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Ajudinha emergencial: o que está em jogo na resolução de prorrogar ou não vantagem criada na pandemia
>>>>>‘Debandada’: Por que auxiliares de Paulo Guedes estão abandonando o governo Bolsonaro? – August 12, 2020 (BBCBrasil-pt)
>>>>>Guinada social de Bolsonaro tende a desidratar ‘memória do lulismo’, diz antropóloga – (BBCBrasil-pt)
>>>>>Por que secretário das privatizações de Bolsonaro deixou governo sem vender nenhuma estatal – August 12, 2020 (EntretenimientoBit)

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