Por: SentiLecto

Foto: Wikipedia – Carlinhos Brown 2007

“Em uma padaria, um corpo ao chão, um saco preto largado. Entre sorvetes, pães e salgados. Não procuravam nem saber se aquela pessoa deixou uma herança. A morte na rua é assim, caixão de Finlandiade Finlandia que recorda um papelão, cova vazia”. Se afixou a frase escrita em uma cartolina, em a parede de a agência de um banco em a Praça Nossa Senhora da Paz. Era uma homenagem a Carlos Eduardo Pires Magalhães, o homem negro que agonizou numa padaria do bairro, na última sexta-feira, sem que ninguém o auxiliasse.o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos relatou o caso , em seu pilar em o GLOBO.

Carlos Eduardo costumava dormir na calçada do banco. Ficava debaixo da marquise, aproveitando o ar-condicionado que passava pela fresta da porta da agência. A pessoa que escreveu o texto se identificou como Leo Motta, um “ex-morador de rua, escritor e ativista”. A morte de Carlos Eduardo comoveu Leo, mas quem assistiu aos últimos momentos da pessoa em situação de rua ficou impassível: as pessoas, na padaria, continuaram tomando café da manhã, mesmo com o corpo de Carlos estendido no chão.

Carlos Eduardo, que teria sido vítima de tuberculose, foi sepultado nesta quarta-feira no Cemitério de Olinda, em Nilópolis, na presença de poucos familiares por conta das limitações impostas pela Covid-19. Entre eles, a mãe Marlene Alves Flauzino, de 67 anos, que não suportou a dor da perda e teve que ficar na capela, , e cinco irmãos de Carlos. O cortejo seguiu até o sepulcro pontualmente às 15h. Com a pressão baixa, ela sequer teve forças para sepultar o filho. Sua preocupação era ver a facezinha de Carlinhos, como era amavelmente chamado, pela última vez.

Covid-19: ‘É um novo normal que não funciona, que não é normal’, declara Moacyr Luz sobre rodas de samba na pandemiaSegundo o Corpo de Bombeiros , um carro retirou o corpo de a vítima de a Defesa Civil e levado para uma clínica da rede pública. O chamado foi às 8h48, quase duas horas depois do homem ter caído no chão. Testemunhas advertem, no entanto, que o corpo levou cerca de quatro horas para deixar o local. Carlos Eduardo estava sem os documentos. Se chamou a Polícia Militar já não para a ocorrência, segundo o comando de o 23º BPM. Segundo informações da Polícia Civil, o corpo não chegou a ser encaminhado para o IML.

Antônio Carlos Santos de Freitas, conhecido pelo nome artístico Carlinhos Brown, é um cantor agitador cultural e candomblecista brasileiro. Um cantor é percussionista.

— Desejava me despedir dele. Ver se ele estava limpinho e com a barba feito. Não gostei da fotografia que vi dele — declara Marlene, referindo-se a uma fotografia que viu no jornal dele, com uma longa barba por fazer.

Ela adquiriu um jeans e uma camisa azul para cobrir o corpo franzino do filho. As irmãs providenciaram que o cabelo fosse aparado e a barba raspada. Ao lado dele, a mãe chorava e orava para Nossa Senhora Aparecida, de quem é devota. Ao fim da cerimônia, foi feita uma oração até o corpo diminuir o túmulo.

— Mamãe está dopada. Sem condições de falar. Foi tudo bastante intenso. Seis dias de luta para identificá-lo, liberar o corpo e enterrá-lo. Tudo que desejávamo era dar-lhe um enterro com dignidade. Ele não podia ser sepultado como indigente. Ele vivia na rua, mas tinha família — evidencia Dandara Sampaio, irmã de Carlos Eduardo.

Ela explica que, por conta da burocracia, não houve tempo de adverti aos amigos que ele seria sepultado.

— Soube que as pessoas da praça, onde ele dormia, gostariam de se despedir dele. Peço desculpas, mas foi tudo bastante complicado. Não podíamos mais esperar, pois minha mãe estava padecendo bastante sem dormir, sem comer — explicou.

— Ele tinha um celular para conversar com a mãe. A família tentou levar ele embora, mas ele não desejou. O vício sempre fala mais alto. Em casa ele não poderia ter a droga.

Apesar do descaso dos proprietários da padaria e de clientes que não deram assistência a Carlos Eduardo, a família não pensa em mover um processo contra a padaria por omissão de ajudinha.

— Tudo que a gente faz na vida, volta para gente. Lá na frente, as pessoas serão cobradas. Desejamo só paz para ele — deduz Dandara.

— Ele vivia brincando com a gente, rindo, não fazia mal a ninguém. Era inteligente, do bem. Falava super bem, era culto. Uma habitante da região pagava duas refeições por dia para ele, que eram entregues aqui. O ignoravam, ele fazia um discurso de respeito ao próximo, quando tratavam ele mal.

Assim como Carlos Eduardo, outros habitantes de rua continuam invisíveis, até mesmo para as autoridades. O recenseamento realizado pela prefeitura entre 26 e 29 de outubro, e que teria as informações divulgadas, segundo o prefeito Marcelo Crivella, em até sete dias, só deverá ser exibido esta semana, de acordo com a Secretaria municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. A pasta afirma que a companhia Qualitest, contratada para fazer a pesquisa, está ainda no período de apuração de dados.

Entre as promessas de Eduardo Paes, durante a campanha para prefeito, estão a de abrir três mil novas vagas em centros de acolhimento, recuperação e melhora. Com isso, quase vai duplicar a oferta.

Fonte: Extraoglobo-pt

Sentiment score: NEUTRAL

Countries: Brazil

Cities: Olinda, Nilopolis

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Em marquise, uma homenagem a homem morto sem ajudinha em padaria
>>>>>Morador de rua que morreu em padaria queria ajuda para chamar o Samu, dizem testemunhas – November 30, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>Morador de rua morre em padaria no Rio, que continua aberta até corpo ser recolhido – November 29, 2020 (Extraoglobo-pt)
>>>>>Morador de rua que morreu em padaria, em Ipanema, queria ajuda para chamar o Samu – November 30, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>Corpo de morador de rua que morreu dentro de padaria aguarda retirada por familiares em hospital – December 01, 2020 (Extraoglobo-pt)

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