Por: SentiLecto

Foto: Wikipedia – Imagens da Cidade de São Paulo e Zoológico da Capital Paulista

Vera Mattos estava na plateia do Teatro Cândido Mendes, 15 anos atrás, estourar de rir, quando viu um rapaz jovem fazer a plateia. A personagem em questão interpretada por ele era Dona Hermínia. Neste mesmo dia, Vera, que era responsável pela programação do teatro na época, deu a grande possibilidade a Paulo Gustavo, que estreou lá “Minha mãe é uma peça” e decolou para o êxito. Neste «Papo reto», ela recorda com saudade desse tempo e fala do tamanho da perda para o teatro e o cnema de Brasil.

Em que ocasião você conheceu Dona Hermínia?

O Paulo Gustavo já tinha feito peça lá num horário alternativo, onze horas da noite, uma coisa bem escondida. Eram ele e o Fábio Porchat. O Porchat era um garoto na época. O contrato tinha sido feito através do Porchat, então, era com ele que eu conversava. Não cheguei a ter contato com o Paulo. A peça não fez êxito, infelizmente, até porque o horário era ingrato, e não tinha outro pra oferecer. Aí, passou um tempo e “O Surto” tinha vários atores convidados, que não faziam apresentações fixas. E o Paulo era um desses atores. Ele tinha esquetes de 15, 20 minutos, fazendo a Dona Hermínia. Numa das vezes em que eu estava lá para assistir à peça, o Paulo veio falar comigo antes da peça. “Ah, eu já fiz peça aqui. Estou aí com uma peça que estou escrevendo e tal, tem a ver com o esquete que farei aqui”. (o texto em questão era de “Minha mãe é uma peça”. E o jeitinho dele era bastante cômico, sabe? Ele foi chegando todo tímido, mas ao mesmo não-tímido, porque ele era uma pessoa completamente solar, mas você percebia que ele estava assim, repleto de dedos pra falar. «Tudo bem, quando conclui a peça a gente conversa”, declarou Eu. E aí foi rolando. Quando chegou a hora de Dona Hermínia. Olha, com certeza nenhuma, o público naquele dia quase caiu da cadeira de tanto rir. Todo mundo brilhou ali, mas ele roubou a cena. Quando você percebe que está olhando pra uma habilidade mesmo, sabe?

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São Paulo é um município de Brasil, capital do estado homônimo e principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América do Sul.

Eu é que fui falar com ele, quando concluiu a peça. E eu falei: “Olha, você conclui de escrever, que eu te dou um horário nobre”. Porque ele estava desejando até um horário alternativo. Eu dei a ele de sexta a domingo. E aí foi. Só que na segunda semana já deveu abrir sessão quinta, depois sessão quarta, depois sessão dupla. É até clichê o que vou declarar, mas pra ele cabe perfeitamente. Ele era uma força da natureza. Era uma luminosidade, uma vivacidade. É duro imaginar que…

Foi aquele êxito louco logo no início da temporada?

Por outro lado, foi o êxito nos palcos que lhe abriu as portas da TV. Seu primeiro programa foi “220 volts”, que estreou em 2011 no Multishow, onde arremessou inúmeros personagens em esquetes hilários. Nos anos seguintes, protagonizou os humorísticos “Vai que cola” e “A vila”. No fim do ano passado, o “220 volts” virou um especial de Natal da Globo.A cumplicidade entre Paulo Gustavo e Déa Lúcia é visceral. Quando a mãe o questionou sobre sua orientação sexual, na revista Ela, do GLOBO, o comediante contou , durante a adolescência.

Já, já foi das pessoas chorarem de rir. E aí foi rolando o boca a boca. Que para teatros pequenos como o Cândido Mendes é fundamental. Porque a gente não tem dinheiro pra divulgação. E as peças normalmente também não têm recursos. Então, quando a gente consegue captar gente pra ir lá olhar, e as pessoas saírem falando bem, é o que faz a coisa ocorrer. Foi assim com ele, foi assim com a Mônica Martelli, foi assim com as meninas do “Cócegas” . Foi assim com a Alexandra Richter, em “História de nós dois”. E no caso dele foi bastante rápido. Até porque muita gente que foi assistir a “Minha mãe é uma peça” já tinha visto Dona Hermínia no “Surto”. Já tinha um boca a boca de “aquele cara é ótimo”. O público se apaixonou de cara. Ele tinha um carisma, uma coisa.

Já tinha naquela época aquelas caravanas de velhinhas no teatro?

Ah, sempre teve. Já há muitos anos que já tinha. Mas o público era mesclado. O teatro era pequeno, 133 lugares, mas tinha uma parte que eram as pessoas da terceira idade, que vinham nas caravanas, tinha a rapaziada.

E as velhinhas se identificavam com Dona Hermínia?

Nossa! Não precisava ser nem de terceira idade, não. Quando levei minha irmã pra assistir, e ela ainda não tinha nem 50 anos, minha sobrinha foi junto. Ela tinha, sei lá, 18. Foi uma identificação. Minha irmã escutava o texto e declarava: “Ai, que e minha sobrinha: “Olha, tia Vera, é mamãe”, sou eu!”. Toda hora alguém recordava da mãe, alguém falava da filha. Tinha uma identificação. Você olhando as pessoas, dava pra perceber. Às vezes, ele até brincava com isso. Botava um caco : “Esse menino não sabe o que é água há cinco anos. É só Coca-cola”. Aí, assinalava pra alguém da plateia. “A senhora está recordando do seu filho, é a mesma coisa, não é?”.

No início da conversa, você declarou que o Paulo chegou meio tímido. Timidez nele é uma surpresa.

No aniversário do ator, no ano passado, a filha de Gilberto Gil chegou a contar que guarda todos os áudios que recebeu do amigo em uma pasta no celular: »A minha coleção de áudios seus estão numa pastinha, dou play nela, quando fico pra baixo eu ou te ligo e na hora fico bem!».

É assim, quando eu declaro tímido. Eu acho que todo artista tem uma personalidade bem dupla, declaremos. Tem a vontade de brilhar, de estar no palco, de ser amado. Mas também tem aquele lado da insegurança. Ele ainda estava escrevendo o texto. Acho que ele estava repleto de dedos porque ele não sabia bastante bem o que tinha a oferecer. Mas tímido talvez não seja vocábulo. Contido.

Qual o tamanho da perda?

Fonte: Extraoglobo-pt

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