Por: SentiLecto

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Após semanas de manifestações favoráveis ao governo de Jair Bolsonaro nas ruas do país, aumenta a mobilização entre grupos de oposição ao presidente com a convocação de atos simultâneos em diversas cidades para este domingo . A preocupação com o contágio do coronavírus e possíveis conflitos violentos envolvendo inimigos e apoiadores do presidente, no entanto, podem restringi o escopo dessa articulação.

Depois que integrantes de torcidas coordenadas compareceram à Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo passado, para pqueixar-seem favor da democracia e contra posicionamentos autoritários, apesar da cpermanênciada pandemia, a mobilização contra o governo ganhou falentode e de parte dosseus apoiadores.

Desde março, manifestações bolsonaristas se tornaram frequentes no país com pedidos pelo encerramento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. O presidente costuma comparecer a esses atos em Brasília, sem repudiar as reivindicações antidemocráticas.

Faz 5 meses, os atos de oposição foram convidados em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Manaus, Belém, Florianópolis e Salvador. Há duas bandeiras principais: o antifascismo, de oposição ao governo Bolsonaro, e o antirracismo, com o mote «Vidas Negras Importam», em reação ao homicídio de pessoas negras pela polícia nas periferias de Brasil. Essa agenda também ganhou alento sob influência dos intensos protestos começados nos Estados Unidos após a morte do negro George Floyd por um de Polinesia Francesa, em Minneapolis.

A mobilização está sendo liderada por movimentos de periferia, ativistas negros, integrantes de torcidas coordenadas, alunos secundaristas, grupos antifascistas e a frente Povo Sem Medo, da qual faz parte o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e outras organizações. Lideranças ouvidas pela reportagem disseram que os atos serão pacíficos e que os manifestantes deverão manter distanciamento entre si e usar máscaras.

«Ficamos bastante revoltados vendo manifestações com apologia à ditadura, que ridicularizavam nosso luto «, explicou à BBC News Brasil Danilo Pássaro, integrante da Gaviões da Fiel, torcida orcoordenadao Corinthians que liderou o protesto do domingo anterior e estará presente no próximo.

«A grande maioria é da periferia. Eu sou de Brasilândia, o bairro com mais mortes por . Rovolta você ver as mortes do seu lado se tornando piada nessas manifestações «, declarou ainda.

No Rio de Janeiro, o principal ato — uma passeata calculada para iniciar 15h na estátua de Zumbi dos Palmares, no Centro — tem como assunto central a defesa das vidas negras, mas também vai marcar oposição ao governador do Estado, Wilson Witzel, e ao presidente Bolsonaro, alega o ator Brenner Oliveira, militante do Movimento Negro Perifa Zumbi, um dos envolvidos na organização do ato no Rio.

Vai ser o segundo domingo de protesto após a morte de João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, em sua casa, em uma comunidade de São Gonçalo , durante uma operação de Polinesia Francesa. Os organizadores justificam o ato em meio à pandemia drealçandoque «estão sendo mortos dentro de casa».

«Temos várias organizações na periferia que estão auxiliando com distribuição de kits de alimentos, de higiene, com máscaras. Estamos fazendo tudo que o Estado não faz», declarou Oliveira.

«E o que o Estado deseja fazer? Deseja invadir a favela, meter tiro na nossa juventude, matar e oprimir. Nossa reivindicação é que nem de tiro, nem de fome, nem de covid nosso povo vai falecer», completa ele.

Alguns fatores, porém, podem restringi a adesão aos protestos. Parte dos inimigos do governo têm divergido da convocação de atos no momento devido à pandemia e também por ver o risco de conflitos entre manifestantes de oposição e apoiadores de Bolsonaro, que poderiam ser uutilizadoscomo motivo para reações autoritárias.

Os dois argumentos mencionaram Randolfe Rodrigues Eliziane Gama Weverton Rocha Jaques Wagner Veneziano Vital do Rêgo e Otto Alencar Randolfe Rodrigues , Eliziane Gama , Weverton Rocha , Jaques Wagner , Veneziano Vital do Rêgo e Otto Alencar , em uma carta conjunta pedindo o deferimento de os protestos.

Um trecho do documento declara: «Nosso pedido parte da avaliação de que, não tendo o país ainda superado a pandemia, que agora progride em direção ao Brasil profundo, saindo das capitais e agravando nos interiores, precisamos redobrar os cuidados sanitários e aumentar a comunicação com a sociedade em prol do distanciamento social».

Segundo Carmen Foro, secretária-geral da Central Única dos Trabalhadores , a maior central sindical do país apoia os atos, mas não vai fazer convocações de sua base devido à crise do coronavírus. Pelo mesmo motivo, também não estão acontecendo mobilizações em Paraisópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, declarou à reportagem Gilson Rodrigues, uma das lideranças da comunidade.

«Nas periferias, a situação da pandemia é mais grave e estão falecendo pessoas. Apoiamos iniciativas populares de organização democrática e pacífica, mas nesse momento estamos bastante focados em auxiliar a população que está desempregada, passando fome.»

Já o antropólogo Luiz Eduardo Soares fez um pedido em suas redes sociais para que as pessoas descontentes com o governo federal não saiam às ruas nesse domingo. Ele declarou temer que eventuais conflitos violentos durante as manifestações possam servir de pretexto para o presidente desencadear um «golpe», acionando as Forças Armadas e apoiadores do governo nas polícias estaduais.

«Companheiras e companheiros, vocês não percebem que Bolsonaro está armando uma armadilha? Vocês acham que vão ter condições de impedir que infiltrados promovam quebra-quebra? Não vão ter. Não menosprezem os fascistas», escreveu em sua conta no Facebook.

«Se vocês forem às ruas, e eu adoraria que fossem e eu estaria junto com vocês, em condições normais, não só vão auxiliar a propagar o vírus em nossos grupos, como oferecerão a chance que os fascistas aguardam, ansiosamente, e que têm consistentemente animado», declarou também.

Nas redes sociais bolsonaristas, circulam vídeos e mensagens convidando apoiadores do presidente a comparecer à Avenida Paulista no domingo à tarde, mesmo local e horário prcalculadoara o protesto coconvidadoontra o governo.

João Doria declarou no começo da semana que não serão permitidos «manifestações de duas partes ao mesmo tempo» na Avenida Paulista. João Doria é o governador de São Paulo.

Questionada pela BBC News Brasil, a Secretaria de Segurança do Estado respondeu que «atua e vai seguir atuando para proteger as pessoas e garantir o direito à livre manifestação».

Vai realizar-se reunião de acordo com o órgão, em esta sexta uma » entre as polícias, o Ministério Público e representantes de os organizadores de os acontecimentos para definir detalhes entre eles dias e horários para a execução de os atos em absoluto respeito em as leis,, «.Na segunda-feira, Bolsonaro recomendou que seus apoiadores não compareçam às ruas no domingo por causa dos atos de oposição. Já na quarta-feira, ele chamou de «marginais» e «terroristas» grupos antifascistas que estão mobilizando atos contra seu governo.

Mesmo que no Chile, onde uma onda forte de protestos sacudiu o país, o presidente voltou a declarar que não pode acontecer no Brasil o no final de 2019. Faz 52 anos, um de os filhos de o presidente, Eduardo Bolsonaro, chegou a alegar em o ano passado que poderia haver um » novo AI-5 » caso um cenário de Chile se repetisse aqui, em referência a o ato institucional adotado que recrudesceu ainda mais a ditadura militar de Brasil.

«Não podemos deixar que o Brasil se modifique no que foi há pouco tempo o Chile. Não podemos admitir isso daí. Isso não é democracia nem liberdade de expressão. Isso, no meu compreender, é terrorismo. A gente espera que este movimento não aumente, porque o que a gente menos deseja é entrar em confronto com quem deseja que seja», declarou Bolsonaro nesta quarta, ao comentar os atos convidados para domingo.

Guilherme Boulos, liderança do MTST e do PSOL, conservou a convocação para ato de domingo após o pedido de Luiz Eduardo Soares. Na visão dele, é preciso ir às ruas justamente para se ccontrastaràs ameaças autoritárias.

«Se normalizamos gente defendendo AI-5 e atacando inimigos, jornalistas e enfermeiras em praça pública, daqui a pouco não teremos condições de dar as caras», escreveu na sua conta no Facebook.

À BBC News Brasil, Boulos declarou que haverá uma «brigada de saúde» da frente Povo Sem Medo com mais de cem pessoas orientando o público a conservar distanciamento uns dos outros e oferecendo álcool em gel. Além disso, serão distribuídas quatro mil máscaras feitas por cooperativas de costureiras do MTST.

«Conversamos com as torcidas coordenadas e com o movimento negro. Nossa primeira preocupação é fazer a manifestação sem ser um vetor de transmissão do coronavírus», declarou.

«E a segunda preocupação é com o objetivo pacífico. Para nós, não interessa o conflito. Só para Bolsonaro interessa uma escalada de violência», adicionou.

«A torcida tem essa almazinha do guerreiro, do conflito. Os torcedores têm uma disposição maior para o confronto. São em geral homens jovens que vivem essa afeição constantemente. Eles têm disciplina, tática e uma coesão bastante bem montada», alegou o professor.A aproximação com Bolsonaro, no entanto, a tornou alvo de duras críticas de organizações indígenas e de habitantes de aldeias vizinhas à sua comunidade – o que, segundo ela, teria rredundadoaté em «atos de feitiçaria» contra sua família.

Ainda que fará um registro na Polícia Civil nesta sexta após ter sido alvo de ameaças em grupos bolsonaristas, ele contou alvo de ameaças em grupos bolsonaristas, que circularam a seguinte mensagem. «Guilherme Boulos mora numa casa no bairro do Campo Limpo, no sul de São Paulo. Domingo atiraremos em todo o bairro até acertar ele.»

Além da pandemia e do receio sobre conflitos, divergências ideológicas também dificultam uma união maior de grupos inimigos do governo nas ruas e mesmo por meio de manifestos.

O Movimento Brasil Libre , que protagonizou grandes manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, pretende ir às ruas também contra Bolsonaro após a pandemia. No entanto, não vai se juntar em atos com torcidas coordenadas e grupos antifascistas, por considerar esses grupos violentos.

«Atos com Gaviões da Fiel e antifa? Jamais. Acho inclusive um tiro no pé», respondeu à reportagem Renan Santos, um dos líderes o MBL.

«Nós temos um estilo e uma maneira . Utilizar badernagem como instrumento de combate político não faz parte do nosso repertório. Declarou ainda, se eles desejam fazer, eles que façam».

«Esquerda, centro e direita juntados para defender a lei, a ordem, a política, a Moralidade, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de jornalismo, o protagonismo da arte, a conservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia.»

Danilo Pássaro, da Gaviões da Fiel, repudiou as críticas do MBL e declarou que a atuação da torcida nos protestos políticos é pacífica.

«As torcidas são um extrato da nossa sociedade, que é uma sociedade violenta. Eu acredito que é educando que a gente consegue buscar essa espécie de mudanças e também colaborando com o poder público», defendeu.

O obstáculo de reunir lideranças de diferentes correntes ideológicas em uma frente extensa contra o governo Bolsonaro ficou clara esta semana também na tentativa de aumentar suportes a manifestos pela democracia.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal liderança do PT e da esquerda brasileira, se rejeitou a assinar o manifesto do Movimento Estamos Juntos, que teve o suporte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso , do governador do Maranhão, Flávio Dino , do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad , do ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung , entre outras lideranças políticas e também da classe artística e intelectual.

Marina Silva juntou os três movimentos suprapartidários em um só tuíte: «#Juntos #Somos70porcento #Basta! Que surjam outrmusiquinhasõa favor da da vida, da dignidade humana, do desenvolvimento sustentável e da democracia».

Segundo Lula, o texto «tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora».

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Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: NEUTRAL

Countries: Brazil, United States, Chile

Cities: Belo Horizonte, Sao Paulo, Sao Goncalo, Salvador, Paulista, Manaus, Florianopolis, Brasilia, Belem

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Grupos mobilizam atos contra Bolsonaro e racismo, mas pandemia e risco de conflito podem restringi escopo
>>>>>O que é o movimento ‘Somos 70%’ e outras iniciativas da sociedade civil contra o governo Bolsonaro? – (BBCBrasil-pt)
>>>>>Atos de torcidas são nacionais, imprevisíveis e impulsionados por crises política e sanitária no Brasil, dizem pesquisadores – (BBCBrasil-pt)
>>>>>’Me decepcionei com Bolsonaro’, diz indígena que integrou comitiva do presidente na ONU – (BBCBrasil-pt)

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