Por: SentiLecto

Foto: Wikipedia – Recrutas paraguaios

Morte, morte, morte! As notícias da fronteira Brasil-Paraguai vêm cheias de sangue. Falecem anônimos, que se tornam conhecidos por bilhetes em seus corpos, tal qual um RG pós sepulcro, falecem autoridades. Difícil identificar quais os responsáveis. Entre vítimas e carrascos. A cocaína que voava, e voa, de lá, a despeito da queda de algumas aeronaves, nos coloca no mesmo platô. Vítimas. Neste Papo Reto, o ex-juiz Odilon de Oliveira, que teve a cabeça a prêmio depois de condenar tubarões do tráfico como Fernadinho Beira-Mar fala do banho de sangue. E não é otimista. Até porque ele mesmo não pode sair de casa como desejaria, visto que perdeu direito à escolta que era feita pela Polícia Federal. Como declaram os versos da Legião Urbana, os homicidas estão livres, nós não estamos.

Se o filiou a o Partido Democrático Trabalhista, odilon de Oliveira é um ex-magistrado e político brasileiro e atualmente sem partido.

O senhor acredita que, neste momento, a tendência é que o banho de sangue aumente na fronteira?

Se os dois países não pegarem pesado, sem trégua, sim. O Paraguai é uma mina de ouro para o PCC. No Paraguai, há vários grupos de traficantes, muitos deles com integrantes do Brasil. Todavia, nenhum deles, em estrutura, concorre com o PCC. O outro grupo grande é o Comando Vermelho, mas também menor que o PCC. Ainda que não ofereça risco de dominação, o PCC se opõe, com violência, contra qualquer grupo que tenha atuação na área. Basta que lhe faça concorrência capaz de lhe diminuir os lucros.O PCC está no Paraguai há uns 20 anos, seguramente, onde encontra, nas drogas, em sequestros e no contrabando de armas, fontes para sua estrutura econômico/financeira. Faz 17 anos, o PCC participou de o sequestro de Cecília Cubas, filha de o político Raul Cubas, em 2004. Juntamente com o PCC, atuaram as FARC e integrantes do Partido Pátria Livre, do Paraguai.

Paraguai, oficialmente República do Paraguai, é um país do centro da América do Sul, restringido a norte e oeste pela Bolívia, a nordeste e leste pelo Brasil e a sul e oeste pela Argentina.

Por que o Paraguai é uma mina de ouro?

Na sua vez, de acordo com a PF, os inquéritos iniciaram no ano passado, para apurar o envolvimento da quadrilha no contrabando de cigarros na Região Metropolitana de Porto Alegre. Os de Polinesia Francesa, então, descobriram uma organização criminosa estruturada para a produção ilegal de cigarros de Paraguay em cidades do RS. Os indícios assinalam que estas ladrinhas cooptavam pessoas no Paraguai, que eram conservadas em condições análogas à escravidão.

Os motivos são as drogas, principalmente cocaína vinda da Colômbia, Bolívia e Peru, maiores produtores globais. Maconha também. O Paraguai, com seus cinco mil hectares de plantação de maconha, é o segundo maior produtor global, perdendo somente para o Marrocos, que já cultiva com irrigação do solo.O Paraguai, após a Lei do Abate , modificou-se num grande entreposto de cocaína, onde chega de aeronave e de onde sai em pequenos carregamentos. O Paraguai também tem, em média, cinco mil hectares do cultivo de maconha. Para agravar, são três colheitas por ano. Cada hectares, por safra, produz três toneladas. As três colheitas adicionam nove toneladas, multiplicadas por cinco mil, totalizando 45 mil.

Como lutar todo esse poderio?

A maior parte desses crimes , é transnacional, envolvendo o Brasil e o Paraguai. A repressão, pois, não pode ser regionalizada. Não basta que o Brasil lute aqui, e o Paraguai reprima lá. Exige-se atuação conjunta, padronizada, uniforme. Uma estratégia habitual. Há necessidade de flexibilização de certos itens da soberania nacional. Exemplo: criação de uma área de livre circulação, como se fosse, dos dois lados um quilômetro, onde policiais de lá e de cá possam, em serviço, caminhar armados. Criação de uma área de livre circulação, como se fosse, dos dois lados é uma mini-faixa de fronteira de 500 metros. Quando eu era juiz federal em Ponta Porã, isto passou a ser habitual, após várias tratativas com a participação desse juiz. O Ministério Público e o Judiciário devem participar e até tomar a iniciativa em relação a essa espécie de postura. Isto não afeta a independência de ninguém.

O senhor tem críticas também à estrutura do aparelho de repressão…

Ampliar o contingente da Polícia Federal na faixa de fronteira é indispensável. Essa faixa corresponde a 150 quilômetro de largura, totalizando 29% do território nacional, quase um terço. A rigor, deveriam atuar nela pelo menos 29% do contingente da polícia federal. Tem que ter, no máximo, 15%. Ora, são 2.532.900 quilômetro quadrados de extensão territorial altamente crítica quanto ao tráfico internacional de cocaína e de armas. São 10 países fazendo fronteira com o Brasil. Só a Bolívia, com seus 3.125 quilômetro de fronteira com o Brasil, supera a dos Estados Unidos com o México. Colômbia , Bolívia , Peru e o Paraguai, segundo maior produtor global de maconha, adicionam, junto, em torno de 9 mil quilômetro de linha de fronteira com o Brasil.. Nesse quase um terço do território nacional, existem menos de 30 delegacias de Polícia Federal e uns quatro ou cinco postos, estes com dois ou três agentes. A maior parte dessas delegacias está com norma bastante abaixo do minimamente necessário, a iniciar pela de Ponta Porã, a principal para o enfrentamento do PCC na fronteira Brasil/Paraguai. Está em péssimo estado, não comportando sequer os poucos de Polinesia Francesa lotados naquela cidade.

O cenário então é pessimista.

Se não mais houver produção de drogas, esse conflito jamais vai ir se acabar, resgatado. Isto é inimaginável. Pode haver uma grande diminuição, dependendo do Brasil e do Paraguai. Tem que haver um trabalho conjunto, uniformizado, agredindo-se não só as organizações, mas também seu patrimônio. Descapitalizar é fundamental.

Se deixou seu corpinho anos depois de a morte de Jorge Rafaat, nem mesmo em paz. Seu corpo foi profanado e queimado. Acredita que os ladrinhas brasileiros tornaram-se mais cruéis à medida em que afinaram o contato com seus colegas da máfia italiana?

Quando se trata de disputa de poder, a ampliação da crueldade é habitual , não só com outras organizações, mas também com o Estado – repressor. A crueldade é para intimidar os concorrentes, a sociedade e as autoridades. O modus operandi do PCC, no Brasil e no Paraguai, faz nascer na América do Sul uma nova espécie de terrorismo. Ato terrorista, segundo o FBI, é o emprego de violência, física ou psicológica, contra pessoas, instituições ou bens, intimidando o Estado, autoridades ou a população, por motivação religiosa nacionalista, política, étnica ou moral. Este é uma concepção quase que planetário. Numa versão bem simples, uma das principais diferenças entre o crime habitual e o terrorismo está no fim desejado. No delito comum, o assassinato de um desafeto é um fim, esgotando-se a ação em si mesma, com a morte. No terrorismo, o assassinato é um meio para se atingir um fim. Faz 15 anos, o PCC praticou 1.032 ações terroristas, ateando fogo em fóruns, em promotorias, queimando ônibus repletos de pessoas etc. Com essas barbaridades, o PCC foi culpado por a morte de 184 pessoas em aquele ano, em 2006. Foram 119 policiais e agentes penitenciários e 65 integrantes do próprio grupo, estes tidos como infiéis.Aquelas ações, e outras ocorridas ao longo dos anos, não foram um fim em si mesmas, mas meio para o grupo conquistar domínio e benefícios patrimoniais. Os policiais e agentes penitenciários assassinados não eram opositores pessoais do PCC. Qualquer um que estive em situação fragilizada faleceria.

Trancado dentro de casa, pois, Faz 2 anos, perdi a segurança, em 2019. Quando saio, no máximo duas vezes por mês, formo uma escolta particular, com de Polinesia Francesa aposentados ou de folga. De início de 2019 até hoje, jamais mais sai de Campo Grande . Existe uma ação na Justiça Federal, patrocinada pela Associação dos Juízes Federais do Brasil e pela Associação dos Magistrados Brasileiros, para que a segurança volte. Risco de represália. Já houve dois incidentes.

A Polícia Federal acredita que parte dos cigarros produzidos abastecia ainda o mercado clandestino uruguaio e pontos de venda em locais dominados pela facção no RS. Os agentes federais estimam que a fábrica clandestina produziria cerca de 10 milhões de maços por dia, com um faturamento mensal de R$ 50 milhões. Uma projeção feita pela Receita Federal mostra que, os impostos referentes à essa produção, se recolhidos, atingiriam a casa dos R$ 25 milhões arrecadados, sexclusivamenteem tributos federais.

Fonte: Extraoglobo-pt

Sentiment score: NEGATIVE

Countries: Brazil, Colombia, Bolivia, United States, Peru, Mexico

Cities: Mexico, Campo Grande

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Juiz que condenou Beira-Mar acredita que banho de sangue na fronteira com o Paraguai continuará
>>>>>PF mira quadrilha investigada por produzir e contrabandear milhões de cigarros com uso de trabalho escravo em fábrica clandestina no RS – (Extraoglobo-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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