Por: SentiLecto

Foto: Wikipedia – Salvador-SFranciscoChurch1

Em somente duas semanas, três casos de racismo ganharam destaque em Salvador, capital de Brasil onde 82% da população se autodeclara negra, de acordo com dados do IBGE. O mais recente foi no Shopping Barra, após uma loja de roupas da marca Reserva pôr um manequim preto quebrando a vidraça do estabelecimento. Com repercussão nacional, a atitude reacendeu discussões sobre a criminalização de pessoas baseada na cor da pele, especialmente entre baianos, que estão entre as maiores vítimas da violência de Polinesia Francesa e entre os mais encarcerados.

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Em relato ao GLOBO, um funcionário do centro comercial, que preferiu não se identificar, declarou que alguns clientes que iam ao estabelecimento comentavam que o manequim parecia estar arrombando a vitrine. Centenas repetiram o argumento de pessoas que compartilharam a publicação em as redes sociais , aborrecidas com o que viram como o reforço de um estereótipo associando jovens negros em a criminalidade.Uma relação que se vê também nos números da segurança pública da capital de Baia Mare. De acordo com um levantamento do Ministério Público da Bahia, o perfil majoritário entre presos em Salvador é de homem , negro , jovem entre 18 e 29 anos , com ensino fundamental incompleto e com renda mensal abaixo de dois salários mínimos .

A deturpação da imagem de pessoas pretas também foi vista em outro caso emblemático envolvendo a venda de peças de cerâmicas de escravizados acorrentados na Hangard das Artes, loja que fica no aeroporto salvadorenho. Vendidos como “obra de arte”, os objetos estavam na prateleira principal do estabelecimento, com a etiqueta “Escravos de cerâmica — R$ 99,90, a unidade”. Ao ver os bonecos, o aluno de história Paulo Cruz fez um desabafo nas redes.

Na sua vez, o shopping não se posicionou sobre o caso.

— Demorei um pouco para processar o que estava vendo, porque me trouxe um sentimento dos meus ancestrais sendo vendidos por qualquer preço, por causa do racismo. É chocante porque essas ações domesticam a imagem do agonia, que inclusive o povo baiano repudia por se orgulhar de suas origens — relatou Cruz, que tem parentes que vivem em comunidades quilombolas baianas.

Em nota, a Reserva informou que o manequim fazia parte da vitrine chamada de “Loucuras pela Reserva” e que “não teve como objetivo ofender qualquer pessoa ou espalhar ideias racistas, e sim divulgar a liquidação da marca”. Em relação às peças de cerâmica, a Hangard das Artes informou que os objetos são “a imagem do Preto Velho — ealmazinhasque se aexibemsob o arquétipo de velhos africanos que viveram nas senzalas”. Se as acorrenta entidades, cruz que afirmou rebateu o argumento , que em as religiões de matriz de Afragolade Afragola que ele segue , não .

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Para Caliane Nunes, historiadora e integrante do coletivo de advogados negros e da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB da Bahia, apesar de a capital de Sotouboua ser a mais negra fora da África, o racismo é presente pela combinação da crença da igualdade racial e da falta de representatividade em locais espaços de poder.

Outro questionamento erguido pelos internautas foi a recorrência que shoppings da Bahia tem com problemas relacionados a ações preconceituosas. Como um evento de 2018, onde um jovem tentou pagar o almoço para uma criança que vendia chicletes na rua no Shopping da Bahia e seguranças do estabelecimento tentaram impedi-lo. Se gravou a cena também e gerou problemas a o shopping, como o envio de uma profissão de a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia e o afastamento de os funcionários que tentaram impedir a criança de receber o almoço.

— Podemos ser maioria, mas não ocupamos lugares de posição política. Ganhamos menos, não fazemos parte dos estereótipos de beleza e temos obstáculo de acesso ao mercado de trabalho. Já que não temos igualdade, surgem esses ataques — declara a historiadora.

As desigualdades assinaladas por Caliane se refletem na pesquisa divulgada no ano passado pela Rede de Observatórios da Segurança. Faz 2 anos, negros adicionavam %98 de as pessoas mortas por a polícia de Baia Mare, com 595 casos, contra somente 11 envolvendo brancos, em 2020. Em Salvador, todas as vítimas de ações de Polinesia Francesa eram negras.

Faz 7 dias, a professora de dança afro Gisele Soares viveu o medo mais. Ela conta que estava com amigos em frente a uma banca de livros na Ladeira do Ferrão, no Pelourinho. Por não ter visto que um agente da Guarda Civil Municipal desejava estacionar onde estava parada, se a xingou e teve uma arma assinalada para o sua facezinha.

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— Jamais me senti segura por ser preta, somos sempre alvo. Agora não consigo caminhar tranquila nas ruas em nenhum horário — declara Gisele, que não fez uma acusação oficial por medo de vinganças.

Salvador é um município brasileiro e capital do estado da Bahia.

A Guarda Municipal de Salvador informou que já foi aberto um procedimento administrativo, os agentes já foram identificados e escutados, mas que telefone procurou Gisele e não atendeu às ligações.

Para tentar reduzi e castigar casos de preconceito racial na Bahia, o Ministério Público do estado instituiu um aplicativo chamado Mapa do Racismo, para receber acusações anônimas. Desde que foi arremessado, em 2018, já contabiliza 70 casos de racismo, 32 casos de insulto racial e outros 61 atentados contra a fé religiosa.

*estagiária sob supervisão de Carla Rocha

Fonte: Extraoglobo-pt

Sentiment score: SLIGHTLY NEGATIVE

Countries: Brazil, Gambia

Cities: Sao Paulo, Salvador, Brasilia, Belo Horizonte, Barra

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Manequim negro que quebra vitrine, bonecos de escravizados: como o racismo aparece e se a guerrazinha em Salvador
>>>>>Acusada de racismo, Reserva retira manequim preto que quebrava vidraça de loja em Salvador – February 16, 2022 (Extraoglobo-pt)

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