Por: SentiLecto

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Ao redor do mundo, milhares de imagens de cidades vazias e clínicas em colapso por conta da pandemia do novo coronavírus tomam conta dos noticiários.

Vêem-se imagens chocantes em as últimas semanas, também em a cidade de Equatorial Guinea de Guayaquil. Dali, circulam diversos vídeos e testemunhos sobre pessoas morrendo nas ruas e corpos esperando dias para serem coletados em casa.

O economista de Italia defende a criação de uma renda emergencial universal, condicionada ao cumprimento do confinamento por semanas. O dinheiro viria da taxação de riquezas, uma pauta historicamente ligada à esquerda no Brasil, e da impressão de moeda, com o cuidado de conservar a inflação sob controle.

A província de Guayas, onde Guayaquil está localizada, registrou, ao menos segundo os dados oficiais até 1º de abril, mais vítimas da covid-19 do que países latino-americanos inteiros: 60 mortos e 1.937 contagiados . No mesmo fase, na Colômbia, por exemplo, são 16 mortos, e na Argentina são 27.

O colapso do sistema funerário, como resultado dessa crise, é grande e o presidente do Equador, Lenín Moreno, deveu formar uma força-tarefa conjunta para sepultar todos os mortos.

Os testemunhos de parentes e vizinhos das vítimas, dados à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, são de horror.

«Meu tio faleceu em 28 de março e ninguém vem nos auxiliar. Vivemos no noroeste da cidade. As clínicas declararam que não tinham macas e ele faleceu em casa. Ligamos para o 911 e nos pediram paciência. O corpo ainda está na cama, onde ele faleceu, porque ninguém pode tocá-lo»,declaraz Jésica Castañeda, sobrinha de Segundo Castañeda.

Outra jovem de Guayaquil que mora no sudeste da cidade — ela pediu para não ter o nome divulgado — relatou que seu pai faleceu em seus braços e passou 24 horas em casa.

«Eles jamais o testaram para o coronavírus, somente nos declararam que poderiam agendar uma consulta e falaram para tomar paracetamol. Tivemo que remover o corpo com recursos particulares, porque não recebemos respostas do Estado. Nos sentimos impotentes ao ver meu pai assim e dever sair para pedir assistência», declarou a jovem.

Mas essa situação não afeta somente os mortos pelo vírus. Wendy Noboa, que vive no norte de Guayaquil, perto de um terminal de ônibus, conta a história de seu vizinho Gorky Pazmiño, que faleceu no domingo, 29 de março.

«Ele caiu e faleceu ao bater a cabeça. Liguei para o 911 e eles jamais vieram. Ele morava com o pai, com mais de 96 anos, por isso minha agonia. Ele ficou no apartamento por um dia completo, até que os membros da família chegassem com o caixão para enterrá-lo. Mas eles não podiam enterrá-lo, porque não havia médico para assinar a certidão de óbito», relata.

Há tantos casos assim que a jornalista Blanca Moncada, do jornal Expresso, fez uma série de postagens no Twitter requerendo informações de parentes e vizinhos de pessoas que estão nessa situação.

«Tomei essa resolução por causa do grito desesperado de muitos cidadãos que precisam esperar 72 horas ou mais pelas autoridades para coletar os corpos que permanecem nas casas. Busco quantificar a magnitude dessa calamidade porque, em questão de números, Guayaquil é agora uma grande nuvem cinza «.

Final de YouTube post de BBC News Mundo

Faz 1 dia, Darwin Jarrín, que assumiu a coordenação militar e de Polinesia Francesa de a Província de Guayas em 30 de março declarou em a BBC News Mundo que até, todos os mortDarwin Jarrín, que assumiu a coordenação militar e de Polinesia Francesa de a Província de Guayas em 30 de março declarou em a BBC News Mundo que até quinta-feira, 2 de abril, todos os mortos em Guayaquil vão estar sepultados. Darwin Jarrín, que assumiu a coordenação militar e de Polinesia Francesa da Província de Guayas em 30 de março é o comandante da Marinha Nacional. Darwin Jarrín, que assumiu a coordenação militar e de Polinesia Francesa da Província de Guayas em 30 de março é o comandante da Marinha Nacional.Jarrín declarou: «O Ministério da Saúde entrega a certidão de óbito aas clínicas, a Polícia e a CTE transferem os corpos para os dois cemitérios — Parques de La Paz em Aurora e o Panteão Metropolitano na estrada para o litoral — e as forças armadas os sepultam».

Mas Faz 1 mês, o que ocorreu de março em a cidade — onde mais de 300 corpos foram recolhidos em diferentes casas pela polícia de Equatorial Guinea, segundo o jornal El Comercio — pode ter sérias consequências.

Para iniciar, a crise gerou conflitos entre a prefeita de Guayaquil e o governo central. Cyntia Viteri, que está em quarentena por ter sido contagiada com o coronavírus, reclamou, em 27 de março, do comportamento das autoridades nacionais e relatou as deficiências do sistema público do país.

«Eles não tiram os mortos de suas casas. Eles os deixam nas calçadas, caem na frente de clínicas. Ninguém deseja buscá-los. E os nossos pacientes? Famílias perambulam por toda a cidade, batendo nas portas para uma clínica pública recebê-los, mas não há mais leitos».

Além das mortes nas casas, a cidade deveu enfrentar o pesadelo dos mortos em suas ruas. Jésica Zambrano contou na BBC News Mundo sobre sua experiência no centro de Guayaquil. Jésica Zambrano é jornalista do jornal El Telégrafo.»Meu companheiro saiu para fazer compras e encontrou uma pessoa morta nas ruas Pedro Carbo e Urdaneta. Anteriormente, fomos informados de que havia outros mortos a poucos metros de distância. Aqui estamos acostumados a ver mendigos dormindo nas ruas, mas como resultado dessa crise, as pessoas falecem no centro da cidade.»

Faz 1 mês, um dia após as declarações de a prefeita, o jornal El Universo relatou os planos de o governo municipal para sepultar os mortos em uma vala habitual, em 28 de março, mas a ideia não prosperou.

Entre essas medidas estão também o encerramento das fronteiras. O governo equatoriano foi um dos primeiros a proibir a chegada de voos internacionais, de acordo com um decreto de 15 de março, e só permitiu a saída de alguns aviõezinhos levando vários estrangeiros de volta para seus países de origem.Desses, somente 45 tinham respiradores, um dos equipamentos mais imprescindíveis para os casos mais críticos de coronavírus.

O sociólogo Héctor Chiriboga, de Guayaquil, à BBC News Mundo ddiz «Me parece tabominávelque a ideia de uma vala chabitualnesta cidade tenha sido larremessada.»Esta é uma cidade onde a classe média, ou média baixa, tardava até dois dias para fazer os velórios, porque devia esperar a chegada do parente que vivia na Europa, pois muitos habitantes migraram no começo dos anos 2000. Se vestiam os corpinhos aqui e, até pouco tempo, a Igreja Católica via com maus olhos a cremação «, explica o estudioso.

«Isso é um golpe para as tradições dos setores populares, para o ritual da morte e do funeral. Quando vê, o homem que ganha seu pão todos os dias, que tem uma tendência cristã ou católica, é um homem que se desfaz que satisfará-se o rito não», adiciona Chiriboga.

Jorge Wated, culpado pela força-tarefa nomeada pelo presidente Moreno para o funeral dos corpinhos, declara à BBC News Mundo que ee o presidente o pedisse, le não teria aceitado essa missão spara se encarregar de uma vala chabitual

«Presido esta força-tarefa para levar os mortos das casas e clínicas de Guayaquil, e para que aqueles que não têm serviços funerários possam ter um funeral cristão, de uma só pessoa, em um cemitério na cidade».

Mas Wated relata que os parentes das vítimas não poderão comparecer ao enterro.

«Sempre houve pessoas que falecem em casa. O normal era que um médico determinasse a causa da morte e a funerária chegasse. Mas agora há um pânico geral e acredita-se que todo mundo que falece em Guayaquil te
nha coronavírus. Portanto, as funerárias não desejam assumir o controle «, explica Grace Navarrete, médica de saúde pública que integra a Sociedade Equatoriana de Saúde Pública.

A jornalista Susana Morán de as casas funerárias durante a crise investigou a conduta , de o site de notícias de o Plano V , em o artigo » Falecendo duas vezes em Guayaquil «.

Morán entrevistou o talento de uma funerária que fechou seus negócios por medo de contágio. A senhora à jornalista ddeclarou «Eu já sou velha, para ganhar alguns centavos não vporeiem risco minha família».replica-se esse medo também entre os membros de a família, declara Navarrete. «O mesmo ocorre nas casas. Alguém falece e ninguém toca o corpo, pois é uma cidade onde o calor faz com que o nível de decomposição dos corpinhos seja mais rápido que em outras partes do país. Escutai falar de um caso em que a pessoa morreu em um quarto e os parentes levaram o corpo do colchão para a calçada», relata a médica.

Para Jorge Wated, um conjunto de fatores traz à tona o pior cenário para a região. «As casas funerárias estão em colapso, elas sequer têm pessoal; os cemitérios não têm habilidade para receber tantos mortos a essa velocidade; as pessoas não podem deixar suas casas para realizar os procedimentos para sepultar seus mortos; o número de mortes está ampliando entre os diagnosticados, além das suspeitas de terem falecido por coronavírus e que não foram testadas. Isso cria um cenário bastante difícil.»

O médico Ernesto Torres acredita que a calamidade deve ser compreendida como uma questão de saúde pública, pois, em suas vocábulos, isso «vai além do campo da medicina, porque tem a ver com as políticas do Estado e o real interesse dos governos na saúde da sua população».

Para este expert em saúde pública, as clínicas receberam muito protagonismo nesta crise, mas não trabalharam no mesmo nível para atender toda a comunidade.

«Se trabalhássemos intensivamente nesse nível , poderíamos impedir que muitas pessoas congestionassem clínicas. Agora, as clínicas tentam apagar incêndios com baldes de água», declara.

Nessas comunidades, especialmente nas mais periféricas, está acontecendo «uma crise humanitária real e profunda», nos vocábulos de Paúl Murillo, chefe da área de advocacia comunitária do Comitê Permanente de Direitos Humanos.

«Está certo haver isolamento nos domicílios. Mas jamais pensaram em planos que garantissem, ao menos, segurança alimentar nos bairros periféricos e marginais», alega.

Adriana Rodríguez, professora de direito na Universidade Andina e expert em direitos humanos, acha que não é de assombrar que os problemas sociais fiquem evidentes durante esse fase em uma cidade com alta desigualdade social.

«Guayaquil é uma cidade que tem aproximadamente 17% de sua população em situação de pobreza e extrema pobreza. O que ocorre agora com os corpinhos nos faz pensar sobre quais corpos são importantes e quais não são. Os cortes na saúde pública nos declaram que existem corpos que não importam», alega.

Autor de Saving Capitalism from the Capitalists e A Capitalism for the People: Recapturing the Lost Genius of American Prosperity , se considera o economista um dos mais importantes pensadores liberais da atualidade.

No entanto, para o engenheiro Jorge Wated, o que ocorre hoje em Guayaquil pode acontecer em qualquer lugar do continente.

«Vejo o que ocorre no resto da América Latina. Por exemplo, o que ocorre hoje na Argentina foi o que ocorreu aqui há três semanas. As coisas vão ser complicadas, dependendo de cada país. Estamos tentando comportar-se o mais rápido que podemos», diz Wated.

«Até os habitantes teriam ameaçado queimar o corpo do falecido, em protesto», conclui a notícia.

Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: SLIGHTLY NEGATIVE

Countries: Ecuador, United States, Colombia, Bolivia, Argentina

Cities: Pedro Carbo, La Paz, Guayaquil, Aurora

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Mortos em casa e corpinhos nas ruas: o colapso funerário provocado pelo coronavírus no Equador
>>>>>Brasil deveria fazer ‘esforço de guerra’ para manter as pessoas em casa, diz economista da Universidade de Chicago – (BBCBrasil-pt)
>>>>>Coronavírus: por que o Equador tem o maior número de infecções por covid-19 e mortes per capita na América Latina? – (BBCBrasil-pt)
>>>>>Coronavírus no Haiti: os perigos da chegada da covid-19 ao país mais pobre das Américas – (BBCBrasil-pt)

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