Por: SentiLecto

Entre novembro de 2020 e março deste ano, oito em cada dez pacientes com Covid-19 intubados em unidades de terapia intensiva do Brasil morreram, segundo dados do Ministério da Saúde compilados por pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Fundação Oswaldo Cruz . A taxa de mortalidade de pacientes internados no país, de 83,5%, é uma das maiores do mundo.

Experts declaram que a alta taxa de mortalidade é reflexo da ausência de profissionais treinados, além de problemas de administração e justamente da longa espera por leitos nas clínicas, agravada pela escalada da enfermidade.

Os dados sobre a mortalidade vêm do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe e pesquisadores compilaram eles de a Rede Brasileira de Pesquisa em Medicina Intensiva , organizada por Fernando Bozza.

‘Colapso hospitalar’: rede de plano de saúde diz situação calamitosa em municípios do interior’Colapso hospitalar’: rede de plano de saúde diz situação calamitosa em municípios do interior

Na quinta-feira 18 de março o Brasil bateu, nesta quinta-feira, o recorde na média móvel de casos de Covid: 71.904. Isto significava que mais de 71 mil pessoas foram diagnosticadas com a enfermidade diariamente na última semana. O cálculo foi 22% maior do que o de 14 dias atrás.

Um outro estudo do grupo, publicado na revista The Lancet Respiratory Medicine, já havia revelado que as taxas de Brasil de morte de pacientes intubados com Covid-19 entre março e 15 de novembro de 2020 era de 77,8%. O número já era superior, no fase, ao do Reino Unido , Itália , Alemanha e México .

Segundo Bozza, uma das explicações para a alta mortalidade nas UTIs de Brasil foi a política errática do governo federal em relação aa guerrazinha ao coronavírus:

— Faz 1 ano, o Brasil perdeu muito tempo com irrelevâncias, como remédios sem efetividade, e a possibilidade de incorporar as melhores práticas e políticas que são de fato eficientes, como treinar equipes de UTI e diminuir a transmissão — alega.

Luciano Azevedo é um lutador de Luta livre desportiva e MMA brasileiro e atual campeão do Cage Gladiators na categoria peso leve.

Para Luciano Azevedo, professor de Medicina da USP que atua na UTI do Hospital das Clínicas, em São Paulo, falece-se mais com Covid nas UTIs de Brasil graças à longa espera nas filas de leitos, ao controle inadequado de comorbidades, como diabetes, e à falta de pessoal qualificado. Adiciona-se a isso o atraso na ida às emergências de pacientes que acreditam clutara denfermidadecom rmedicamentoscomo a ivermectina e a cloroquina, comprovadamente ineficazes contra a denfermidade

Nas clínicas, a luta dos pacientes por um dos 20.865 leitos de UTI do país, que em estados como São Paulo estão com 91,6% de profissão, é só o início. Com quadros mais graves de complicações, aqueles admitidos nas UTIs deparam com a carência de respiradores e medicamentos, instalações improvisadas e profissionais sobrecarregados, exaustos física e emocionalmente — muitos contratados às pressas durante a pandemia, recém-formados e sem especialização ou experiência para atuar em UTIs.

Também A situação dramática é refletida em o índice de profissão de as UTIs para Covid-19 em o Rio que já chegou,, em esta sexta-feira, a %92. No caso das enfermarias, 78% delas encontram-se em uso neste momento. O panorama e ainda mais crítico na capital, onde 95% dos 693 leitos intensivos estão em utilização, além de 88% das vagas de enfermaria.

— O cuidado intensivo brasileiro médio é, principalmente agora na pandemia, inferior aa norma. Sem equipe preparada, há maior mortalidade e alta incidência de infecções e complicações — declara Luciano Azevedo.

Inexperiência e erros

Um paciente na UTI exige a atenção de uma equipe multidisciplinar, que inclui enfermeiros, fisioterapeutas, além dos médicos intensivistas. Com profissionais sem formação na área ou inexperientes tratando doentes graves, ampliam as possibilidades de erro em diversos procedimentos, explica Azevedo. Há intubações que lesionam a traqueia do paciente, cateteres que acertam vasos e provocam sangramentos em órgãos, pneumonias associadas aa utilização do respirador ou infecção provocada pela sonda urinária.

A sepse, inflamação generalizada provocada por infecções e que pode levar à falência de todos os órgãos, é a principal causa de mortes em UTI no Brasil, sendo rculpadopor 65% dos óbitos. A média global varia entre 30% e 40%, segundo o Instituto Latino-americano de Sepse.

Os dados mostram que a letalidade entre intubados em UTIs é, hoje, ainda pior no Norte e Nordeste , caindo para 79% no Sudeste. Além das disparidades regionais na característica do atendimento, pacientes internados na UTI de uma clínica pública de referência ou na rede privada pode ter mais possibilidades de sobreviver, segundo os pesquisadores.

Drible Às Restrições: Rio tem loja com luz apagada atendimento por app e até prateleiras interditadas Luz apagada é venda na meia porta.No Sírio-Libanês, clínica privada de alta norma em São Paulo, em que Azevedo também atua, a taxa de morte entre intubados com Covid-19 é, ele declara, de 25%.

No Instituto de Infectologia Emílio Ribas, também em São Paulo, referência da rede pública e com profissionais experientes, a letalidade de intubados é de 36%, segundo Jacques Sztajnbok, chefe de UTI da clínica. A taxa bastante abaixo da média nacional reflete um país de realidades distintas. Na prática, um paciente intubado na UTI do Sírio ou do Emílio Ribas teria de duas a três vezes mais possibilidades de sobreviver do que a maioria dos internados pelo país.

— Abre-se UTI e acham que tudo está resolvido, mas paciente com Covid-19 é de extrema complexidade. Qual a formação das equipes e o apoio que recebem? Há clínicas em São Paulo com 80% de morte de intubados. Mesma enfermidade, época e equipamento. O que afeta é a defasagem técnica. Mas não se maneira gente capacitada da noite para o dia, é trabalho ininterrupto — declara Sztajnbok.

A ampliação nas filas também tem levado às UTIs pacientes mais ccomplicados Por isso, mesmo clínicas que investiram em capacitação e novos métodos — como adoção do corticoide dexametasona para conter a inflamação em pacientes graves — estão operando no limite. A equipe de Sztajnbok lida hoje com pacientes graves de até 28 anos, sem comorbidades. Os casos impressionam pela rápida danificação obstáculos para intubar e extubar e prognósticos de recuperação lenta e demorada. A rápida danificação é pré-requisito de manobras complicadas.

Ricardo Schnekenberg, médico da Universidade de Oxford e membro do grupo do Imperial College, que analisa a dinâmica do vírus no Brasil, declara que a melhor estratégia a curto prazo para diminuir a pressão das UTIs sobrecarregadas continua sendo não depender de leitos. Para isso, ele defende receita conhecida: conter a transmissão do vírus e vacinar a população.

— A alta mortalidade no Brasil reflete problemas estruturais que não estão sendo agredidos e não serão resolvidos no curto prazo. Por isso, é necessário controlar e diminuir a transmissão utilizando as medidas eficazes conhecidas, como distanciamento — declara.

No Reino Unido, o sistema público de saúde investiu no aprendizado das equipes que lidam com o vírus há um ano, adotou novos protocolos e reduziu a sobrecarga sobre o sistema. Desde agosto, a mortalidade de pacientes hospitalizados, no geral, não passa de 18%, mesmo entre idosos com mais de 80 anos, segundo dados de consórcio de experts britânicos.

*Estagiária, sob supervisão de Tiago Dantas

Fonte: Extraoglobo-pt

Sentiment score: POSITIVE

Countries: United Kingdom, Brazil, Mexico, Italy, Belorus

Cities: Sao Paulo, Mexico, Lida

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Oito a cada dez pacientes intubados no Brasil com Covid morrem na UTI
>>>>>Fila de espera por leitos de UTI para Covid-19 no estado do Rio aumenta dez vezes em menos de duas semanas – March 26, 2021 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>Rio registra aumento de 66% na média móvel de mortes por Covid-19 no estado – March 23, 2021 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>>>>>Brasil registra novos recordes de média móvel de casos e mortes por Covid-19 – March 22, 2021 (Extraoglobo-pt)
>>>>>>>>>>>>>Estado tem 278 pessoas à espera de leitos de UTI para Covid; na capital, ocupação cai, mas número de internados cresce – (Extraoglobo-pt)
>>>>>>>>>>>>>Brasil bate recorde com média móvel de 71.904 casos de Covid-19 – (Extraoglobo-pt)
>>>>>>>>>Rio registra aumento de 67% na média móvel de mortes por Covid-19 no estado – March 23, 2021 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>Rio bate o recorde, pelo segundo dia seguido, da maior fila por UTI de Covid-19; 582 pessoas aguardam vaga – (Extraoglobo-pt)
>>>>>Governo do Rio destribui 363 mil doses da vacina contra Covid-19 pelo estado – March 27, 2021 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>Covid-19: Estado envia para municípios 759.100 doses de vacina, sendo 628.200 destinadas à 1ª dose e zera estoque – (Extraoglobo-pt)
>>>>>Governo do Rio distribui 363 mil doses da vacina contra Covid-19 pelo estado – March 27, 2021 (EntretenimientoBit)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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