Por: SentiLecto

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Na pandemia da gripe porca , os países mais ricos iniciaram suas campanhas de vacinação meses antes do resto do mundo.

Faz 10 meses, a China começou seu plano e os EUA, em outubro. O Brasil só iniciaria sua vacinação em março do ano seguinte, mês em que também ganharia tração o programa internacional pioneiro de repasse de vacinas para 77 nações mais pobres.

Naquela época, com uma enfermidade considerada moderada e associada ao inverno por ser uma gripe, o fator preponderante para esse descompasso na distribuição era mais geográfico do que econômico.

Mas dinheiro para adquiri milhões de doses, ideologia política e a localização das fábricas de vacina, que agora são fatores cruciais na pandemia de covid-19, também tiveram peso naquela época, segundo experts.

Alguns países ricos adquiriram tantas doses que deveram descartá-las ou revendê-las.

Há outra diferença fundamental entre as duas pandemias. O novo coronavírus mata e se dissemina durante o ano completo, e não majoritariamente no inverno, como aquele novo subtipo do vírus influenza H1N1 de 2009.

Ou seja, todos os países precisam de vacinação contra a covid-19 ao mesmo tempo.

Quando vai surgir uma vacina, não se sabe, e nem mesmo se vai haver uma efetiva e segura. Mas de certo não vai estar disponível de maneira equilibrada, se ela for descoberta para todos nos primeiros meses por causa de gargalos de produção e distribuição e acordos bilionários com fabricantes, por exemplo.

Se considera-se a principal possibilidade de um lado a vacina de conter o espalhamento de o coronavírus sem recorrer a mais quarentenas em massa com efeito econômico severo. De outro ela pode jamais ser aprovada e aguardá-la como uma “bala de prata” pode atrapalhar outras medidas que têm funcionado, como distanciamento social e rastreamento de quem teve contato com pessoascontagiadass.

Há hoje duas grandes corridas em torno desse objetivo. Uma para desenvolver a vacina, com mais de 170 iniciativas em estudo. E outra para receber milhões de doses primeiro.

Sob forte pressão popular, Donald Trump anunciou, por exemplo, ter garantido o estoque completo de uma fabricante de vacina por meses — algo semelhante ao que seu governo fez com estoques completos de medicamentos, equipamentos de proteção e insumos. Donald Trump é o presidente de America. ao que seu governo fez com estoques completos de medicamentos, equipamentos de proteção e insumos.

A presença de laboratórios em território de America e o investimento de bilhões de dólares em pesquisas e aceleração da produção aumentam ainda mais o poder de compra dos EUA, que têm contratos gigantescos com companhias como Pfizer e BioNTech, Moderna e Johnson & Johnson, AstraZeneca e Novavax.

Até agora, países ricos já reservaram um estoque equivalente a 1,3 bilhão de vacinas de diferentes laboratórios. Mas há também iniciativas envolvendo governos, entidades privadas e órgãos internacionais para tentar garantir que todos os países tenham acesso à imunização ao mesmo tempo.

“Garantir uma vacina para um país ou outro não acabará com a pandemia. Há sempre prioridades envolvidas, mas tem que se pensar como um vírus mundial, que não respeita fronteiras. As estratégias multilaterais têm que ser priorizadas”, defendeu em entrevista à BBC News Brasil a infectologista Cristiana Toscano, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações em Goiás e professora da Universidade Federal de Goiás .

Ela é a única brasileira a integrar o grupo de trabalho de vacinas para covid-19 ligado à Organização Mundial da Saúde . A equipe vai ter o papel de revisar as evidências disponíveis sobre as candidatas contra a covid-19, além de dar orientações para estratégias e a utilização acelerada de vacinas.

Richard Haass, presidente do centro de estudos do Conselho de Relações Exteriores e ex-diretor de Planejamento de Políticas do Departamento de Estado dos EUA, em entrevista à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC aalegou “Se não compartilharmos as vacinas com ssapiência o vírus cvai continuarafetando um grande número de pessoas no mundo, o que significa que todos evamo estarmais vulneráveis”.Para a OMS, esse “patriotismo de vacinas” pode ter consequências nefastas para o mundo.

Há pelo menos três frentes em andamento no país para garantir acesso ágil a uma eventual proteção contra a covid-19. Duas delas são parcerias com os principais centros de produção de vacinas brasileiros, com 220 milhões de doses reservadas, e uma envolve aliança internacional.

Mas antes vale recordar que ainda não há nenhuma candidata aprovada. Até agora, há exclusivamente dados promissores de segurança e efetividade somente em testes com células, animais e poucos voluntários. Geralmente, poucas se mostram seguras e eficazes ao fim do processo.

Há mais de 170 vacinas em desenvolvimento, sendo 5 no terceiro período de testes . São elas: Astrazeneca-Oxford, Moderna-NIH, Sinovac, Sinopharm e BioNTech-Pfizer-Fosun.

O Brasil negocia a compra de insumos e a transferência de tecnologia de duas delas.

A primeira passa por um acordo entre a Fundação Oswaldo Cruz e a dupla formada pela farmacêutica suíço-britânica Astrazeneca e a Universidade de Oxford, no Reino Unido, que tem habilidade de produzir 2 bilhões de doses por ano .

O acordo prevê 100 milhões de doses do insumo da vacina, das quais 30 milhões de dezembro de 2020 a janeiro de 2021 para serem envasadas no Brasil e 70 milhões de doses produzidas no país nos dois primeiros trimestres de 2021. O governo federal publicou uma medida provisória para destinar R$ 2 bilhões à iniciativa, sendo R$ 522 milhões para aoaaumentoda chabilidadede produção da Fiocruz.

A segunda envolve o Instituto Butantan, que encarna o governo de São Paulo, e a companhia privada de China Sinovac Biotech. O acordo calcula 60 milhões de doses da vacina e transferência de tecnologia, e a gestão paulista tenta erguer recursos para dobrar a habilidade de produção anual para 120 milhões de doses.

A terceira frente para garantir vacinas no Brasil é a participação no Covax, que visa garantir acesso rápido e justo à imunização contra a covid-19 para todos os países. A iniciativa, que envolve governos, entidades privadas e laboratórios farmacêuticos, pretende investir em várias candidatas e diversificar o risco de investir em somente uma potencial vacina que acabe não passando nos testes.

Para Toscano, do grupo de trabalho da OMS, o Brasil está bem posicionado com essas três frentes de atuação, além de contar com outros pontos estratégicos: a enorme habilidade nacional de produção de vacinas e um sólido programa nacional de imunizações, com histórico bem-sucedido de introdução de novas vacinas na população.

A perspectiva mais otimista, segundo ela, é que pelo menos 1 dessas 5 vacinas em período três de testes esteja disponível a partir de maio de 2021.

Vale recordar que a eventual aprovação de vacinas poderia levar ao que se chama de imunidade coletiva , encontra poucas possibilidades, quando uma parte expressiva da população fica imune e o vírus de se disseminar.

Mas isso não encarnaria o fim da pandemia nem evitaria a transmissão do coronavírus por meses ou anos. É possível, por exemplo, que uma vacina aprovada evite que uma pessoa desenvolva maneiras graves da enfermidade, mas não a impeça de contrair o vírus.

“Provavelmente o que vai ocorrer é que vai haver várias vacinas e nenhuma delas vai ser uma solução. Todas as vacinas vão ter restrições, em termos de número de pessoas que podem auxiliar, em termos de conseqüência colaterais”, alegou Haass, do Council on Foreign Relations.

“Minha previsão é que mesmo quando uma ou mais vacinas estiverem disponíveis, ainda deveremos continuar a conservar distância social, utilizar máscaras e lavar as mãos e todo o resto dos cuidados. As pessoas exageram nas implicações que as vacinas vão ter. Uma vacina não vai nos resgatar do vírus”, adicionou.

Segundo a agência de notícias Reuters, experts estimam que a habilidade mundial de produção é de 2 bilhões de doses de vacinas eficazes contra a covid-19 até o fim de 2021, isso caso se aprovem várias de as candidatas em período final de testes.

Há dois percursos para um país obter sua fatia. O primeiro é buscar, sozinho ou em bloco, acordos bilaterais com fabricantes. O segundo é integrar uma aliança internacional que visa a distribuição igualitária dessas doses.

“Se você tentar vacinar os Estados Unidos e a União Europeia completos, por exemplo, com duas doses de vacinas, você vai precisar de quase 1,7 bilhão de doses. Não sobrará nada para os outros”, alegou à Reuters o epidemiologista Seth Berkley, chefe-executivo da acoalizãointernacional de vacinas Gavi e um dos líderes da iniciativa Covax, se considerarmos o número de doses disponíveis.Para Berkley, se 40 países obtiverem vacina e outros 150, não, a pandemia incendiará nesses lugares. Por isso, a meta da Covax é garantir 2 bilhões de doses para imunizar 20% da população dos países envolvidos, parte delas a custos acessíveis. A parceria Astrazeneca-Oxford reservou 300 milhões de doses para a aliança, por exemplo.

Segundo Alves, há uma subnotificação aproximada de 40% ao todo de óbitos.

Na terça-feira 14 de julho nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, foram vistos utilizando máscaras em público pela primeira vez.

Há 78 países interessados em investir recursos na Covax, entre eles Brasil, Reino Unido e Japão, e outras 92 nações mais pobres que seriam subvencionadas. Grandes economias como EUA, China, União Europeia e Rússia sinalizam que não têm que aderir à caliança

Quando nações pretendiam imunizar suas populações inteiras, teme-se que ocorra na pandemia atual um agravamento do que aconteceu em 2009 com a H1N1 em vez de respeitar a orientação internacional de vacinar os mais vulneráveis em todos os países.

A compra excessiva de vacinas e remédios levou países europeus à época a tentar descartar vender seus estoques encalhados, entre outros motivos porque a campanha de vacinação não teve a adesão esperada. Criticou-se Nicolas Sarkozy o governo de o então presidente de Francia foi duramente criticado por inimigos.

O Reino Unido também havia encomendado o suficiente para imunizar a população inteira do país, 132 milhões de doses, mas nem todas se as usaram em o país. O mesmo vale para os EUA, que encomendaram inicialmente 250 milhões de doses.

A diferença é que a H1N1 era menos severa que a covid-19, e a indisponibilidade provisória teve efeito diminuído em infecções e mortes. Diferentemente do que pode ocorrer na pandemia atual.

Para a organização não governamental Médicos Sem Fronteiras, acordos bilaterais como a reserva de 90 milhões de vacinas contra a covid-19 feitas pelo Reino Unido cooperam com a “tendência arriscada do patriotismo de vacinas”.

A entidade em nota alegou: “Isso não somente vai diminuir os estoques mundiais de vacinas para grupos vulneráveis de países pobres como também mina os esforços mundiais para organizar suprimentos de vacina a fim de garantir que sejam vacinados primeiro os grupos prioritários de todos os países”.

Outros temem que a enorme pressão pelo desenvolvimento de vacinas pode levar governos como o de Trump a começarem campanhas de imunização em massa em personalidade emergencial sem atender a todos os pré-requisitos de segurança e efetividade.

Segundo o jornal The New York Times, membros da campanha de reeleição de Trump chamam de “santo graal” a aprovação de uma vacina antes da eleição em 3 de novembro. O governo de America descartou qualquer suposição de agilizar esse processo sem respeitar exigências técnicas.

Faz 4 meses, a OMS divulgou um documento com diversos critérios para a autorização de uma vacina, em cenários preferíveis e admissíveis, em abril. Espera-se, por exemplo, que uma efetividade de mais de 70% dos vacinados, mas seriam aceitas demonstrações claras de que ao menos 50% dos vacinados ficam de fato imunizados. Outro ponto é a duração dessa proteção: espera-se pelo menos 1 ano, mas aceitaria-se um fase de seis meses.

Faz 11 anos, registrou se o primeiro caso de H1N1 oficialmente em o México. Dois meses depois a enfermidade seria classificada como pandemia pela Organização Mundial da Saúde, a primeira desde 1968. A classificação se deu mais pelo espalhamento da enfermidade em diversos lugares ao mesmo tempo do que por sua gravidade, considerada moderada à época.

Os vírus influenza do grupo A, do qual o subtipo de H1N1 identificado em 2009 faz parte, padecem mutações frequentes e produzem novas cepas contra as quais não temos imunidade. Em quatro meses, havia casos registrados em mais de 120 países.

Faz 10 meses, a primeira campanha de vacinação aconteceu em outubro de aquele ano. No Brasil, a imunização massiva iria de março a maio de 2010.

Fernando Spilki explica que a prioridade natural na época da distribuição de vacinas era para países que enfrentariam o inverno, estação considerada alta temporada de gripes porque o vírus influenza sobrevive mais no frio e as pessoas costumam passar mais tempo em lugares fechados, entre outros fatores. Fernando Spilki é presidente da Sociedade Brasileira de Virologia.“Em 2009 o pico do número de casos foi ao redor de maio-junho na maior parte do Brasil e entre julho e agosto na região Sul. Em outubro, a situação já estava bem mais controlada e realmente se esperava o regresso de uma atividade mais alto do vírus, com novas ondas no ano seguinte”, explica Spilki.

Faz 10 anos, segundo ele, a vacinação em massa em o Brasil teve um papel expressivo em a diminuição de a magnitude de as ondas de infecções e 2011.

Ao preço de R$ 1,8 bilhão em valores atuais, o plano de imunização brasileiro contra o H1N1 incluía doses importadas e produzidas pelo Instituto Butantan, em São Paulo.

Seriam imunizados 80% dos grupos prioritários, que adicionavam 92 milhões de pessoas divididas em cinco períodos nesta ordem:

Por outro lado, o Brasil também participaria como doador de uma iniciativa pioneira organizada pela Organização Mundial da Saúde, a primeira resposta internacional contra uma pandemia de gripe para garantir recursos a países mais pobres.

Faz 11 anos, se as distribuiu 78 milhões de doses, houve um pleito inicial de 200 milhões de doses a países e laboratórios doadores, mas em o fim de as contas, quase %70 de para países de a África e de o Sudeste Asiático, em 2009.

Desde aquele mês, o Ministério da Saúde tem dado destaque ao número de recuperados. Naquela ocasião, chegou inclusive a postar diariamente o que chamou de Placar da Vida, com dados atualizados de «brasileiros salvos».

A soma seria o suficiente para imunizar 10% da população dos países beneficiados e também para auxiliar a conter novas ondas de infecção.

A pandemia de H1N1 chegaria ao fim em agosto de 2010. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA , a enfermidade matou entre 151 mil e 575 mil pessoas no primeiro ano de disseminação, sendo 80% das vítimas com menos de 65 anos.

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Fonte: BBCBrasil-pt

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Vacina contra coronavírus: Por que países ricos imunizaram antes contra H1N1 e como vai ser desta vez
>>>>>Por que número de recuperados não indica sucesso na luta contra pandemia do coronavírus – August 10, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>Flexibilização da quarentena contra coronavírus põe Curitiba na rota do colapso, diz estudo – August 06, 2020 (BBCBrasil-pt)

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