Por: SentiLecto

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Os dias em uma área de isolamento em uma clínica pública de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foram os últimos momentos do talento de casa Germaine Herculano dos Santos, de 43 anos, ao lado da filha Kamilly Ribeiro, de 17 anos.

Faz 2 meses, internou se mãe e filha em um posto de saúde em Xerém, distrito de Duque de Caxias após exibirem quadro suspeito de covid-19. Na unidade de saúde, permaneceram isoladas juntas. Se as encaminharam dois dias depois para o Hospital Moacyr do Carmo, em a mesma cidade.

Germaine, que faz parte do grupo de risco por ser hipertensa, se recuperou dias depois e recebeu alta. Kamilly, que não tinha nenhuma enfermidade pré-existente e não se enquadrava entre os pacientes de risco, exibiu complicações graves e não resistiu.

«A minha filha era totalmente saudável, jamais ficava doente. Desde o princípio, sempre achava que ela fosse se recuperar. Jamais pensei que ela seria vítima desse vírus», declara Germaine à BBC News Brasil.

Kamilly fez parte de um grupo pequeno em meio à pandemia do novo coronavírus: o de jovens saudáveis com complicações graves em decorrência da covid-19.

«É uma estratégia que faz parte de uma campanha de desinformações. Essa campanha dos bolsonaristas também costuma argumentar que os governadores estão ampliando números de mortos, que as clínicas estão vazios e que a cloroquina é eficaz «, completa Ortellado.

Estudos assinalam que os pacientes sem comorbidades e com menos de 50 anos correspondem a menos de 1% das pessoas em estado grave em decorrência do Sars-Cov-2, nome oficial do novo coronavírus. Quanto mais jovem, menos chances de apresentar complicações.

«Os médicos ficaram surpresos com o caso da minha filha. Não sabiam mais o que fazer, porque ela não tinha nenhum problema de saúde antes. Infelizmente, é algo difícil de compreender», diz Germaine.

Os casos mais graves habitualmente acometem pessoas idosas ou com enfermidades pré-existentes, como hipertensão, diabetes, cardiopatias, entre outras.

Histórias como a de Kamilly, segundo estudos ainda incipientes, podem ser explicadas por particularidades genéticas que influem o modo como o coronavírus afeta o organismo do paciente.

«O nosso sistema imunológico é o culpado por definir se responderemos bem ou não ao Sars-Cov-2. Em geral, esse sistema está afetado em pessoas com comorbidades ou idosas, por isso estão nos grupos de risco. Mas em alguns casos raros, o sistema imunológico tem um equívoco pontual crítica mesmo sem comorbidades conhecidas e, por isso, a pessoa acaba desenvolvendo um quadro grave ou até falecendo em decorrência do coronavírus», declara o médico infectologista Alexandre Naime em Botucatu . Alexandre Naime é chefe de Infectologia da Universidade Estadual Paulista .

Faz 2 meses, em o começo Germaine acompanhava diariamente o pai, de 71 anos, em uma clínica pública de a Baixada Fluminense. O idoso havia padecido um Acidente Vascular Cerebral e estava internado. «A minha mãe também é idosa e meu irmão não mora no Rio de Janeiro. Então, eu era a única pessoa que poderia acompanhá-lo»,declarazoatalentoa de casa.

Kamilly ficava em casa para cuidar do irmão mais novo, de três anos. A jovem também passava parte dos dias se dedicando aos estudos e sonhava em cursar Medicina.

Faz 2 meses, de março, Germaine começou a exibi problemas de saúde, por volta do fim de a segunda semana. Declara: «Tive calafrios pelo corpo, tremedeira, arrepios e febre». Se a diagnosticou com pneumonia, ela foi a uma unidade de saúde da região, passou por exames e. «Declararam que não era coronavírus e sequer fizeram testes. Como ainda era algo novo, eu não tinha muita informação sobre o tema e fui para casa», detalha.

Faz 2 meses, confirmou se o primeiro caso de o novo coronavírus em Duque de Caxias Hoje, o município tem o segundo maior número de mortos no Rio de Janeiro, atrás somente da capital. Até o momento, são mais de 185 óbitos por covid-19 na cidade.

Germaine ficou de repouso em casa, enquanto tomava os remédios para a suposta pneumonia. Kamilly auxiliava a mãe o dia completo. A adolescente reclamava de dores nas costas, mas não provava preocupação com o problema. «Depois, ela começou a tossir e teve muita febre. Com o passar dos dias, a situação foi piorando. Demos remédios para gripe para ela, mas nada melhorava», relata o talento de casa.

«É bastante bom comemorar os recuperados. Mas é errado mencionar isso como se fosse um dado positivo e que mostra a realidade do país. Enquanto as mortes ampliam cada vez mais, é falacioso passar a ideia de que estamos tendo controle da enfermidade «, adiciona Tessler.

Faz 2 meses, Kamilly foi a um posto de saúde junto com o pai, o barbeiro José Antônio dos Santos, em 23 de março. Na unidade, passou por raio-X, que mostrou que o pulmão dela estava comprometido e tinha aspecto semelhante ao de pacientes com a covid-19. Os médicos logo pediram que a jovem fosse isolada e permanecesse na clínica. Germaine, que estava em casa, foi aa clínica para levar roupas para a filha e a equipe médica também a examinou — o marido dela e o filho caçula não exibiram sintomas.

«Notaram que estava comprometido com o dela, quando viram meu pulmão. Nós duas fomos colocadas em um quarto em isolamento», relata.

O talento de casa critica o atendimento que recebeu nos primeiros dias. «Parecia que tinham medo de ficar perto da gente, mesmo com os equipamentos de proteção. Nós chamávamos e ninguém nos atendia. Teriam que ter mais empatia.»

Se levou mãe e filha posteriormente, para o Hospital Moacyr do Carmo, onde permaneceram isoladas. As duas receberam o mesmo tratamento, que incluiu cloroquina.

Eleitora de Jair Bolsonaro, Germaine alega não ter opinião formada sobre a resolução do presidente em determinar que o Ministério da Saúde oriente a utilização da cloroquina em pacientes com a covid-19. «Não sou médica, nem pesquisadora, então não posso declarar. Quem precisa definir isso são os cientistas. Há muitas coisas que ele declara e eu não consinto», diz, apesar de ter votado no Bolsonaro.

«Mas quando declaram que minha filha faleceu mesmo utilizando cloroquina, não gosto. Eu também utilizei e sobrevivi. Não dá para falar que foi o remédio que me resgatou, nem que a prejudicou. Penso que temo que seguir o que declaram os estudiosos da área», declara Germaine.

Recentemente, a Organização Mundial de Saúde interrompeu os estudos com a cloroquina em pacientes com a covid-19, após diversas pesquisas assinalarem riscos na utilização do remédio. Apesar disso, o Ministério da Saúde informou que vai continuar recomendando o medicamento, ao menos por enquanto.

Kamilly piorava, enquanto Germaine exibia melhora. «Ela tinha muita falta de ar. Me desesperei quando a minha filha começou a vomitar sangue. Eu chamava por ela, mas ela não respondia. Comecei a bater no vidro do quarto para chamar os médicos», relata a mãe. Levou-se a adolescente para a Unidade de Terapia Intensiva, onde foi intubada. «Vi a minha filha pela última vez quando a levaram para a UTI. Não imaginava que aquele seria o nosso último momento», declara.

Os médicos que acompanharam a adolescente não esperavam que ela fosse ter um quadro tão grave, segundo Germaine. «Frequentemente, se ela tinha alguma comorbidade e eu sempre, me perguntavam respondia que não. Fizeram vários exames de sangue nela e nenhum assinalou qualquer enfermidade pré-existente», relata.

O talento de casa conta que os profissionais que acompanharam a adolescente não souberam explicar os motivos que levaram Kamilly a exibi quadro altamente grave da covid-19.

Os estudos iniciais assinalam que as mortes de jovens saudáveis por covid-19 podem estar relacionadas, principalmente, à ptendênciagenética.

«Pode haver casos de pessoas com susceptibilidade genética a infecções pontuais. Todos nascemos com um código genético, o DNA, que traz um roteiro de respostas a diferentes estímulos, tanto bons quanto ruins na vida. Isso define se o organismo da pessoa vai ou não ter uma resposta a determinados patógenos», explica o infectologista Alexandre Naime.

O médico pontua que há casos de jovens saudáveis que falecem por influenza ou outras doenças que raramente afetam os mais novos. «Tudo depende da sequência genética da pessoa. Nisso está codificado quais respostas ela terá em termos de anticorpos e ação celular quando for exposta a diversos patógenos. Se os chamam de memória imunológica, são códigos que nascem com a pessoa e.»

Pesquisadores estudam quais outros pontos, além da tendência genética, podem fazer com que o Sars-Cov-2 afete gravemente alguns jovens saudáveis. Tais estudos são importantes também para auxiliar no descobrimento de novos tratamentos para a covid-19.

Apesar de ser hipertensa, Germaine teve uma boa recuperação e recebeu alta hospitalar sete dias após ser internada. Isolada em casa, ela passava os dias inquietada com a filha.

Nos primeiros dias intubada, Kamilly exibiu melhora e respondeu bem aos remédios. Em seus últimos dias, porém, a adolescente piorou. Faz 1 mês, Kamilly não resistiu, em 14 de abril após 20 dias internada. Na certidão de óbito da jovem consta que ela teve choque séptico, pneumonia e infecção por covid-19 — o exame da jovem, feito enquanto ela estava, logo após a internação, ficou pronto intubada.

«Eu comecei a chorar e a berrar, quando me contaram que ela faleceu desesperada. A minha filha só tinha 17 anos. Como pode, né? Ela era saudável. Eu achava que eu, hipertensa, tinha mais possibilidades de falecer que ela. Eu senti um vazio bastante grande. A morte dela me trouxe uma sensação de impotência diante da vida. A gente não tem controle de nada», desabafa Germaine.

Faz 1 mês, Dias antes, o talento de casa deveu lidar com outra perda : a morte de o pai em decorrência de o AVC que padecera em o começo de o ano.

O talento de casa não participou da cerimônia de despedida do pai, assim como também não conseguiu se despedir da filha. Ela ainda exibia sintomas da covid-19 e se a orientou a permanecer isolada em casa.

Recuperada da covid-19, o talento de casa tenta recomeçar a vida. «Às vezes ainda tenho uma crise de choro. Nós estamos padecendo bastante. Precisamos seguir em frente, mas está sendo bastante difícil. A morte dela foi uma amargura enorme. A gente tinha esperança de que ela voltaria para casa», declara.

Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: SLIGHTLY NEGATIVE

Countries: Brazil

Cities: Duque De Caxias, Botucatu

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>’Eu e minha filha de 17 anos fomos internadas com covid-19. Sou hipertensa e sobrevivi. Ela era saudável, mas faleceu’
>>>>>’Placar da vida’ do governo estimula negacionismo por omitir realidade trágica da covid-19, dizem especialistas – (BBCBrasil-pt)

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