Por: SentiLecto

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Winter não sabe, mas uma equipe de cientistas tem a esperança de que ela se torne uma heroína e auxilie a humanidade.

Essa lhama, que vive em rancho de um laboratório da Bélgica, guarda em suas células um elemento que pode ser promissor no tratamento contra a covid-19, enfermidade provocada pelo novo coronavírus.

A boa notícia é que é possível recuperar tanto o sentido do olfato quanto o do paladar. As células basais, responsáveis ​​pelos neurônios sensoriais olfativos, cuidam disso no nariz.

Uma pesquisa recente feita em laboratório revelou que uma espécie de anticorpo desenvolvido pelas lhamas pode lutar de forma efetiva a infecção provocada pelo Sars-Cov-2, nome oficial do novo coronavírus. A pesquisa, porém, ainda está em período inicial e pode tardar para ser deduzida. E, para que um medicamento se torne realidade, o anticorpo precisa ser testado em humanos, o que não deve ocorrer tão cedo. Os pesquisadores se sentar-se otimistas, informou o cientista Daniel Wrapp, que atua no Departamento de ciências moleculares da Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos, à BBC Mundo. , e é o principal autor do estudo.

Na sua vez, ainda que não se saiba ainda o nível de expressão das proteínas ACE2 e TMPRSS2 nas papilas da língua, é provável que o vírus contagie as papilas gustativas da mesma maneira que faz no nariz.

Mas afinal, o que faz a Winter ser tão especial na luta contra o novo coronavírus?

Faz 4 anos, quando ela tinha somente meses de vida, a história com a lhama Winter iniciou.

Na época, cientistas da Universidade de Texas e da Universidade de Gante, na Bélgica, selecionaram Winter para investigar o Sars-Cov-1 e o MERS-Cov, que são coronavírus da mesma família do Sars-Cov-2.

Quando o sistema imune das lhamas detecta um invasor externo, os estudiosos descobriram que como um vírus ou uma bactéria, o seu organismo produz um anticorpo do tamanho de um quarto da espécie de anticorpo que é desenvolvido pelos humanos.

Por isso, os cientistas os chamam de «nanocorpos». Outros camelídeos, como alpacas e os camelos, também desenvolvem nanocorpos.

Os tubarões também desenvolvem esses elementos. Porém, é mais fácil lidar com uma lhama do que com um tubarão, explica Wrapp.

O sistema imunológico dos humanos não produz esses nanocorpos. O benefício dos nanocorpos é que em razão do tamanho, se agarram mais facilmente às proteínas do coronavírus, que fazem com que o Sars-Cov-2 ataque as células do corpo humano.

Na experiência de 2016, os investigadores injetaram as proteínas que envolvem o Sars-Cov-1 e o MERS-Cov em Winter e notaram que os nanocorpos desenvolvidos pela lhama mostraram uma boa habilidade para deter a infecção do Sars-Cov-1.

Quatro anos depois, diante da pandemia do novo coronavírus, Wrapp e sua equipe fizeram novas experiências para ver quão efetivos seriam os resultados dos nanocorpos contra o Sars-Cov-2.

Inspirados nos nanocorpos de Winter, Wrapp e sua equipe desenvolveram uma espécie de anticorpo para enfrentar o novo coronavírus.

Os resultados iniciais dos testes assinalam que o nanocorpo pode neutralizar a proteína do Sars-Cov-2 que agride o organismo humano.

Wrapp declarou: «Esperamos que esse anticorpo possa servir como um tratamento para diminuir a carga do novo coronavírus e os sintomas da covid-19».

Este descobrimento pode levar à criação de um tratamento no qual sinjetam-se os anticorpos em uma pessoa saudável para que ela se proteja de um possível contágio por o novo coronavírus.Esse tratamento também pode fazer com que uma pessoa já contagiada receba os anticorpos e seus sintomas da enfermidade sejam menores.

Essa proteção imediata, declaram os pesquisadores, seria uma grande vantagem para as pessoas que, algumas vezes, não respondem efetivamente às vacinas. Também podem beneficiar trabalhadores da saúde que estão em constante risco de contágio.

De acordo com Wrapp, não é bastante habitual fazer experiências com lhamas. No entanto, o objetivo do estudo era analisar um animal que gerasse uma resposta imune distinta à dos humanos.

Agora que já sabem que os nanocorpos das lhamas mostram resultados promissores, Wrapp e sua equipe se preparam para iniciar as provas com outros animais como porquinhos da índia ou primatas, mais parecidos com os humanos.

Rapp iz: «Se tudo sair perfeito e chegarmos à etapa de fazer provas em humanos, poderemos ter uma droga aprovada em um ano»,.O processo de passar de uma prova de laboratório para ensaios em humanos pode tardar vários anos, mas em meio à pressão cprovocadapelo novo coronavírus, o pesquisador acredita que esse procedimento pode aocorrerem tempo recorde.

Declara: «Desejamo assegurar que temos algo seguro e efetivo antes de aplicarmos em humanos». «É preciso ser cuidadoso, porque há uma grande diferença entre ensaios em um laboratório e a resposta imune entre os humanos».

Matthew DeLisa em Nova York, alega que o estudo com a lhama «tem um enfoque distinto». Matthew DeLisa é diretor do Instituto de Biotecnología da Universidade de Cornell.

«É certo que as lhamas não são os animais mais habituais em estudos experimentais. Porém, nos últimos anos elas se tornaram bastante populares como fontes de anticorpos, especialmente por conta dos nanocorpos», declara DeLisa, que participa desses estudos, à BBC Mundo.

DeLisa, no entanto, evidencia que há «um longo percurso pela frente» para que se aprovem esses anticorpos em tratamentos com humanos.

«Essa não é uma terapia norma. É preciso provar que é seguro e eficaz utilizar anticorpos de lhamas em humanos», declara o pesquisador. Segundo ele, as pesquisas têm que ir além dos testes in vitro — período preliminar das pesquisas, em ambientes controlados e fechados de um laboratório.

«Não é suficiente que seja somente uma equipe para encontrar os nanocorpos. Necessitamos que haja muitas equipes desenvolvendo muitas espécies de anticorpos, com a esperança de que ao menos um seja útil contra o novo coronavírus», diz.

Winter, hoje com quatro anos, segue pastando tranquilamente nos campos da Bélgica, enquanto os cientistas progridem nos estudos de anticorpos contra o novo coronavírus.

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Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: POSITIVE

Countries: United States, United Kingdom, Belgium

Cities: York, Austin

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Winter, a lhama que pode auxiliar na busca por uma cura para a covid-19
>>>>>Sintomas do coronavírus: a razão médica pela perda de olfato e paladar provocada pela covid-19 – (BBCBrasil-pt)

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