Por: SentiLecto

Uma pesquisa inédita, que mapeou grupos criminosos no Rio, revela que as milícias já dão as cartas em um quarto dos bairros da capital, que, adicionados, ocupam 57,5% do território do município e onde moram mais de 2 milhões de cariocas. Os bairros com ação criminosa exclusivamente de paramilitares têm uma área quase quatro vezes maior do que aqueles onde atua somente o tráfico. De acordo com o “Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro”, as três quadrilhas de traficantes, adicionadas, comportar-se em bairros que perfazem 15,4% da área total da cidade. O estudo é fruto de um pacto entre o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF, o datalab Fogo Cruzado, o Núcleo de Estudos da Violência da USP, a plataforma digital Pista News e o Disque-Denúncia.

Registrou-se a ação de milicianos os bairros em que exclusivamente têm 686,75 quilômetros quadrados de área — o território total de o Rio de Janeiro é de aproximadamente 1.200 quilômetros quadrados. Já as três facções do tráfico atuam, cada uma, em 11,4%, 3,7% e 0,3% da área do município. A área total dos bairros onde comportar-se traficantes é de cerca de 185 quilômetros quadrados. Pouco mais de um quarto do território de Cariacica está em disputa entre tráfico e milícia; constatou-se a ação de qualquer grupo criminoso e em somente %1,9 não .

Faz 1 ano, para chegar a os resultados, os pesquisadores analisaram um total de 37.883 acusações que indicam a ação de milícias ou facções de o tráfico de drogas. A partir daí, seguiu-se uma triagem das acusações para validação, compondo uma base de dados divididos entre os quatro grupos armados que comportar-se no Rio , utilizando três conceitos-chave: controle territorial, controle social e atividade de mercado.

O levantamento considerou a área total dos bairros. O mapa do crime será arremessado oficialmente nesta segunda-feira , na abertura do 1º Seminário da Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança e Direitos – Milícias, Grupos Armados e Disputas Territoriais no Rio de Janeiro.

O trabalho teve a participação do professor de Sociologia da UFF Daniel Hirata, coordenador do Geni. Segundo ele, era previsível um resultado que mostrasse força da milícia, mas não se esperava um domínio tão imponente.

— Para a gente foi admirável, acima do que imaginávamos. Mesmo a milícia sendo o grupo armado mais recente, ao menos considerando o seu formato atual, ela conseguiu aumentar a extensão do seu domínio dessa maneira — alega Hirata.

Hiroshi Hirata 平田 弘史, é um mangaká japonês especializado em mangás cujo conteúdo realista e violento é destinado a um público adulto – sobre a vida dos samurais e do bushido.

O pesquisador realça a característica dos dados da Disque-Denúncia, não só pelo volume, mas pelos detalhes — já que as fontes são os próprios habitantes — e pela capilaridade. Para Hirata, a expansão das milícias é um assunto que teria que ser mais abordado no fase eleitoral, pois são quadrilhas que se aproveitam em grande parte do mercado legal e regulamentado pelo município, em especial o imobiliário e de transporte, para se alavancar financeiramente.

— As milícias se movem na penumbra entre a legalidade e a ilegalidade, o que justificaria um trabalho profundo de inquérito — explica Hirata, que adiciona que houve diversas citações à acoalizãoentre milícia e uma das facções de tráfico nas dacusações — Mas as milícias têm uma série de “benefícios” sobre o tráfico, como a diversificação de atividades, o mercado de proteção, com o discurso de segurança, que favorece a extorsão e a conivência de agentes e órgãos públicos. É uma combinação que auxilia a compreender esse enorme controle territorial.

Apesar de ainda existir sob a maneira de células e franquias, a milícia anda para um projeto de comando único no Rio, promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio, Fabio Correa analisa que.

— O projeto é se tornar uma estrutura só. Ao mesmo tempo em que a milícia é bastante pulverizada, ela está em expansão, visando a um projeto de comando único. A sua origem histórica, na Baixada Fluminense, vem dos grupos de extermínio, em que o modelo de negócio se baseava em grupos que ora se separavam, ora se consorciavam. Já na Zona Oeste, vemos um cenário hoje mais uniforme, e é a partir daí que ela aumentou na direção da Baixada, cooptando ou se impondo aos grupos pré-existentes — explica o promotor, que participou em 2018 da Operação Freedom, uma das primeiras a agredi a atuação de milicianos em Itaguaí, local onde aconteceu o confronto da última quinta-feira , quando 12 suspeitos de integrarem um grupo paramilitar concluíram mortos.

Correa também realça que a coalizão com o tráfico de drogas beneficia os dois lados, pois a milícia aumenta sua fonte de renda, enquanto o tráfico passa a vender em outros bairros. Por outro lado, o sociólogo da UFRRJ José Claudio Alves, expert na pesquisa sobre grupos paramilitares, alega que a milícia lidava com o tráfico de drogas desde o princípio de sua formação. Na sua opinião, a definição de “narcomilícia”, termo que vem se espalhando para ilustrar a coalizão entre traficantes e milicianos, é impulsionada pelos próprios policiais, como maneira de descolar a imagem da estrutura policial da milícia.

A informação consta de um testemunho prestado à Polícia Civil por André Vitor de Souza Corrêa, o Dufaz, comparsa dos milicianos. O relato de Dufaz foi fundamental para a condenação do o sargento Antônio Carlos de Lima comparsa de Benê O sargento Antônio Carlos de Lima é o Toinho., e outros 25 integrantes da milícia de Itaguaí em maio deste ano. Benê, foragido, ainda não havia sido julgado. Faz 1 ano, sete dias após a primeira audiência de o processo, a milícia executou Dufaz, em 28 de fevereiro de 2019.

— O nascedouro da milícia é a estrutura da polícia, então arremessar a imagem de “narcomilícia” joga no colo do traficante esse grupo coordenado. E é isso que justifica uma operação que mata 12 pessoas, por exemplo. Nós jamais tivemos uma operação tão violenta contra a milícia — declara Alves. — As milícias fazem propaganda como se lutassem as drogas, mas na verdade sempre negociaram e operaram junto do tráfico.

— A do flanelinha é, por exemplo, de R$ 10 por semana. A taxa cobrada da tia da pipoca é de R$ 15. Uma farmácia deve dar R$ 500.— Antes de chegar à PRF, tem um desvio. Para não passar em frente ao posto, eles desviavam por essa via secundária. Chegamos a montar quatro ou cinco operações dessas, mas só hoje ocorreu. Na hora que eles pegaram a bifurcação, nós fechamos a via secundária e eles ficaram encurralados — relata Oliveira.

O sociólogo alega que são pelo menos 15 anos de expansão e consolidação dos grupos paramilitares, sem contar núcleos locais mais antigos, como em Duque de Caxias e Rio das Pedras. Sobre a geopolítica atual, ele realça que Itaguaí é um vértice para dois corredores específicos, um da Zona Oeste e outro da Baixada . Dentro desses corredores, há regiões ainda em disputa, mas com ascensão recente e notória da milícia, como Praça Seca e Nova Iguaçu.

— O Porto de Itaguaí é o vértice desses dois eixos e serve como estrutura que internacionaliza esse crime coordenado, o lança para grandes negócios. É um ponto estratégico para contrabando de qualquer mercadoria ou drogas, fora a utilização para lavagem de dinheiro no exterior, o que dificulta seu rastreamento, como fez a máfia de Italia — explica o expert.

Mais de 2 milhões de cariocas moram em bairros onde há atuação da milícia

Segundo o testemunho que foi a sentença de morte de Dufaz, Toinho e Benê chefiavam todas as atividades da milícia “como extorsões, aquisições de armas de fogo, munições e equipamentos, aquisição de veículos clonados, participando de todas as resoluções tomadas”. Segundo o inquérito da Polícia Civil que concluiu na condenação do sargento, os dois replicaram o modelo da milícia de Campo Grande em Itaguaí, na Baixada, cobrando taxas de habitantes, matando oponentes e buscando a venda de gás, gatonet e transporte alternativo.

Os grupos paramilitares também já superam as facções do tráfico, quando se analisa o número de cariocas que vivem em bairros com atuação de traficantes ou milicianos. Aproximadamente um terço da população do município do Rio, o equivalente a 2.178.620 moradores, vive em áreas onde as milícias atuam.

Já o tráfico atua em bairros onde vivem 1.584.207 pessoas, ou 24% da população da cidade. Analisando-se cada uma das três facções, os números são os seguintes: 1.198.691 habitantes ; 337.298 ; e 48.218 moradores . Cerca de quatro em cada dez cariocas —2.659.597 habitantes — residem em territórios ainda disputados pelas organizações criminosas.

O estudo também expandiu a análise para a Região Metropolitana. E o quadro não é bastante diferente. Considerando o número de moradores, mais uma vez o benefício é dos milicianos, com 3.603.440 pessoas vivendo em territórios onde os paramilitares atuam. A maior facção do tráfico tem hegemonia numa área povoada por 2.981.982 habitantes , seguida das outras duas facções, que comportar-se em bairros com 445.626 e 48.232 moradores. Pouco mais de 4,4 milhões de fluminenses habitam em bairros que ainda são alvo de disputa entre milicianos e traficantes.

De acordo com o mapa, as milícias apenas são superadas quando o assunto é o número de bairros dos municípios da Região Metropolitana sob ação de cada grupo criminoso. Milicianos têm hegemonia em 199 bairros da região , contra 216 da maior facção do tráfico; 27 da segunda maior facção e três do terceiro grupo de traficantes de drogas . Outros 165 bairros permanecem alvo da disputa dos grupos armados.

Força-tarefa da Polícia Civil

Durante o inquérito, foi descobrimento a movimentação da Zona Oeste para a Baixada Fluminense de milicianos que fazem parte do bando de Wellington da Silva Braga, o Ecko, um dos criminosos mais procurados do estado. Na última quinta-feira , agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais , da Polícia Civil, e da Polícia Rodoviária Federal se posicionaram às margens de uma saída da Rio-Santos, em Itaguaí, para abordar um comboio de quatro carros com milicianos. As ladrinhas dispararam e houve confronto. Doze suspeitos foram mortos. Entre as armas apreendidas com eles, havia três metralhadoras e cinco fuzis.

Fonte: Extraoglobo-pt

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Countries: Portugal, New Zealand, Brazil

Cities: Wellington, Porto, Duque De Caxias

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Área de atuação da milícia já supera a do tráfico na capital, mostra o ‘Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro’
>>>>>Cabo Benê, chefe da milícia morto pela força-tarefa, teria fuzilado homem a mando de Ecko – (Extraoglobo-pt)
>>>>>Milícia cobra taxa semanal e malabaristas que se apresentam nos sinais de Campo Grande – October 18, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>Candidatos que atuam sozinhos em regiões dominadas pela milícia vão prestar esclarecimentos à polícia – (Extraoglobo-pt)
>>>>>>>>>Candidatos que atuam sozinhos em áreas de milícia vão prestar esclarecimentos à polícia – October 16, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>>>>>Saiba quem é Tandera, homem de confiança de Ecko, um dos milicianos mais procurados do Rio – October 16, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>>>>>>>>>Força-tarefa da Polícia Civil com a PRF intercepta comboio de milicianos em Itaguaí; mais de dez suspeitos são mortos – (Extraoglobo-pt)
>>>>>>>>>>>>>>>>>Força-tarefa da Polícia Civil com a PRF intercepta comboio de milicianos em Itaguaí; 12 suspeitos são mortos – (Extraoglobo-pt)
>>>>>>>>>>>>>>>>>Força-tarefa de combate às milícias é recebida a tiros de fuzis durante operação em Nova Iguaçu – (Extraoglobo-pt)
>>>>>>>>>>>>>Saiba quem é Tandera, homem de confiança de Ecko, miliciano mais procurado do Rio – October 16, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>>>>>>>>>Suspeito de integrar grupo tático de milícia de Nova Iguaçu é preso pela força-tarefa da Polícia Civil – (Extraoglobo-pt)
>>>>>>>>>Milícia de Ecko expandiu atuação para o Porto de Itaguaí, Mangaratiba e Angra dos Reis, segundo investigações – (Extraoglobo-pt)
>>>>>Chefe da milícia de Itaguaí é um dos 12 mortos em confronto com força-tarefa da Polícia Civil e PRF – October 16, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>Polícia Civil cria força-tarefa para investigar crimes políticos na Baixada após assassinatos de candidatos – (Extraoglobo-pt)
>>>>>>>>>Polícia Civil faz megaoperação para evitar que milicianos deem as cartas nesta eleição – October 16, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>>>>>Candidato a vereador é morto a tiros em Nova Iguaçu neste sábado – October 11, 2020 (Extraoglobo-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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