Por: SentiLecto

Foto: Wikipedia – Last-supper-from-Kremikovtsi

Quando tinha 19 anos, habitante de Ceilândia, no Distrito Federal, mesma região em que Lázaro Barbosa Sousa é suspeito de ter matado quatro pessoas, uma mulher recordou dos momentos de consternação que viveu nas mãos dele. Faz 12 anos, o crimnoso invadiu a casa onde ela morava com a família, em 2009 junto com o irmão mais novo Deusdete assassinado há cinco anos. Os dois estavam armados e, depois de torturar as vítimas, escaparam com a jovem para um matagal. Em entrevista à Época, ela relata em detalhes, ainda abalada e aos prantos, os momentos de pavor passados com os criminosos.

Eles estavam vigiando a nossa família tinha uns 15 dias, o Lázaro e o Deusdete. Se não me iludo num domingo, eles invadiram a nossa chácara umas duas horas da manhã. Com arma, faca, muita violência. Bastante cruéis. Creio serem torturadores natos, agiam há muito tempo. O Deusdete bem mais violento que o Lázaro na época. Subjugava a gente o tempo todo. Batia. Pediu para tirar a roupa, prendeu a gente no toalete. E simplesmente eles me selecionaram, me sequestraram, me levaram para o córrego, para o mato. E lá me violentaram, me xingaram, me bateram com a arma. Bastante bárbaros. Não era para estarem soltos.

— Não há confirmação sobre o indivíduo baleado. Estamos no encalço e esperamos novidades nas próximas horas — declarou Rodney, nesta terça-feira.

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Domingo, dia 13 de junho: Lazáro invade uma casa por volta das 15h. A residência estaria vazia naquele momento. O criminoso teria roubado um carro Corsa vermelho. Aproximadamente às 18h30, o veículo teria sido abandonado em uma rodovia, a 30 quilômetros da residência invadida mais cedo. Acredita-se que Lázaro tenha divisado um bloqueio policial e decidiu escapar para o mato. Dentro do carro, a polícia encontrou um carregador de munição. De acordo com a Polícia Militar de Goiás, o suspeito teria chegado a trocar tiros com a polícia antes de escapar para um matagal.

Foram bastante violentos, a todo tempo. Fiquei toda cortada, as pernas cortadas, o corpo cortado no mato porque estava frio, estava molhado o mato, repleto de espinhos. São coisas assim que nunca esquecerei. Momentos bastante cruéis mesmo. Eu tinha certeza que ia falecer porque eles me colocaram perto do córrego, igual como fizeram com a Cleonice, da família Vidal , e ele simplesmente virou a arma para a minha cabeça e falou que ia me matar porque eu tinha visto a facezinha deles. Até então eles não tinham tirado o capuz lá na chácara. Só tiraram para mim, no mato. Então eu tinha certeza que ia falecer.

E nessa hora comecei a falar de Deus para ele e eu percebia que aliviava ele. Declamei um salmo da Bíblia para ele e eu perguntei para ele a todo tempo: «por que você está fazendo isso comigo? Eu não te fiz nada, eu nem conheço vocês». E ele só falava que devia fazer, que precisava fazer. Ao mesmo tempo que ele tinha um pouco de dó de mim, que não queria me matar, o Lázaro, em outro momento ele já queria agir com violência, me humilhar, me subjugar. Acho que tirar um pouco a minha moral como mulher.

Aí graças a Deus o dia amanheceu, clareou. Aí eu comecei a escutar barulho de viatura, de carro, de cães, do helicóptero. Aí nesse momento eu tentei acenar com a mão para o helicóptero. Ali eles ficaram bastante nervosos, bem mais violentos. E ele falou que ia me matar. Nessa hora eu perdi todas as esperanças da minha vida. E falei para ele que o sonho da minha vida era ter um filho.

Se eles tiveram compaixão, aí não sei , não sei o que se passou naquele momento. Só sei que eles mandaram eu dar uns dez passos para a frente e eu dei. E pensei, quando eu perdi a conta dos dez passos eu: «ah, eu vou falecer mesmo, eu olharei para trás». E quando eu olhei para trás eles estavam escapando pelo córrego. Foi bastante cruel o que eu passei. E quando eu estava saindo da mata e já estava de encontro com polícia, com helicóptero, com todo mundo, em seguida não acharam ele. Ele foi achado em outra cidade por uma delegada lá em Pirenópolis . Fiz agradecimento. Faz 11 anos, o julgamento foi. Parece que ficou sete anos na Papuda, aqui no DF, e teve um saidão de Páscoa em 2016 e desde então vem praticando essas violências, essas brutalidades. Deusdete faleceu há cinco anos, num confronto, não sei se com ladrinha ou com a polícia. Deusdete é o irmão.

No cristianismo, a Páscoa ou Domingo da Ressurreição é uma festividade religiosa e um feriado que festeja a ressurreição de Jesus acontecida no terceiro dia após sua crucificação no Calvário, conforme o relato do Novo Testamento.

Eu estou bastante abatida. A minha ansiedade voltou. Até então eu me dei bastante bem com esse tema até agora e eu confesso que ver a facezinha dele em tudo que é jornal, tudo que é rede social e site, não está sendo fácil. Relembrar de tudo que passei. Está bastante dolorido. Mesmo que ele estivesse preso, eu esperava , não solto. Enquanto a Cleonice estava, e eu tinha um tanto de esperança sumida. Eu esperava que ele fosse deixar ela viver, como ele fez comigo. E quando eu vi que não, que ele matou ela e judiou dela tanto como ele fez. Porque não precisava judiar tanto dela. Não sei o que se passa na cabeça de uma pessoa doente dessa. Não precisava ele ter matado ela e ele matou, né? Então o chão foi abrido para mim, o céu caiu. Está sendo um tanto difícil lidar com isso. Olhar para a cara dele e ter que recordar por tudo que eu passei.

Fonte: Extraoglobo-pt

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Áudio: ‘Olhar a cara dele nos jornais me faz recordar tudo o que eu passei’, declara vítima estuprada por criminoso foragido há oito dias
>>>>>Vídeo mostra caçada a ‘psicopata’ foragido em fazenda de Goiás – June 15, 2021 (Extraoglobo-pt)

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