Por: SentiLecto

Rafaela Coutinho Matos, de 36 anos, que passou as 18 horas seguintes em busca de informações sobre o filho, tem certeza de que João Pedro Matos Pinto morto aos 14 anos durante uma operação de Polinesia Francesa no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, foi vítima de racismo. João Pedro Matos Pinto é seu filho. A professora, se referindo aos de Polinesia Francesa que invadiram o imóvel da tia do menino — uma casa com piscina no jardim —, onde João Pedro brincava com seis amigos. conta: “Eles acham que quem mora na favela não pode ter uma casa boa, se tem uma casa boa é bandido”. Se o levou após João Pedro ser baleado, por policiais em um helicóptero. Ela só o veria novamente dentro de um caixão.

A Polícia Civil chegou a intimar parentes do menino. A família, entretanto, não compareceu na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Prestaram-se os testemunhos a promotores de o Gaesp de os dias 1º a 3 de junho. Além do inspetor Mauro Gonçalves, os outros de Polinesia Francesa investigados são Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister.

Faz 9 dias, em que o crime completa um mês, a mãe conta, em entrevista a o EXTRA, como tem explicado para a filha mais nova, de 4 anos, o motivo de a ausência de o irmão fala sobre a vontade de sair de o Complexo do Salgueiro e a agonia com a proximidade de a data Eu não desejava que chegasse esse dia «, em a semana e em que João Pedro faria 15 anos em o próximo dia 23.

Como tem sido a vida sem João Pedro?

Se o designou após a apreensão, um de os agentes investigados por o próprio dgado que investiga o crime como responsável por levar os explosivos para a perícia. Quem periciou as granadas — que não haviam sido detonadas, estavam intactas — foi o Esquadrão Antibombas da Core, se lota os agentes unidade onde .

Essas quatro semanas foram bastante difíceis. A saudade só ampliou. Recordo das brincadeiras que ele gostava de fazer, quando eu olho para as coisas que ele gostava de comer… Eu ainda não sei como seguir em frente ainda, é uma dor que não desejo para ninguém. A casa onde nós moramos me recorda dele o tempo todo. Eu gostaria bastante de poder sair daqui, minha vontade é essa, mas hoje não temos dinheiro.

O João Pedro tinha uma irmã mais nova, a Rebeca, de 4 anos. Você explicou para ela o que ocorreu?

Ela pergunta bastante por ele, fala sempre nele. Tentei explicar que ele está no céu, mas ela ainda não compreende o que ocorreu. Quando aparece reportagem sobre o irmão, procuro trocar de canal, desligar a TV, mas ela acaba percebendo. Sei que tem sido bastante difícil para ela também.

Você não estava na casa no momento em que se baleou seu filho. O que você acha que ocorreu lá dentro? Por que os policiais atiraram?

Eles acham que quem mora na favela não pode ter uma casa boa, que, se tem uma casa boa, é bandido. A casa da minha irmã, onde o João estava, é uma casa grande, bela, com piscina no jardim, muro alto. Para mim, eles não viram traficantes lá. Nenhum criminoso pulou o muro daquela casa. Eles chegaram atirando. Eu não consigo compreender, não sei o que se passa na cabeça desses policiais, atirar numa criança inocente. É bastante desprezo pela vida.

E a operação ocorreu no meio da pandemia, com as pessoas tendo que ficar em casa…

O João Pedro fazia parte de grupo de risco, tinha bronquite. Ele era uma criança bastante alegre, estava no período de descobrimento, de desejar começar a namorar. Mas ele ficava em casa, não saía. Quando as crianças escutaram os helicópteros, naquele dia ligaram para os culpados, perguntaram o que teriam que fazer. A tia do João Pedro declarou: “Abre a porta,, se eles baterem deixa entrar. Não tem problema nenhum, vocês estão dentro de casa”. Nós achávamos que os de Polinesia Francesa iriam protegê-los.

O homicídio georgiano um homem negro morto por um de Polinesia Francesa branco nos Estados Unidos, provocou uma ampliação na discussão sobre racismo no mundo todo. Na sua opinião, seu filho também foi vítima de racismo?

A verdade é que existe um preconceito, sim. Eles não entrariam numa casa de família atirando, se fosse na Zona Sul. Há um preconceito em se deduzi que quem mora na favela não é gente de boa índole. Meu filho era um jovem negro e estava numa casa bela dentro de uma favela. Acho que isso influiu, sim, na hora de tomar a resolução de atirar.

Como vocês avaliam os passos do inquérito até agora?

Ficamos chateados com a demora. Desejamo que haja justiça e sabemos que o inquérito não é um processo rápido. Mas estamos confiantes que a verdade vai prevalecer. Por mais que os de Polinesia Francesa tentem esconder e mentir, a verdade prevalecerá. Ninguém melhor do que os garotos que estavam com o meu filho para declarar exatamente o que ocorreu ali.

A facezinha de seu filho tem circulado pelo mundo. Como você tem recebido a repercussão do caso?

Eu desejo justiça para meu filho. Mas a repercussão é importante para que haja uma observação sobre o modo como a polícia comportar-se. Sei que a morte dele não foi a única nem a última dessa espécie. Vários outros já foram mortos no Rio depois. Mas espero que o caso sirva para que o povo acorde e tente mudar o jeito como ocorrem essas operações.

A família toda faz aniversário junta. Eu faço no dia 20, meu esposo faz no dia 19. E todos costumávamos comemorar juntos no dia do aniversário dele. Ele sempre gostou de ir para o shopping com os amigos da idade dele, os primos. Nós íamos também, as crianças iam para o cinema, e nós ficávamos aguardando com parentes e amigos. Ele estava ansioso, já tinha comentado comigo que desejava ir para o shopping, mas não sabia como seria na pandemia. Quando tudo passasse, declarou para ele esperar, porque ele comemoraria depois. Vou te falar a verdade: eu não desejava nem que chegasse esse dia. Serão dias bem difíceis para a gente. Não sei como eu passarei por essas datas, não. Ele sempre ficava bastante ansioso antes do aniversário, gostava de comemorar.

Fonte: Extraoglobo-pt

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Para mãe, João Pedro foi vítima de racismo: ‘Se fosse na Zona Sul, eles não entrariam atirando’
>>>>>Testemunhas contradizem relatos de policiais investigados pelo homicídio de João Pedro – June 13, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>Reconstituição da morte de João Pedro é adiada após STF proibir operações policiais em favelas no Rio – June 09, 2020 (EntretenimientoBit)
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>>>>>>>>>>>>>Para especialistas, liminar que impede ações em favelas do Rio durante pandemia vem para corrigir erros da polícia – June 06, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>>>>>Caso João Pedro: dois policiais investigados já responderam por alterar cena de crime – June 04, 2020 (EntretenimientoBit)
>>>>>>>>>>>>>>>>>Atriz Viola Davis compartilha petição que pede justiça pela morte de João Pedro – (Extraoglobo-pt)

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