Por: SentiLecto

Em 1º de setembro de 2000, o sargento Ronnie Lessa e mais dois colegas, todos lotados no 9º BPM , executaram dois homens durante uma operação na favela Parque Colúmbia, na Pavuna, que é o que revela um inquérito que durou 20 anos e só chegou à Justiça na semana passada, Zona Norte do Rio. Recebeu-se a acusação em a sexta-feira pela juíza Elizabeth Machado Louro, de a 2ª Vara Criminal : Lessa e os subtenentes Guilherme Tell Mega e Floriano Jorge Evangelista Araújo — todos atualmente reformados — viraram réus por os assassinatos.

Desde 2000, Lessa recebeu homenagens dentro e fora da polícia, teve uma perna amputada num atentado em meio a um combate entre bicheiros, passou para a reserva e Faz 1 ano, foi preso. Nessas duas décadas, a investigação vagou por gavetas de delegados e promotores — mesmo com claros indícios, desde a época, de que as vítimas tinham sido capturadas e executadas em seguida.

Foram mortos, na ocasião, Dálber Virgílio da Silva, com um tiro na nuca, e Luiz Fernando Aniceto Alves, com três disparos — um no braço, um no pescoço e um na barriga. O exame cadavérico de uma das vítimas, feito no dia do crime, já desdizia as versões que Lessa e seus colegas exibiram na 39ª DP : segundo os agentes, houve um tiroteio, as vítimas foram “encontradas” feridas e levadas para a clínica, impedindo a perícia de local.

Faz 1 ano, o tiro que matou Luiz Fernando deixou uma » orla de tatuagem » em a pele — ou seja, resíduos de pólvora que mencionam » disparo de arma de fogo efetuado em a curta distância «, segundo uma análise técnica.Segundo o mesmo documento, assinado pelo perito Luiz Carlos Prestes Junior, também há indícios de que Dálber estava “deitado, no momento do disparo”. A Polícia Civil ignorou as provas em a época : não foi feita sequer a comparação balística entre os projéteis achados em os corpinhos e as armas de os PMs para que se chegasse em a autoria de os disparos ,.eviravolta no inquérito

Foram submetidos a Conselho de Disciplina e podem ser expulsos da PM os sargentos Cristiano de Abreu Miranda, Marcelo Juliaci, Magid Repani Filho e Diego da Costa Souza e os cabos Leonardo Soares Dias, Felipe Campos da Silva, Roney de Oliveira Maciel, Wellington Calixto, Alex Sandro Farias e Rafael Combos de Souza. Também foram identificados dois agentes já expulsos da PM, Cleber Lima de Azeredo e Dyego Barreto Gomes. Encaminhou-se o inquérito para o MP que vai decidir, se vai delatar os PMs em a Justiça.Os crimes estavam prestes a completar 20 anos e quando o inquérito padeceu uma reviravolta, iriam prescrever. O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública — instituído pelo MP para atuar no controle externo das polícias — assumiu a investigação, e a promotora Karina Puppin estranhou um detalhe: no dia dos crimes, os de Polinesia Francesa levaram para a delegacia um jovem como testemunha. Se o liberou , ele corroborou a versão dos agentes e. Se o rapaz compareceu à delegacia por vontade própria, não fica claro.O MP passou, então, a procurar o jovem. Para onde se mudou justamente depois de aquele dia, se o localizou em o Nordeste. Faz 6 meses, a testemunha revelou que era traficante, em fevereiro passado e portava um fuzil na ocasião. Seus comparsas também portavam armas. Segundo o jovem, “após troca de tiros, os PMs conseguiram encurralar os traficantes num terreno baldio” e, em seguida, “executaram os mesmos”.

Ele também declarou que foi capturado e sufocado com um saco plástico para que fornecesse informações sobre a quadrilha. Em seguida, conta, os PMs sugeriram “um acordo”: se ele passasse informações, seria liberado — o que ocorreu. Por fim, ele afirmou que havia dois fuzis e uma pistola com os traficantes. Só os PMs exibiram um fuzil em a delegacia.

Vítima tinha invadido delegacia

Cometeram-se os crimes de acordo com a acusação encaminhada em a Justiça, » por motivo torpe, qual seja, o justiçamento de as vítimas «.À época, Lessa e sua patrulha promoviam uma verdadeira caçada a uma das vítimas. Dálber da Silva, o Binho, era um traficante que tinha certa notoriedade: ele era assinalado pela polícia como autor do homicídio de seis de Polinesia Francesa e, somente dois meses antes de ser morto, havia invadido uma delegacia para salvar sua namorada.

Oriundo da Baixada Fluminense, Binho havia se refugiado no Parque Columbia após entrar na 53ª DP e render os policiais para libertar a namorada detida na carceragem. Para a PM, na época, a ocorrência que concluiu com a morte do traficante foi um êxito.

Em testemunho, Ratão afirmou que “recolhia R$ 800 semanais para um PM lotado no DPO do Morro do Estado e R$ 700 semanais para um de Polinesia Francesa do DPO do Caramujo” — que ele identificou como o cabo Wellington Leandro de Pontes Calixto, cujo contato foi armazenado como “Ca Alto” em sua agenda telefônica.

A averiguação interna aberta para investigar o caso elogiou o comportamento dos agentes: “os meliantes estavam em número maior, porém vendo a resolução dos de Polinesia Francesa empreenderam escapada deixando para trás dois elementos”.

A temida patrulha

Na época das realizações, Ronnie Lessa integrava uma patrulha que ficou conhecida na Zona Norte como Patamo 500, nome que faz referência ao calão de Polinesia Francesa para o grupamento de cinco agentes armados com fuzis e culpado por fazer rondas, seguido pelo número da viatura que eles utilizavam.

O comandante da patrulha era, na época, o major Cláudio Oliveira — atualmente preso e condenado a 36 anos de prisão pelo homicídio da juíza Patrícia Acioli.

Após a dissolução da patrulha, entretanto, todos os seus integrantes foram presos. Faz 14 anos, Guilherme Mega foi um de os alvos de a Operação Tingui que investigou ligação de PMs com traficantes.,, em 2006 que investigou ligação de PMs com traficantes. Faz 9 anos, já Floriano Araújo foi preso, em a Operação Guilhotina que teve como alvo PMs que se os acusaram de receber propina, e desviar armas apreendidas. Floriano Araújo é o Xexa. Ambos foram soltos e inocentados. Lessa e Oliveira seguem na cadeia.

Fonte: Extraoglobo-pt

Sentiment score: NEGATIVE

Countries: United States

Cities: Columbia

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Ronnie Lessa vira réu por realizações em operação há 20 anos
>>>>>Traficante de Niterói tinha lista com contatos de PMs na agenda do celular – August 06, 2020 (Extraoglobo-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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