Musa do funk feminista, Deize Tigrona trabalha como gari e volta a cantar após depressão

Foram seis anos longe dos palcos, dos fãs e das noites entre um baile e outro até de manhã. O motivo? Uma depressão que acertou a fera em repleto. Deize Tigrona conheceu a amargura incompreensível de perto, chorou muitas vezes sem saber o motivo e ficou sem dormir um bocado de tempo. “Como eu, uma mulher que auxiliou a instituir nove irmãos, que dava faxina dia e noite até realizar o sonho de ser uma funkeira reconhecida na Europa, podia estar com isso?”, questiona ela, que hoje trabalha na Comlurb e compatibiliza o trabalho de gari com a carreira musical.

“Madame” é a nova aposta de Deize, conhecida como a precursora do funk feminista ou do feminismo no funk. “A letra é um sarcasmo a tudo que ainda está aí. É uma crítica às moças que falam mal do funk, mas vão atrás dele na favela. Aos caras que acham que mulher é um objeto”, explica ela, que conserva os palavrões que a tornaram famosa nos anos 1990: “A gente consome música estrangeira repleta de palavrão, mas se é música brasileira as pessoas torcem o nariz”.

— É legal chegar cedo ao acontecimento, pois é bem habitual ver famílias inteiras. São pais desejando mostrar para os filhos como era a época deles nos bailes e vice-versa. É uma volta no tempo maravilhosa! — evidencia Raphael, assegurando que o clima está tranquilo e favorável para o gênero musical: — Os outros ritmos jamais atrapalharam o funk. A gente sempre soube se mesclar.

Deize conta que teve receio em voltar. Aos 36 anos, ela admite que custou a reconhecer o funk que se faz hoje em dia. “Vi de longe a chegada da ostentação, os meninos já não são empresariados por caras das comunidades. Têm mansões, carrões, um gerenciamento de carreira por trás. Achei que ninguém fosse desejar me escutar”, avalia.

Mas existe muita gente que se recorda dela. Principalmente quando a encontra com o uniforme de gari numa clínica. “Cheguei a varrer o calçadão do Leme e as pessoas me questionavam: ‘Mas você é famosa, fez turnê no exterior’. Acham que fiquei rica”, conta ela: “Hoje não desejo largar meu emprego. Precisei correr atrás. Fui copeira, passei no concurso. Não tenho desonra. Encontrei uma família na Comlurb”.

Ainda sem shows marcados no Rio, Deize vem fazendo apresentações em outros estados, recomeçando seu território de olho no que as sucessoras instituíram: “Anitta e Ludmilla não são mais MCs, mas fazem funk. E pelo que oiço, foram influídas por cantoras como eu, Tati Quebra-Barraco, Valesca Popozuda… Só que os homens ainda dominam este mercado. E cada vez mais. Temos bastante espaço para ocupar.

No palco principal, gerações diferentes dão o tom da celebração: por lá, por exemplo, exibem-se Bonde do Passinho, DJ Sany Pitbull e MCs Smith, Sabrina, TH e Maneirinho.

Sentiment score: SLIGHTLY POSITIVE

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Musa do funk feminista, Deize Tigrona trabalha como gari e volta a cantar após depressão
>>>>>Rio Parada Funk ocupa Aterro do Flamengo com 12 palcos – June 24, 2016 (Extraoglobo-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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