Vi o começo e agora estou vendo fim da TV, declara Lima Duarte, que estreia filme

Por: SentiLecto

Lima Duarte enquanto repousa a xícara de café sobre a mesa declara: “Eu penso bastante nas coisas”. “E estou numa onda de falar o que eu penso.”

Faz 43 anos, nascido em o seio de uma família de nove irmãos e irmãs residente em Miranda do Douro desde 1956, contou com o suporte de uma influente família local para rumar em a capital, onde deduziu o liceu e se licenciou em Direito na Universidade Católica Portuguesa .

Aos 87, o ator conta ser sincero com seus diretores quando não gosta do resultado do trabalho. Assinala problemas até em seu clássico “Sargento Getúlio” , de Hermano Penna. “Todos os diretores, na verdade, são grandes amigos meus. Mas que eu brigo, brigo”, ri ele.

Quanto ao seu trabalho mais recente no cinema, “Deserto”, que estreia nesta quinta no circuito, Lima chama de “corajosa” a adaptação de Guilherme Weber para o romance “Santa Maria do Circo”, de David Toscana.

DIREÇÃO Guilherme Weber ELENCO Lima Duarte, Magali Biff Everaldo Pontes, Pietra Pan, Fernando Teixeira PRODUÇÃO Brasil, 2016, 14 anos QUANDO estreia nesta quinta * Como ator, Guilherme Weber permaneceu por cerca de 20 anos na Sutil Companhia de Teatro, fundada por ele e pelo diretor Felipe Hirsch em Curitiba, em 1993. Magali Biff é cida Moreira. Formaram uma das parcerias mais criativas dos palcos de Brasil nas últimas décadas. Mais adiante, depois de incursões bem-sucedidas como diretor de teatro, em peças como “Os Realistas” , Weber arremessou-se como cineasta com “Deserto”, que agora entra em cartaz. É natural, portanto, que sua estreia na condução de um longa gere expectativa entre aqueles que acompanham sua trajetória. Mesmo esses tendem a se assombrar com o resultado. Inspirado no romance “Santa Maria do Circo”, do mexicano David Toscana, “Deserto” nos leva a um sertão indeterminado. Trailer Exaurida pela falta de água e, sobretudo, de público, uma trupe de atores decide suspender as andanças para se estabelecer numa vila abandonada. O grupo conclui que uma nova sociedade só seria viável se distribuíssem ofícios entre si. O sorteio de papeis dá às mulheres as funções de médica, cchefe caçadora. Os homens ficam com os encargos de padre, militar, puta e negro, definido como “aquele que faz as coisas que ninguém deseja fazer”. ALEGORIA “Deserto” busca assuntos como religião e preconceito, mas há duas questões que percorrem todo o filme, sempre sob o viés alegórico. Como os atores podem modificar a vida das pessoas? E principalmente: quais os princípios que regem o nascimento de uma comunidade ou, por que não, de um país? Ainda que seja potente, a mise-en-scène não basta para dar corpo a esses debates. Para tanto, há o elenco, cuidadosamente selecionado por Weber. Magali Biff e Cida Moreira se sobressaem, mas cabe a Lima Duarte a passagem mais sublime. Embriagado, o líder da trupe, vivido pelo ator de 87 anos, comenta a velhice e o descaso com a arte em um solo de seis minutos. “As pessoas não desejam mais poesias, desejam estribilho”, lamenta o personagem de Lima Duarte. “Deserto” é para quem ainda prefere poesia.

Na quarta-feira 30 de agosto “Eu sabia que a personagem tinha um arco dramático bastante interessante, mas não havia imaginado que as pessoas teriam esse delírio pela Bibi. estava difícil caminhar na rua”, havia declarado a artista durante acontecimento da marca Animale, parte da programação da SPFW N44.

Weber faz do universo fantástico do autor mexicano uma espécie de alegoria da formação brasileira, tudo contado por uma trupe de artistas mambembes.

Viajando pelo sertão, encontram água numa cidadezinha fantasma e decidem ficar ali, cada um sorteando um papel para desempenhar nessa nova sociedade. Lima é o líder da trupe, um idealista que discorda do andar retrógrado de seus colegas.

“Com todos os diretores com que trabalhei, voltei a filmar. Quem sabe com ele [Weber] também. Até com o Manoel de Oliveira eu trabalhei de novo”, recorda Lima, que fez dois filmes, “Palavra e Utopia” e “Espelho Mágico” , com o português, morto em 2015, aos 106.

Havia um terceiro projeto, uma adaptação da narração “A Igreja do Diabo”, de Machado de Assis, que Oliveira rodaria com Lima e Fernanda Montenegro. O ator declara: “E ainda desejo ir a Portugal para adquiri esse roteiro”.

Com Fernanda, o intérprete também gravou “O Juízo”, filme de Andrucha Waddington, e está escalado para a próxima novela das 21h da Globo: “O Outro Lado do Paraíso”, escrita por Walcyr Carrasco. “É um nome horroroso. Parece filme de ‘Sessão da Tarde’, comenta Lima, que vai fazer um par romântico com a atriz.

“Eu tenho 87, ela é mais velha [cinco meses] do que eu. Dá pra ser romântico o par? A adversária dela é a Laura Cardoso, que tem 90. São 300 anos de afeição. Podiam mudar o nome da novela pra ‘300 Anos de Amor’. É mais curioso.”

COMEÇO AO FIM

Com 60 novelas e 46 anos de Globo, Lima declara que já fez “coisa demais”. Ele, segundo quem a internet foi bastante alterada a produção televisiva e por os serviços de streaming alega: “Eu vi o início do rádio e o fim do rádio, o início da TV e estou assistindo ao fim da TV”.

“A internet é uma Revolução Francesa. Não sei o que vai vir, ninguém sabe. E também não me interessa, não vou estar aqui para ver. Venha o que vier, não conte comigo.”

Aos palcos, alega não ter interesse em regressar, mas recorda saudoso dos tempos de Teatro de Arena , que ele integrou até o fim do grupo, em 1972.

Declara que sai vez ou outra e que hoje é, para a TV, como um Moisés em novelas bíblicas da Record. “Sempre que vai mal a coisa, eles põe o Moisés abrindo o oceano. Se precisar, estou aqui, me chama que eu vou lá abrir o oceano.”

Foi um líder religioso, legislador e profeta, a quem a autoria da Torá é tradicionalmente atribuída.

Fonte: FolhaGeneric

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Vi o começo e agora estou vendo fim da TV, declara Lima Duarte, que estreia filme
>>>>>Com atuações sublimes, ‘Deserto’ é para quem ainda prefere poesia – September 14, 2017 (FolhaGeneric)

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