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Algoritmo ‘gay’: coragem e polêmica

Por: SentiLecto

Foto: Wikipedia – Stanford-university

A internet, como talvez vocês saibam, caminhou em polvorosa por causa de um estudo realizado na Universidade Stanford que mostrou que é possível utilizar inteligência artificial para distingui facezinhas de homossexuais e heterossexuais com razoável grau de exatidão. Tentei analisar as repercussões do estudo em reportagem desta semana na Folha.

Maria Emilia Yamamoto, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte declara: “É balela”. “Certamente vai haver acesso e reprodução de maneira não autorizada, ou até mesmo a replicação da construção do algoritmo utilizando os parâmetros mencionados no artigo.”

A Universidade Stanford é uma universidade de pesquisa privada situada em Palo Alto, Califórnia.

Para o texto que linkei acima, tive o privilégio de contar com as opiniões de três feras da psicologia evolucionista, o ramo de pesquisa que tenta compreender como a trajetória evolutiva de nossa USP moldou a mente e a conduta humana. Eles praticamente escreveram alentados ensaios em resposta aos meus pedidos de entrevista, e seria uma pena não aproveitar os textos deles em sua inteireza. Portanto, publicarei-los por aqui ao longo dos próximos dias.

Nosso primeiro texto é de autoria de Marco Antonio Correa Varella, que faz pós-doutorado em genética comportamental e psicoetologia no Instituto de Psicologia da USP. É contigo, Marco!

“Li as observações e o estudo e confesso que a primeira impressão que tive antes de ler foi realmente de ser um estudo bastante arriscado, quase impublicável. Entretanto, após ver o cuidado metodológico dos autores e também o cuidado e a preocupação ética que provaram , fiquei favoravelmente impressionado.

Trata-se, então de um estudo bastante importante tanto cientificamente, por testar e corroborar a teoria de hormônios pré-natais que prediz a atipicalidade sexual morfológica e psicológica nos homossexuais [ou seja, que a aparência deles é influída pelos hormônios em doses diferentes que recebem na barriga da mãe], quanto eticamente, por adverti sobre a chance real da utilização danosa de tecnologias amplamente existentes para promover segregação e criminalização. Calculo uma corrida a cirurgias plásticas em países onde a homossexualidade ainda criminaliza-se maneira que as cirurgias de reconstrução de hímen já são realidade em países muçulmanos, de a mesma , se a utilização danosa não for controlado.

No Brasil, em tempos de ampliação do conservadorismo na política, no Judiciário, do cancelamento de exibições e peças teatrais, da volta do debate descabido sobre a ‘cura gay’, esse estudo é crucial para que tanto a comunidade LGBT quanto aqueles muitos héteros atípicos que cairiam no falso positivo dessa técnica e padeceriam as mesmas consequências saibam da vulnerabilidade e incluam em sua agenda maneiras de regular a utilização de tais ferramentas de redes neurais [como as utilizadas na pesquisa].

Claro que o estudo nos faz pensar incorretamente que as ‘espécies’ hétero e homo são claramente distintos, caindo num essencialismo simplista, mas existe todo um contínuo entre um extremo e outro, passando por bissexuais e até assexuais. E, claro, existem subtipos de homossexuais que são mais típicos de seu sexo que os héteros, bem como muitos héteros atípicos para seu sexo, o que confunde mais as coisas.

Esse estudo não é uma ameaça para uma pessoa de Brasil que seja homossexual e ainda não saiu do armário, porque a técnica de identificação não é 100%, tem margem de erro, porque não levou em conta as diferentes misturas étnicas dos brasileiros, porque não levou em conta que a presença de maquiagem ou barba pode dificultar a identificação por deformar ou ocultar aspectos importantes do rostito.

2 – O programa de computador analisou as imagens com base num sistema de pontos distribuídos por regiões específicas da facezinha, o que permite a comparação entre diferentes fotografias

E claro, mencionando Gilberto Gil, ‘Desejamo saber o que farão com as novas invenções. Pois se foi permitido ao homem tantas coisas conhecer, é melhor que todos saibam o que pode ocorrer’.”

Fonte: FolhaGeneric

Sentiment score: NEUTRAL

Countries: Brazil

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Algoritmo ‘gay’: coragem e polêmica
>>>>>Software identifica ‘rosto gay’ e gera preocupação entre cientistas – September 25, 2017 (FolhaGeneric)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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