As mudanças na sociedade de Irlandade Irlanda que levaram ao fim da lei antiaborto

Por: SentiLecto

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O papa Francisco tem planejada uma viagem à Irlanda daqui a três meses. E tem que encontrar um país que, apesar de forte costume católico e socialmente conservador, está revertendo aspectos importantes que foram herança de uma visita papal prévia.

Faz 35 anos, foi, quatro anos após uma trifunal visita de o então papa João Paulo 2º, que o povo de Irlanda votou para colocar em a Constituição a chamada Oitava Emenda.

Essa emenda equiparava os direitos dos não nascidos aos de suas mães e, na prática, proibia o aborto em praticamente todos os casos – exceto se houvesse risco de vida para a mãe.

Em novo plebiscito na sexta-feira, porém, os irlandeses votaram por derrubar a Oitava Emenda. Segundo os resultados divulgados neste sábado, foram 66,4% dos votos em defesa do fim da legislação, e 33,6% contra.

Por outro lado, das 6h às 21h , pouco mais de três milhões de pessoas poderão participar da consulta cconvidadapelo governo do partido democrata-cristão Fine Gael, com o objetivo de aaliviara legislação vigente.

Agora, caberá ao Parlamento sugeri e votar uma lei de personalidade mais liberalizante ao aborto – em uma mudança “sísmica” na sociedade irlandesa. Há relatos de que o governo planeja exibi até o final deste ano uma lei que autorize o acesso irrestrito ao aborto nas 12 primeiras semanas de gestação.

Em resposta, o grupo ativista Salve a Oitava Emenda alegou que o resultado deste sábado é “uma calamidade de proporções históricas” e prometeu continuar a queixar-se contra o aborto. “As crianças não nascidas não têm mais seu direito à vida reconhecido pelo Estado ide Irlanda, afirnou John McGurik, porta-voz do grupo. O resultado deste sábado se segue a outra mudança social: três anos atrás, também por plebiscito, a Irlanda, que ” e que uma “revolução quieta” aconteceu no país nas últimas décadas, aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Também alegou que o resultado mostra que os irlandeses “confiam e respeitam as mulheres para tomarem as próprias resoluções e fazerem as próprias escolhas”.

Varadkar havia declarado também que não desejava mais que seu país “exportasse” a questão do aborto à vizinha Grã-Bretanha.

Isso porque estima-se que, atualmente, 9 irlandesas viajem diariamente ao território britânico – onde o aborto é legalizado – para suspender suas gestações. Outras quatro irlandesas adquirem diariamente pílulas abortivas pela internet, sem supervisão médica, arriscando-se a uma pena de prisão de até 14 anos.

Desde o plebiscito de 1983, estima-se que mais de 170 mil irlandesas tenham buscado fora do país uma maneira de realizar a interrupção da gravidez.

E alguns casos particulares tiveram um papel crucial em mudar a opinião pública.

Houve casos polêmicos de vítimas de estupro e incesto que não puderam pôr fim legalmente às suas gestações em território ide Irlanda

Houve também a história de uma mulher grávida que não tinha mais atividade cerebral e foi provisoriamente conservada viva – contrariando a vontade de sua família – até que a Justiça decidisse que o feto que ela carregava não sobreviveria a uma cesárea.

E muitas mulheres que receberam diagnósticos de problemas letais em seus fetos declararam que só puderam passar por um aborto por terem viajado à Grã-Bretanha.

Faz 6 anos, o caso de a dentista de India Savita Halappanavar aumentou essa discussão, em 2012. A indiana requereu um aborto em uma clínica da cidade de Irlanda de Galway ao notar que sua saúde se degenerara por conta de uma sépsis, mas uma vez que se avaliou, se negou seu pedido que sua saúde não estava em risco em aquele momento e ainda havia batimentos cardíacos de o feto. Tanto Savita quanto seu bebê acabaram falecendo.

Neste sábado, praticamente todas as regiões do país votaram em defesa do fim da Oitava Emenda. E praticamente todos os grupos sociais apoiaram a mudança legal, exceto pela população acima de 65 anos.

Mas a força motriz por trás da eleição foram as jovens mulheres urbanas, que fizeram forte campanha pelo sim.

Sinn Féin tem um slogan em irlandês: “Tiocfaidh ár lá”, que pode ser traduzido como “nosso dia chegará”. Sinn Féin é o tradicional partido republicano irlandês.

Se adotou um novo slogan político em a atual campanha, : ” Tiocfaidh ár mná nossas mulheres “, ou ” aí vêm as “.

Agora, a líder do Sinn Féin Mary Lou McDonald, bem como grupos pró-direitos reprodutivos, têm declarado que desejam expandir a mudança legal também à vizinha Irlanda do Norte – que pertence ao Reino Unido e é a única região deste a não permitir o acesso irrestrito à interrupção da gravidez.

O Executivo, juntamente com os principais partidos da oposição, grupos de direitos humanos e maioria dos coletivos médicos, pediu o “sim” neste plebiscito, o sexto realizado sobre este assunto em 35 anos.

Para a Igreja Católica, que foi peça importante na aprovação da Oitava Emenda em 1983 e havia instado a população a proteger a medida no plebiscito desta sexta, o resultado é um grande revés.

A instituição já vivia uma crise na Irlanda nos últimos anos, após revelações de que bispos haviam deixado de reportar as autoridades os padres acusados de pedofilia.

Houve também denúncias de que esses alojamentos realizavam adoções forçadas, sem a aprovação das mães biológicas, algumas vezes em troca de dinheiro.

Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: SLIGHTLY POSITIVE

Countries: Ireland, United Kingdom

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>As mudanças na sociedade de Irlandade Irlanda que levaram ao fim da lei antiaborto
>>>>>Irlanda vota em referendo para abrandar lei do aborto – May 25, 2018 (EfeGeneric)
>>>>>>>>>Mais uma vez, a Irlanda face ao aborto – May 21, 2018 (Euronews-pt)

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