Com faculdades públicas e sem vestibular, Argentina atrai cada vez mais universitários brasileiros

Por: SentiLecto

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A possibilidade de estudar gratuitamente no exterior sem ter que prestar vestibulares tem atraído número crescente de universitários brasileiros para as universidades argentinas – a ponto de causar incômodo em alguns setores acadêmicos do país vizinho.

Nos últimos anos, a presença de alunos de Brasil de diferentes regiões passou a ser cada vez mais frequente em cidades como Buenos Aires, La Plata e Rosario, onde estão algumas das principais universidades públicas argentinas.

Há estudantes de Brasil também em universidades menos conhecidas, como a do balneário maranhense, a 400 quilômetro de Buenos Aires.

O curso de Medicina é o mais procurado pelos brasileiros, segundo assessores das instituições de ensino argentinas.

O sistema universitário argentino exige dos brasileiros somente o diploma do ensino médio, reconhecido nos ministérios da Educação do Brasil e da Argentina, e um documento de identidade . Se avalia a performance de o estudante em o ensino médio não . Se simplificou o processo no caso do DNI, em os últimos anos, mas o agendamento para o começo da emissão do documento pode tardar alguns meses.

Diferentemente das universidades de Brasil, as universidades públicas argentinas não têm limites de vagas para vários cursos, incluindo os de Medicina, de acordo com a assessoria de jornalismo das instituições acadêmicas. Essa facilidade de ingresso tem sido um chamariz para alunos de Brasil.

Outro fator de peso, segundo acadêmicos ouvidos pela BBC Brasil, é a crise econômica de Brasil.

Um assessor acadêmico, pedindo para não ser identificado. declarou: “Nos perguntamos aqui por que tantos estudantes de Brasil vieram nos últimos dois ou três anos e compreendemo que o fase coincide com a crise no Brasil”. Outro declarou: “Com certeza, o que vem acontecendo nos últimos tempos chama a atenção”.

Faz 3 anos, a Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de La Plata, a uma hora e meia de Buenos Aires, registrava somente 11 estudantes de Brasil. Faz 1 ano, esse número saltou para 311 e, em este ano, há 566 universitários de Brasil matriculados.

A reitoria da Faculdade de Medicina da UNLP declara que, em esse caso específico , o recente fim explica a ampliação de a pré-requisito de a prova de admissão , colocando em prática uma lei nacional de 2015.

“As provas deixaram de ser pré-requisito para todas as universidades desde o regresso da democracia, nos anos 1980. Mas, por serem autônomas, algumas delas ainda aplicavam provas”, explica o reitor da Universidade Nacional de Rosário , Hector Floriani, à BBC Brasil.

Ali, dos cerca de 4 mil estudantes de Medicina, 1,5 mil são brasileiros.

A UNR, assim como a Universidade de Buenos Aires , já não exigia há anos o exame de admissão, nem mesmo para o curso de Medicina.

Para facilitar a vida dos que chegam de fora, algumas universidades ainda oferecem cursos gratuitamente de espanhol, antes de as aulas na faculdade iniciarem.

A de Brasil Raquel Moraes, 25 anos, estudou Engenharia durante cinco anos na Universidade de Brasília e decidiu passar para Medicina. Ela está no primeiro ano da Universidade de La Plata e conta que optou por Buenos Aires justamente pela gratuidade e facilidade de ingresso. Agrega: “Tem muitos brasileiros estudando aqui”.

No entanto, o acesso infinito e gratuito – que é igual para argentinos e estrangeiros – começa a despertar críticas em alguns setores acadêmicos.

Ainda de maneira incipiente, há quem defenda que o acesso continue irrestrito, mas somente para os estrangeiros que cursaram os ensinos fundamental e médio na Argentina e que possivelmente vão continuar vivendo no país.

“A Argentina tem mais de 20% de pobres. Não é mais um país rico. Como podemos sustentar a educação da classe média de Brasil?”, questiona um assessor acadêmico.

O reitor Floriani, da UNR, admite que a crescente presença de Brasil tem provocado preocupação.

“É interessante contar com estudantes estrangeiros, porque a troca é enriquecedora. Mas depende da quantidade de estudantes. Mil e quinhentos é um número aumentado. Além disso, não existe um sistema de reciprocidade. Não imagino que uma universidade federal brasileira receba 1,5 mil estudantes de Argentina”, declara ele, realçando ainda que %80 de o sistema universitário dinheiro público financia argentino.

Segundo o reitor, algumas famílias de Brasilde Brasil têm achado mais positivo economicamente mandar o filho para uma universidade argentina, mesmo pagando passagem e estadia, do que mantê-lo em uma universidade particular brasileira. Isso apesar de o preço de vida não estar baixo na Argentina, onde a inflação tem que chegar a 20% neste ano.

Procurados pela BBC Brasil, o Ministério da Educação da Argentina e o Consulado do Brasil no país vizinho informaram não ter dados atualizados sobre alunos de Brasil nas universidades públicas.

A condenação de Lula da Silva divide o mundo. São muitos os apoiantes do ex-presidente de Brasil, tanto no Brasil, como em muitos outros países. Na Argentina, reuniram-se frente à embaixada dbrasileirapara pqueixar-sea dresoluçãodo Supremo Tribunal Federal.

Em São Paulo, o ex-ministro de Brasil da Educação Renato Janine Ribeiro consente que a gratuidade do ensino e a não existência do vestibular são os motivos que atraem os alunos de Brasil para as universidades argentinas. “É bastante difícil entrar para uma universidade pública , principalmente em Medicina, e as particulares são caras”, realça.

Mesmo no ensino particular há grande discrepância de valores. O custo da mensalidade de Medicina na faculdade Barceló, em Buenos Aires, onde a presença de brasileiros é a maior entre alunos estrangeiros, é de 7,5 mil pesos . Já a mensalidade de uma faculdade particular no Brasil pode variar entre R$ 3,5 mil e mais de R$ 7 mil.

O Departamento de Relações Institucionais e Admissão da Barceló declara: “Temos alunos de Brasil de vários lugares brasileiros, como Rio de Janeiro, Mato Grosso e Fortaleza”.

Ainda que o costume do ensino de Argentinade Argentina também contribui para atrair brasileiros, recordando que ainda é “bastante baixo” o percentual de brasileiros, janine alega o percentual de brasileiros entre 18 e 24 anos matriculados no ensino superior.

O expert de Argentina Alieto Guadagni é um dos que tem erguido suposições para a maior presença de estudantes de Brasil nas universidades argentinas. Alieto Guadagni é membro da Academia Argentina de Educação. que tem erguido suposições para a maior presença de estudantes brasileiros nas universidades de Argentina.

“Vai ser que esses estudantes não passaram no Enem no Brasil e buscam as universidades de Argentina como opção?”, questiona.

Ao mesmo tempo, Guadagni alega ainda que, embora seja mais fácil ser admitido, “é mais difícil deduzi a faculdade na Argentina”.

Ele cita dados oficiais de 2015 que apontam que, a cada 10 mil habitantes na Argentina, 29 estudantes concluíram a universidade naquele ano. Sob os mesmos critérios, no Brasil foram 56 alunas.

“Ou o ensino aqui é mais exigente ou os estudantes quando entram na universidade e por isso, estão menos preparados têm obstáculo de chegar ao final da faculdade”, analisa Guadagni.

Como norma própria, a Universidade de Buenos Aires, a maior argentina, ministra o Ciclo Básico Comum , que é o primeiro ano de estudo na instituição e vale para alunas de todas as áreas, incluindo Medicina. O curso pode ser ministrado até à distância.

Cursa-se O Cbc durante um ano e oferece cursos específicos paralelos, como compreensão de texto e matemática, para aqueles que exibem obstáculos para acompanhar o ritmo de as matérias. O objetivo, informou a UBA, é “nivelar” a educação dos estudantes para facilitar o ensino e aprendizagem “igualitários” nas aulas.

Em 1 ano, a brasileira Rafaela Laiz, 20 anos, começou a cursar em a distância o CBC em este ano e pretende se mudar de Lajinha para a Argentina, para cursar Medicina em a UBA.”Desejo ser cardiologista, mas a faculdade aqui no Brasil é bastante cara, em torno de R$ 5 mil. Meus pais não poderiam pagar. Por isso, me inscrevi no CBC da UBA, e no ano que vem vou para Buenos Aires”, conta. “Já soube que a prova para revalidar meu diploma argentino aqui no Brasil é bem difícil, mas mesmo assim vale a pena.”

O Revalida é o exame anual realizado no Brasil para que brasileiros ou estrangeiros que cursaram Medicina no exterior possam exercer a carreira de médico no país. Considera-se o exame, aplicado por o INEP, exigente. Faz 2 anos, o índice de reprovação chegou a quase %60, em 2016.

A UBA, selecionada por Rafaela Laiz, tem 300 mil estudantes – sendo 4% deles estrangeiros, liderados por brasileiros, que começaram a chegar em maior número a partir de 2016.

Os últimos dados disponíveis assinalam que mais de 60% dos brasileiros que estudam na UBA selecionam a carreira de Medicina.

“O acesso à universidade é igual para argentinos e estrangeiros. A presença de alunos estrangeiros contribui para melhorar nosso desempenho internacional”, opina.

Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: SLIGHTLY POSITIVE

Countries: Argentina, Brazil

Cities: La Plata, Sao Paulo, Rosario, Mar Del Plata, Fortaleza, Buenos Aires

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
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