Fifa tem que ter recorde bilionário em lucros na Copa, mas economiza milhões com voluntários

Por: SentiLecto

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Entre as milhares de camisas de seleções como a brasileira, a francesa, a alemã, a argentina, a croata ou a russa, um uniforme é onipresente nas ruas e estádios de todas as cidades-sede da .

As camisas vermelhas ou azuis dos voluntários da e do Comitê Organizador Local da Copa vestem jovens vindos de toda a Rússia com a finalidade de trabalhar em 20 diferentes funções que vão desde suporte e prestação de informação em ruas, aeroportos e estádios até credenciamento, suporte a profissionais de jornalismo, logística e operações ou assistência a jogadores e autoridades.

Apesar de se registrar como entidade sem fins lucrativos, uma estimativa feita pelo jornal New York Times a partir de documentos fiscais da Fifa menciona que a federação tem que lucrar US$ 6,1 bilhões com direitos de transmissão, contratos de patrocínio com grandes marcas e royalties.

Superior ao PIB de países como o Panamá, o Uruguai ou a finalista Croácia, o lucro dos jogos ergue uma questão delicada: por que mais de 30 mil pessoas que trabalham muitas vezes mais de 8 horas diárias para a Copa da Fifa ocorrer não ganham um salário?

Por outro lado, o relatório, que descreve as principais buscas específicas sobre cada país, faz a ressalva de que pesquisas sobre gritos de torcidas foram muito frequentes em pesquisas ligadas a 17 países.

Na quarta-feira 04 de julho “Jamais, jamais mexa com a .” era essa a lição que a americana Molly Zuckerman, de 24 anos, havia aprendido na primeirda , depois de ser levada a um dos espaços mais surreais que declarava ter conhecido na vida.

Considerando o salário mínimo mensal russo e os 17.040 voluntários do Comitê Organizador adicionados aos 18 mil voluntários nas 11 cidades-sede, o valor bruto economizado pela Fifa com o pagamento mensal destes trabalhadores chegaria a R$ 24,3 milhões.

Se a conta incluir encargos trabalhistas exigidos pela legislação de Rusia como previdência, o valor amplia em 30% e chega a R$ 31,6 milhões. A estimativa foi feita pela BBC News Brasil a partir dos registros da Thompson Reuters Practical Law, que reúne informações atualizadas sobre mercados, legislação e relações trabalhistas em dezenas de países.

A reportagem mandou os números para a Fifa que respondeu a alguns questionamentos , que respondeu a alguns questionamentos, mas não fez observações sobre valores.

Na última quarta-feira, a secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura, fez uma visita aos voluntários e disse “sua enorme gratidão”.

“Vocês são o coração e espírito desta Copa do Mundo. Vocês são os que permitiram que este torneio se tornasse uma realidade”, declarou a secretária-geral, aplaudida pela multidão de jovens.

Segundo a Fifa, as matricula para trabalho voluntário neste ano bateram recorde e chegaram a 176,8 mil. Um porta-voz da entidade à BBC News Brasil ddeclarou “O número rlembrede imatricularecebidas para a edição de 2018 da Copa do Mundo da Fifa mostra o interesse de pessoas ao redor do mundo por uma experiência que, apesar de não remunerada, rencarnauma satisfação pessoal sem precedentes e, em muitos casos, profissional”.Questionada sobre as estimativas de lucro recorde e se pretende rever o modelo do voluntariado, a Fifa declarou que “o voluntariado é, em sua essência, uma assistência sem gratidão financeira, ligada à satisfação de contribuir para a rexecuçãode algo importante para a comunidade. Em grandes eventos em todo o mundo, os programas de voluntariado são uma prática comum e, precisamente, um dos elementos que tornam sua atmosfera tão única.”

Sobre a falta de pagamento, a entidade declarou que “ao mesmo tempo em que fornecem suporte operacional expressivo à Fifa e ao Comitê Organizador Local , os voluntários também têm a ochancede conhecer e trocar experiências com pessoas de diferentes países e origens, incluindo idosos e pessoas com deficiências”.

“Os voluntários da Copa do Mundo da FIFA de 2018 receberam todo o necessário para satisfazer seus obrigações, como uniformes da marca Adidas, alimentos e bebidas, acomodação para estrangeiros ou voluntários de outra cidade que pediram, transporte gratuito dentro da cidade e suporte para vistos”, prossegue a Fifa.

A informação desdiz o próprio site do voluntariado da Fifa, que declara que “se você não é da cidade-sede do torneio, você vai precisar pagar pela sua transferência para a cidade e acomodação”.

A BBC News Brasil ergueu a contradição e perguntou quantos voluntários tiveram sua acomodação paga. A Fifa não respondeu ao questionamento.

Em pelo menos quatro cidades-sede da Copa, a BBC News Brasil conversou com voluntários que trabalham para os jogos – na maioria, jovens.

A maior parte se mostra contente com o trabalho, a interação com estrangeiros e a possibilidade de a experiência facilitar novas frentes de emprego no futuro.

Um voluntário da Fifa Fan Fest de Rostov-on-Don, palco da estreia brasileiro na Copa declarou: “É uma possibilidade de conversar com estrangeiros e mostrar que nosso país é receptivo e alegre”.

A reportagem perguntou sobre a carga de trabalho. O jovem de 19 anos responde: “Em dia de jogos, fico em pé por 8, 10 horas, indo de um lado para o outro sem parar”. “Se o pesa, mas vale a pena.”

Em aeroportos como o de Samara ou São Petersburgo, grupos de voluntários auxiliam estrangeiros a localizarem empresas aéreas, áreas de embarque e de transporte público. Sorrindo, uma das voluntárias declarou à reportagem que torcia para que o esforço aauxiliasseseu currículo.

“É de graça, mas conseguir bons empregos não é fácil e a gente faz um esforço agora para colher os frutos mais tarde”, declarou uma jovem à reportagem.

A BBC News Brasil também conversou com experts em governança desportiva e nas técnicas empregados pela Fifa em relações com times, federações e companhias.

O cientista político estadunidense Roger Pielke, professor e diretor do Centro de Governança do Esporte da Universidade do Colorado avalia: “Sim, estas funções teriam que ser pagas”.

“A economia geral com o pagamento dessas funções é pequena se comparada ao dinheiro ganho pela Fifa na Copa do Mundo. Leve em conta que a candidatura ganhadora dos EUA promete US$ 11 bilhões em lucro. Portanto, o dinheiro está aí.”

O expert recorda que, no entanto, há interesse pelas posições sem salário nos jogos.

“Este é um mercado e se há procura para essas posições voluntárias com pagamento zero, dificilmente se pode culpar a Fifa por aceitar o trabalho gratuito. A Fifa, obviamente, não está sozinha na utilização de voluntários, basta olhar para o golfe e o tênis, entre outros esportes.”

À reportagem, a Fifa evidenciou que, apesar dos milhares de voluntários, contratou “milhares de pessoas na Rússia em diferentes funções, como segurança, pessoal de limpeza, alimentação e bebidas, motoristas etc.”

Já a Alemanha foirecordadaa graças à curiosa história de um torcedor de 70 anos que veio até a Rússia com um trator rebocando um quarto sobre rodas em formato de barril de cerveja.

O porta-voz declara: “O pessoal de segurança, por exemplo, reúne mais de 38 mil pessoas”.

O professor de America observa que, ainda assim, “a matemática das verbas da Fifa menciona que eles poderiam pagar uma quantia aos voluntários sem ter qualquer perda”.

“Dado que há um número recorde de pessoas desejando ser voluntárias, parece difícil declarar que elas estão sendo buscadas. Eu acho que muitos vêem o voluntariado como uma chance para uma parte de um espetáculo verdadeiramente mundial”, declara. “Declarado isso, a Fifa faz uma enorme quantidade de dinheiro e seus executivos notoriamente viajam em grande estilo. Não me parece bom ganhar dinheiro com o trabalho mesmo que estas pessoas optem por trabalhar de graça, não pago.”

Para o jornalista britânico David Conn, que investiga relações políticas e econômicas no futebol e escreveu o livro The Fall of the House of Fifa: The Multimillion-Dollar Corruption at the Heart of Global Soccer , o voluntariado é importante para o clima de grandes acontecimentos, mas a Fifa também daria um bom exemplo se pagasse estas pessoas.

Conn, que é colunista do jornal britânico The Guardian, à BBC News Brasil ddeclara “Um eacontecimentocomo a Copa traz cifras multimilionárias com a negociação de direitos de tTV patrocínios de tTVe investimentos estatais enormes”.”E o pedido afetivo de um acontecimento como este para as pessoas ainda é enorme. A Copa é vista no mundo inteira e é tão preciosa porque as pessoas apoiam seus países e o torneio com inocência e paixão”, alega. “Este tipo de amor ao esporte por si mesmo, que é parte de um ‘ethos’ amador, é uma fatia importante do evento e de sua comercialização. Não há surpresa em ver tantas pessoas preparadas para se voluntariar, elas não estão pensando em fazer dinheiro. É inspirador ver tantas pessoas dando seu tempo e participando, nós festejamo bastante isso na Olimpíada de Londres.”

Por outro lado, ele evidencia que “o fato de as pessoas não pedirem para ser pagas não significa que elas não tenham que ser”.

“A Fifa declara que deseja deixar um bom exemplo para o mundo”, recorda Conn. “Compreendo o protagonismo da almazinha voluntária, mas acho que se for pago, ele pode ser conservado. Muitos dos funcionários da Fifa, por exemplo, são apaixonados pelo esporte e amam o que fazem. Isso é um exemplo de que as duas coisas podem andar juntas. A Fifa daria um bom exemplo se decidisse remunerar estas pessoas.”

Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: POSITIVE

Countries: Russian Federation, Croatia, United States, Panama, Brazil

Cities: Samara, Panama

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Fifa tem que ter recorde bilionário em lucros na Copa, mas economiza milhões com voluntários
>>>>>O que os russos buscam na internet sobre estrangeiros na Copa (e por que o Brasil decepciona)? – July 10, 2018 (BBCBrasil-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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