O Chile deve seu milagre econômico ao governo Pinochet?

Por: SentiLecto

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Quem é o culpado pelo ‘milagre econômico’ chileno? Há pouco mais de 45 anos, o país de Sullana optou por seguir o até então inexplorado percurso do neoliberalismo econômico.

Faz 46 anos, a resolução coincidiu com a chegada a o poder de o governo militar de Augusto Pinochet. Faz 29 anos, o Chile continuou desfrutando de uma rica prosperidade econômica comparado a o restante de a América Latina, quando a ditadura acabou, em 1990.

Por isso, não assombra que até hoje o tema ainda divida opiniões.

Para se ter uma ideia, o Chile atingiu um crescimento de 4,8% no primeiro semestre de 2018, o maior da América Latina, e o FMI estima que, em 2022, o país vai ser o primeiro da região a alcançar um PIB per capita de US$ 30 mil , platô semelhante ao de nações europeias, como Portugal e Hungria.

Por outro lado, o documento foi chancelado por cerca de dois terços dos 193 países membros da ONU. Algumas nações poderosas – caso dos EUA, Itália, Austrália e Israel, entre outros – ficaram de fora por avaliar que o convênio violava a soberania dos Estados.

Mas, muitos se questionam,, se não há dúvidas sobre a prosperidade econômica do Chile moderno quase três décadas depois do fim da ditadura militar, se é justo continuar dando o crédito ao governo Pinochet e à sua versão ortodoxa da economia de mercado.

A discussão não poderia ser mais atual. Se o considera o modelo econômico imposto por tecnocratas formados em a Universidade de Chicago, conhecidos como ” Chicago Boys ” logo após o golpe de 1973, ainda por a direita latino-americana como um exemplo a ser seguido.

Vale a pena recordar que o recém-empossado governo de Jair Bolsonaro no Brasil, maior economia da região, tem uma equipe econômica liderada pelo ultraliberal Paulo Guedes.

Nos anos 80, Guedes foi viver no Chile a convite de Jorge Selume Zaror, ex-diretor de Orçamento do regime de Pinochet. Ali, atuou como pesquisador e acadêmico da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile, então comandada por Selume Zaror. Atualmente, a equipe de Guedes se exibe como um grupo de técnicos ortodoxos que prometem colocar ordem no caos econômico reinante no país.

Ainda assim, nem todos acreditam que o êxito econômico atual do Chile seja herança do pinochetismo.

Óscar Landerretche, professor da Universidade do Chile e ex-presidente do conselho da estatal de mineração Codelco no governo de centro-esquerda da ex-presidente Michelle Bachelet, é um deles. Segundo ele, faz “pouco sentido” atribuir a atual estabilidade econômica e prosperidade do país ao governo militar de Pinochet.

“A ditadura de Chile concluiu há quase 30 anos. Embora sejam ruins no âmbito mundial, são melhores do que antes, enquanto isso, o Chile tem tido uma performance econômico bastante maior do que tinha durante a ditadura em crescimento econômico, estabilidade e até mesmo indicadores de equidade que e estão melhorando, ainda que lentamente”, declara Landerretche à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

As políticas implementadas pelo governo militar se conservam polêmicas até hoje. Se, de um lado, bastante se fala sobre como o “milagre econômico” da era Pinochet trocou a instabilidade social e econômica do governo deposto de Salvador Allende, diversos pesquisadores e analistas assinalam que o Chile aumentou bastante mais durante a redemocratização.

Faz 2 meses, Noah Smith sintetizou a discussão em um tuíte de o ano passado. Noah Smith é colunista da agência de notícias Bloomberg.

“O crescimento anualizado do PIB real per capita no Chile sob Pinochet foi de 1,6%. O crescimento anualizado do PIB real per capita no Chile sob Pinochet nos 17 anos posteriores a Pinochet chegou a 4,36%. Pinochet está muito superdimensionado”, escreveu ele.

Há dentro e fora do Chile, no entanto, diversos defensores da plataforma econômica de Pinochet.

À BBC Mundo Steve Hanke, acadêmico da Universidade Johns Hopkins que assessorou diversos governos latino-americanos declara: “É complicado analisar o performance econômico do governo militar chileno”.”Quando as medidas iniciais auxiliaram a estabilizar o caos da economia socialista, nos primeiros anos da era Pinochet houve um boom”, adiciona.

Faz 46 anos, o país de Sullana enfrentava uma forte crise econômica, quando os militares deram o golpe que redundou em a deposição de Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973.

O governo socialista havia nacionalizado diversas companhias privadas e permitido a tomada por trabalhadores de fábricas e propriedades rurais, o que ampliou a animosidade de grande parte da empresariado. Além disso, a inflação afetava os salários da classe média.

Ao tomar o poder, Pinochet entregou o comando da economia a um grupo de economistas formados na Universidade de Chicago. Quase que imediatamente, eles afrouxaram os controles estatais sobre a economia, liberaram exportações, venderam estatais e confiaram na mão do mercado para governar o crescimento econômico do país, algo considerado revolucionário naquele momento.

A economia de Chile provou altos e baixos acentuados durante os anos do governo militar, incluindo uma grande crise em 1982 que levou o governo a recuar em parte das reformas econômicas liberalizantes.

Assim, para analistas como Óscar Landerretche, da Universidade do Chile, falar de um modelo neoliberal de Chile “é uma visão caricatural e simplória, própria de quem busca caricaturas úteis para redes sociais”.

O acadêmico recorda à BBC Mundo que “uo próprio governo militar uma parte importante de as medidas neoliberais implementadas em o icomeçode os anos 1970 reverteu em os anos 1980 elas.Um exemplo bastante claro disso foi sua política de desregulamentação financeira e mudanças no tipo de câmbio. Ambas, que favoreciam o capital financeiro, levaram o Chile a uma crise na década seguinte e acabaram revertidas”.

Faz 29 anos, após a transição para a democracia os governos de Chile seguintes implementaram um processo de desenvolvimento econômico que se o inveja hoje em o continente.

Anke, da Johns Hopkins iz: “O Chile está tão à frente de seus vizinhos que, em muitos aspectos, nem parece fazer parte da América Latina”,.O país é, por exemplo, o único da América do Sul a ter classificação de risco ‘A’ entre as principais agências de rating do mundo. Ou seja, tem menos probabilidade de dar calote do que seus vizinhos.

Negociado desde 2017, o convênio estabeleceu diretrizes para o acolhimento de imigrantes. Entre os pontos definidos estão a noção de que países têm que dar uma resposta organizada aos fluxos migratórios, de que a garantia de direitos humanos não tem que estar atrelada a nacionalidades e de que limitações à imigração devem ser adotadas como um último recurso.

Para Hanke, é “evidente” que a atual prosperidade de Chile se baseia em medidas adotadas durante a era Pinochet. Ele menciona como exemplo a permanência do sistema de seguridade social baseado em fundos de previdência privada, um dos programas emblemáticos do governo militar.

E indica também a lei de mineração implementada pelo mesmo governo, que descreve como “a melhor do mundo”, que “não mudou um único vocábulo” desde a época de Pinochet.

Landerretche, da Universidade do Chile, discorda de Hanke.

“Os governos democráticos têm ampliado constantemente o papel do Estado, particularmente nas áreas de infraestrutura, políticas sociais, proteção ao consumidor, saúde e educação. Ao fim da ditadura no Chile, não havia seguro de saúde universal, seguro-desemprego, gratuidade no ensino superior, nem pilares solidários no sistema de pensões.”

Segundo ele, “todas essas coisas foram implementadas nos últimos 30 anos, o que gerou um crescimento importante do tamanho do Estado e que levou o Chile a alcançar algum progressão em igualdade social em uma época na qual a desigualdade aumenta pelo mundo”.

A prosperidade de Chile causa, há muito tempo em maior ou menor grau, com o regime militar. Muito tempo é um mal-estar interno por causa da ligação. Mesmo após três décadas do fim do governo de Pinochet, a polêmica parece não ter data para acabar.

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Fonte: BBCBrasil-pt

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>O Chile deve seu milagre econômico ao governo Pinochet?
>>>>>Em comunicado a diplomatas, governo Bolsonaro confirma saída de pacto de migração da ONU – January 08, 2019 (BBCBrasil-pt)
>>>>>>>>>Questões práticas podem inviabilizar mudança de embaixada em Israel, diz ministro Santos Cruz – January 04, 2019 (BBCBrasil-pt)
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