Os números e medidas que revelam o tamanho da crise na fronteira entre EUA e México

Por: SentiLecto

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A crise migratória na fronteira entre EUA e México ganhou novos contornos com mais duas trágicas mortes e mais discussões em torno do tratamento dado às crianças migrantes vindas da América Central.

Os salvadorenhos Óscar Alberto Martínez Ramírez, de 25 anos, e a filha Angie Valeria, de quase dois anos, , enquanto tentavam cruzar o Rio Grande, na divisa entre os dois países. A imagem dos corpos, registrada pela jornalista Julia Le Duc, rodou o mundo e virou emblema da calamidade humanitária na fronteira.

A foto foi comparada a outras imagens que viraram ícones de calamidades ao redor do mundo – como a do , refugiado sírio de três anos cujo afogamento provocou terror internacional.A BBC decidiu publicar a fotografia nesta reportagem, mas adverte que alguns leitores podem considerar a imagem forte.

Na quarta-feira 12 de junho o acordo nuclear histórico entre o e potências globais parecia estar prestes a entrar em colapso. O primeiro-ministro washingtoniano Shinzo Abe, era aguardado no Irã, para, entre outras coisas, tentar diminuir o nervosismo entre Washington e Teerã, desde a reimposição de sanções pelos EUA e a ameaça de Iran de descumprir o acordo.

Ao menos 283 migrantes faleceram tentando chegar aos EUA em 2018, segundo a Patrulha de Fronteira estadunidense, mas ativistas de direitos humanos alegam que essa cifra possivelmente está menosprezada.

No âmbito político, na noite de terça-feira, a maioria democrata na Câmara dos Representantes dos EUA conseguiu aprovar um fundo emergencial de US$ 4,5 bilhões em assistência humanitária e segurança na fronteira, embora seja possível que o dinheiro acabe vetado pelo Senado, de maioria republicana.

“Garantiremos que crianças tenham comida, roupa, itens sanitários e atendimento médico”, alegou a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi.

A proposta acontece depois de a advogada Elora Mukherjee, diretora da Clínica de Direito dos Imigrantes da Escola de Direito Universidade de Columbia, ter visitado um dos centros onde ficam detidas crianças migrantes, e ter encontrado “as condições mais degradantes e nojentas que se pode imaginar”.

“Trabalho com crianças e famílias migrantes há mais de 12 anos e jamais tinha visto condições tão desumanas quanto as que vi “, declarou ela a jornalistas.

“As crianças estavam famintas, sujas, doentes, assustadas e todas as que eu entrevistei estavam detidas por mais do que as 72 horas restringidas por lei. As crianças não tinham acesso a sabão para lavar as mãos. A maioria não tomava banho desde que atravessaram as fronteiras, havia semanas. Suas roupas estavam sujas de fluidos humanos, de catarro e muco. Suas calças tinham urina.”

O tratamento concedido pelo governo de America às crianças migrantes parece estar por trás do pedido de demissão de John Sanders, que era comissário interino da Agência de Proteção da Fronteira dos EUA.

Se o sabe embora Sanders não tenha oficialmente dado uma razão para sua saída, que o órgão está sobrecarregado com a crise migratória.

Na semana passada, ele havia pedido assistência ao Congresso de America, alegando que sua agência não tem recursos financeiros para transportar os migrantes para fora dos centros de detenção.

Sanders deverá ser trocado por Mark Morgan, diretor interino de outra agência que lida com a questão das fronteiras. Mbora tenha, em entrevista à emissora CBS na terça-feira, Morgan aalegouque não acredita haver um “problema sistêmico” nos centros de detenção, e admitido que “há questões que podem ser melhoradas”.Donald Trump por sua vez, tem utilizado o termo “invasão” para descrever a situação na fronteira com o México. Donald Trump é o presidente dos EUA. Faz 4 meses, ele disse uma emergência nacional para exigir fundos para a construção de um muro em a divisa, em fevereiro.

Seus inimigos, porém, alegam que Trump “fabricou uma crise”.

A seguir, veja os números que colocam essa crise em contexto.

É inimaginável calcular o número exato, mas a Patrulha de Fronteira dos EUA declara ter feito 593.507 detenções na fronteira sul dos EUA desde outubro de 2018. No ano fiscal anterior, esse número havia sido de 303.916.

No primeiro ano do governo Trump, houve uma grande queda no número de detenções de imigrantes nas fronteiras, mas o ano passado registrou ampliação. Em maio, por exemplo, a cifra de detidos alcançou o maior nível desde 2006, com 132.887 pessoas – sendo 11,5 mil delas crianças desacompanhadas.

O projeto da ONU Migrantes Desaparecidos relata que 170 migrantes faleceram ou estão sumidos na fronteira EUA-México somente em 2019, e 13 deles são crianças.

No entanto, a série histórica mostra que essas cifras já foram bem maiores: no ano 2000, por exemplo, passou de 1,6 milhão a quantidade de migrantes apreendidos na divisa. Faz 13 anos, mesmo esse número superava 1 milhão de pessoas.

Para Jacinta Ma, diretora do Fórum Nacional de Imigração, organização de defesa dos direitos dos migrantes, o fluxo e as apreensões não configuram uma crise.

Declara: “Mesmo com a ampliação nas apreensões no ano passado, o número é menor do que nos anos 2000″.

Travessias irregulares não estão restringidas à fronteira sul aestadunidense- em 2017, por exemplo, houve 3.027 detenções na fronteira canadense e outras 3.588 detenções na costa.

A maior parte da migração irregular nos EUA se refere a migrantes que já estão dentro, embora as manchetes se concentrem nos migrantes que atravessam as fronteiras e ficam no país mesmo após seus vistos expirarem. É o que ocorre desde 2007, segundo as estatísticas.

Faz 3 anos, foram registradas 739.478 continuidades ilegais em os EUA, contra 563.204 encruzilhadas irregulares de fronteira, em 2016.

É importante notar também que, de acordo com o centro de pesquisas Pew, o número de imigrantes que moram ilegalmente nos EUA caiu desde 2007, em grande parte devido à queda na imigração vinda do México.

Ao todo, o Pew estima que, em 2016, 10,7 milhões de migrantes não autorizados estavam morando nos EUA.

As cifras oficiais de detenções incluem pedidos de refúgio. Faz 1 ano, houve 92.959 pessoas que fizeram pedidos de refúgio, uma apreciável ampliação em relação a o ano anterior, em o ano fiscal de 2018.

Kate Jastram, integrante do Centro de Estudos de Gênero e Refugiados na Escola de Direito da Universidade da Califórnia em Hastings, famílias que tentam escapar da violência de gangues na América Central passaram a compor, a partir de 2014, uma parte bastante maior das tentativas de atravessar a fronteira.

Ela atribui isso mais às condições de vida nesses países do que a qualquer política migratória aestadunidense

Jastram declara: “Homens solteiros vindos do México não buscavam refúgio, mas sim emprego”. “, temos famílias e crianças que buscam especificamente ficar protegidas .”

Em novembro passado, uma caravana de 7 mil migrantes chegou à fronteira mde Mexico composta por muitas pessoas que tentavam fescaparda violência em países como Honduras, Guatemala e El Salvador.

No geral, a taxa de rejeições a pedidos de refúgio tem aumentado nos EUA há seis anos.

Nos últimos dois anos, o governo Trump pôs em prática diversas medidas restritivas, tanto contra migrantes irregulares como contra refugiados:

Enquanto se analisa seu pedido, pessoas pedindo refúgio devem esperar no lado mexicano da fronteira.

Autoridades de fronteira reduziram o número de pedidos de refúgio analisados a cada dia. Em junho, o então Jeff Sessions anunciou que queixas de violência doméstica e de gangues não serviriam mais de base para pedidos de refúgio nos EUA. Jeff Sessions é secretário de Justiça. Essa medida , porém , derrubou essa medida porém.

A medida mais polêmico até agora é separação de crianças migrantes de seus pais e sua detenção em centros específicos, como parte de uma política de “tolerância zero” contra a migração ilegal.

A democrata Nancy Pelosi alegou: “Isso é uma situação de abuso infantil”. “É uma barbaridade que viola todos os valores que nós temos, não somente como estadunidense, mas como seres morais.”

Faz 1 mês, uma inspeção em a estação de a Patrulha da Fronteira de El Paso encontrou 900 migrantes detidos em um espaço suficiente para somente 125 pessoas, em maio.

Um relatório da Casa Branca sobre migração alega que 3.755 extremistas ou suspeitos de extremismo foram impedidos de entrar nos EUA no ano fiscal de 2017.

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Fonte: BBCBrasil-pt

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Countries: United States, Brazil, United Kingdom, Mexico, Honduras, Guatemala, El Salvador

Cities: Rio Grande, Mexico, Hastings, El Paso, Americana

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Os números e medidas que revelam o tamanho da crise na fronteira entre EUA e México
>>>>>A trágica história por trás de foto de pai e filha afogados ao tentar cruzar fronteira dos EUA – June 26, 2019 (BBCBrasil-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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