Tim Vickery: A força de encarnar o seu país na Copa do Mundo – e os perigos do patriotismo

Por: SentiLecto

Estes são links externos e vão abrir numa nova janela

No sábado passado, na manhã seguinte à eliminação dbrasileira era fácil notar o clima de decepção nas ruas do Rio de Janeiro. Uma conversa triste aqui, uma outra mais raivosa ali, e a sensação provisória parecida ao luto.

Os grandes jogadores do futebol não têm dúvida: o nível mais alto do esporte hoje em dia se encontra na Liga dos Campeões da Europa. Se o vê como o grande teste de característica, é o espaço que concentra os melhores desportistas nos maiores clubes e, portanto, onde os craques procuram e ganham o respeito de seus pares.

Mas a Copa do Mundo tem uma grande coisa a mais. Tem pressões extras, que geram mais emoções – e não só porque temos que esperar quatro anos por cada novo torneio.

É também pelo grande poder da representividade. O ato de encarnar seu país e seu povo traz uma carga emocional assombrosamente forte.

Pudemos ver isso na performance de todos os times lá na Rússia que perderam os seus dois jogos iniciais e ficaram sem possibilidade de passar de período. Mesmo suprimidos, disputaram o terceiro jogo com máxima intensidade, desejando pelo menos se despedir da Copa com dignidade e deixar o futebol do seu país bem encarnado.

O resultado se refere aos vídeos que viralizaram no começo dos jogos e mostravam brasileiros pedindo que mulheres russas repetissem ofensas e palavras de baixo calão – sem terem ideia do que estavam declarando.

Na quarta-feira 27 de junho assim como milhares de torcedores de todo o mundo, o casal gaúcho Linho Bergamin e Vanessa Zandoná decidiu ir à Rússia para assistir ao vivo a Copa do Mundo.

Há uma clara finalização a ser tirada disso. A concepção de Estado-nação ainda mobiliza muito força em pleno século 21.

Para muitos economistas, isso deveria provocar surpresa. Muitos proclamaram a morte dessa concepção, antiquado diante dos fluxos mundiais de bens e capitais. O Estado-nação não tinha mais lógica ou motivo de ser. O homem, baseando suas resoluções numa escolha racional de alternativas, não precisaria mais da nação, e a concepção definharia.

Nada mais óbvio, porém, do que as fraquezas dessa linha de pensamento. Qualquer teoria que parta do indivíduo atomizado fazendo escolhas racionais é fadada ao fracasso e feita de areia movediça em vez de tijolos. Antes de tudo, o ser humano é uma criatura social – caso oposto, não exclusivamente a linguagem, mas se impossibilitaria tão desejados de os senhores economistas também os mercados .

No caso dos vizinhos sul-americanos, a principal busca também se referia a termos ofensivos e a principal questão era “O se os castigou, que exatamente declaravam os gritos e como os autores ?”

Nada mais natural, então, que o sentimento de pertencimento, de fazer parte de uma certa comunidade, de fincar raízes em um pedaço de terra – seja cidade, região ou país. É um sentimento normal, mas contraditório – às vezes saudável, às vezes pearriscadoO escritor de Inglaterra George Orwell caracterizou o patriota como alguém que ama o seu país e um nacionalista como alguém que tem Animosidade de outros países.

Para Albert Einstein, o patriotismo era uma enfermidade infantil, o sarampo da humanidade. Esses dois gênios estavam pensando mais no poder nocivo do patriotismo de afastar pessoas que nasceram em países distintos.

Mas podemos também enxergar as chances de problemas internos, pois a narrativa e os emblemas do país normalmente vão estar sob o controle de forças conservadoras que visam à proteção de velhas hierarquias.

Puxaremos o exemplo dos protestos no Brasil em junho de 2013: um momento poderoso, gerando esperanças mas também perigos.

Nos protestos não houve espaço para partidos políticos. Mas, com todos os seus defeitos e frustações, partidos são parte integral da democracia. Vetá-los é abrir as portas para uma armadilha fácil – de ser tãoexclusivamenteeem defesa doo “Brasil”, uma posição que trata diferenças como traição e parte do princípio absurdo de que os interesses do açougueiro são os mesmos que os da vaca.

Então, esparso e sem um rumo definido, a almazinha dos protestos de cinco anos atrás foi pouco a pouco migrando para áreas mais difusas.

O que iniciou como um motim contra a má característica de serviços públicos acabou nas mãos de uma corrente que preferia nem acreditar em serviços públicos e acha que o “livre” mercado é sempre capaz de oferecer a solução.

O exército que tomava as ruas vestido de amarelo também demonstrava motim contra os preços da promoção da inclusão social.

Agora, esse pensamento único de patriotismo de direita tenta ter cada vez mais influência em fazer as pessoas acreditarem que o melhor percurso seja uma intervenção militar.

Aí eu recordo a minha chegada no Brasil, em 1994, com o país ainda celebrando a vitória na Copa do Mundo nos Estados Unidos. A minha grande surpresa e decepção: o país estava vivendo atrás das grades, com um grau de violência, e um medo do mesmo, extremamente nocivos para a vida pública.

O motivo: o governo militar foi incapaz de lidar com a questão social.

*Tim Vickery é colunista da BBC News Brasil e formado em História e Política pela Universidade de Warwick.

Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: NEUTRAL

Countries: Brazil, United States, United Kingdom, Russian Federation

Cities: Warwick

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Tim Vickery: A força de encarnar o seu país na Copa do Mundo – e os perigos do patriotismo
>>>>>O que os russos buscam na internet sobre estrangeiros na Copa (e por que o Brasil decepciona)? – July 10, 2018 (BBCBrasil-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

Id Entity Positive Negative Named-Entity Total occurrences Occurrences (appearances)
1 alguém 90 200 NONE 4 alguém: 4
2 nós 160 0 NONE 4 (tacit) nós: 4
3 eu 50 0 NONE 4 (tacit) eu: 3, eu: 1
4 espaço 0 0 NONE 3 o espaço: 2, espaço: 1
5 exército 0 160 NONE 2 O exército: 2
6 país 0 80 NONE 2 o país: 2
7 vezes 80 70 NONE 2 as vezes: 2
8 teoria 120 0 NONE 2 Qualquer teoria: 2
9 partidos 40 0 NONE 2 partidos políticos: 1, partidos: 1
10 a Copa_do_Mundo 0 0 PLACE 2 a Copa_do_Mundo: 2