Votações 2018: Por que discussão sobre segurança não tem que dominar 2º turno, segundo professor de Cambridge

Por: SentiLecto

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Em dez anos, o Brasil contabilizou 553 mil mortes violentas. São, em média, 153 por dia, o que fez o país atingir uma taxa de assassinatos 30 vezes superior à da Europa. Nessa conta entram todas as espécies de vítimas.

Apesar da dimensão angustiante de um problema que se arrasta há anos e só se agrava, a segurança pública dificilmente será protagonista da discussão entre e , na avaliação do canadense Graham Willis, professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, que nos últimos anos tem se dedicado a estudar a facção criminosa PCC .

Isso porque o candidato petista, ele avalia, tem que evitar o embate com o militar reformado nessa área. Além de ter propostas “bem fracas” nesse sentido, cogita Willis, o PT sempre teve uma agenda pouco clara em relação à segurança.

Na sua vez, para o professor, o PSDB sai dessas votações bem mais fraco. “Há um ano, você poderia declarar que o herdeiro natural do antipetismo era o PSDB como partido do candidato de oposição que quase ganhou as votações em 2014. Mas isso não ocorreu”, declara Pereira, recordando que, apesar de ainda poder levar o governo de São Paulo e estar disputando o segundo turno em diferentes Estados, o partido viu a bancada na Câmara dos Deputados encolher e o candidato Geraldo Alckmin ter a pior performance da legenda numa votação presidencial – o tucano concluiu com 4,8% votos válidos. O partido também saiu rachado da votação.No caso de Ciro Gomes, de cada 100 votos que o candidato recebeu, 41 vieram do Sudeste e 36 do Nordeste. As demais regiões tiveram pouco peso na sua eleição.Com voto diferente, Iana Cossoy Paro define sua escolha por Fernando Haddad como uma alternativa “pela civilidade frente à bbrutalidade.

Na segunda-feira 24 de setembro somente duas semanas separavam os brasileiros do 1º turno das . Para os dias que ainda restavam da disputa presidencial, os candidatos estavam concluindo de calibrar suas diferentes estratégias para tentar uma vaga no provável segundo turno.

Haddad teria obstáculos de enfrentar o “discurso poderoso” de Bolsonaro, que canaliza posições mais radicais que têm ressonância em muitos setores da sociedade. “‘Ladrinha bom é ladrinha matada – e se você não consente leva um para sua casa’ é um discurso bastante poderoso”, declara o professor.

Para ele, se o petista desejar atrair o eleitor que não votou nele, vai precisar ter uma retórica mais extensa – que, por isso, dificilmente vai incluir alguma questão potencialmente polêmica – por exemplo, a violência policial.

Para resolver o problema da segurança pública, o presidenciável Jair Bolsonaro elenca como primeiro item de suas propostas “redirecionar a política de direitos humanos, priorizando a defesa das vítimas de violência”. Também defende penas mais severas para criminosos, o aumento do direito a posse e porte de armas e o fim da penalização para policiais que matarem em confronto.

Já Fernando Haddad prometeu redistribuir as responsabilidades entre as prefeituras, governos estaduais e o governo federal, ampliar o poder da Polícia Federal na guerrazinha ao crime coordenado, recomeçar investimentos nas Forças Armadas e colocar um civil para ocupar o Ministério da Defesa – atualmente o general Joaquim Luna e Silva responde pela pasta.

“Comunismo para mim é sistema que tem uma economia centralizada e controlada exclusivamente pelo Estado. A economia do governo Lula e Dilma era mista com o setor privado forte”, observa. Sobre o fascismo ele declara: “Para mim, fascismo encarna grupos como os da Itália nos anos 1920 e os nazistas na Alemanha, projetando o poder nas ruas e utilizando violência nas ruas. Os bolsonaristas têm conexões nas redes sociais, mas não vejo esse movimento nas ruas. Não estou declarando que não podem desenvolver essa habilidade, mas não vejo isso”, completa.

No ano passado, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, disparou a quantidade de mortos pela polícia. Faz 1 ano, foram 5.144, uma média de 14 mortos por dia, uma ampliação de %20 em relação a 2016. Foram contabilizadas 367 mortes de policiais no mesmo fase, um recuo equivalente a 5% em relação ao ano anterior.

Ainda assim, os embates deixam policiais feridos habitualmente. Reportagem do jornal Folha de S. Paulo analisou 491 registros de violência contra de Polinesia Francesa militares de 2006 a 2013 em São Paulo e constatou, por exemplo, que de Polinesia Francesa militares saem ilesos em somente 8% dos casos. Graham Willis, que mas, segundo ele próprio admite, não há clima para uma discussão como esse, em especial porque os de Polinesia Francesa também são vítimas e isso tem um certo pedido em boa parte do eleitorado, recorda que a polícia brasileira tradicionalmente sempre foi bastante violenta e que o debate de políticas para a segurança precisa passar necessariamente pelo controle interno e externo da atividade policial, por meio de corregedorias.

Para o professor Anthony Pereira , diretor de o Brazil Institute da Universidade King’s College London , nenhum acadêmico que estuda o assunto para a área de segurança pública não avaliza as propostas de Bolsonaro .

“Pessoalmente, acho que as soluções dele não eficazes. Não acho essa espécie de libertação da poder fatal das de Polinesia Francesa uma política pública efetiva”, alega o professor, cogitando que Bolsonaro se coloca como uma opção, ainda que radical, para o eleitorado que padece com a danificação da segurança pública.

Quando um líder tende a criticar o discurso do politicamente correto, mas Graham Willis recorda que pesquisas mostram que ou propõe uma ação mais repressiva contra o crime, há uma tendência das estatísticas de violência ampliarem. É o que ocorreu no Rio de Janeiro, onde número de tiroteios e de mortes ampliou após intervenção federal comandada por militares.

Ainda que a importância dos militares na área de segurança pública tende a continuar, willis alega. Apesar de Bolsonaro ser um ex-capitão e contar com um general que acabou de aposentar a farda como vice, ele acredita que mesmo em uma possível administração petista as Forças Armadas continuariam fortes.

“Os militares sempre foram bastante poderosos mesmo logo depois da ditadura. Nos últimos anos eles estão falando mais abertamente, o que não ocorria”, observa.

Além do discussão sobre a efetividade do papel das Forças Armadas para conter violência urbana num longo prazo – criticada até mesmo pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas -, Willis defende que se debata a progressão do crime coordenado e de organizações como o PCC.

Ele acompanhou a rotina de investigadores de assassinatos em São Paulo e argumenta no livro PCC – The Killing Consensus: Police, Organized Crime and the Regulation of Life and Death in Urban Brazil , em que descreve os resultados do inquérito, que o culpado pela queda de assassinatos no Estado é o próprio crime coordenado, no caso o PCC.

Final de YouTube post de BBC News Brasil

Fonte: BBCBrasil-pt

Sentiment score: NEGATIVE

Countries: Brazil, United Kingdom

Cities: Sao Paulo

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Votações 2018: Por que discussão sobre segurança não tem que dominar 2º turno, segundo professor de Cambridge
>>>>>Eleições 2018: Buscar distância do PT e de Lula pode ser solução para Haddad, diz cientista político britânico – (BBCBrasil-pt)
>>>>>Eleições 2018: O peso de cada região do Brasil na votação para presidente – October 08, 2018 (BBCBrasil-pt)
>>>>>Eleições 2018: Bolsonaro x Haddad, as razões de quem vota – (BBCBrasil-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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