É preciso falar sobre o suicídio, sim. O silêncio mata.

Por: SentiLecto

O suicídio é berrar com a própria morte o que foi calado em vida. A morte entra como um balão numa história em quadrinhos. Como legenda num filme mudo. E conta em silêncio toda a agonia que estava guardado no espírito.

Nas duas semanas que passaram três adolescentes de escolas particulares se mataram. Casos isolados. Uma coincidência? Não creio. Talvez uma clara sinalização de que as pessoas estão, cada vez mais precisando de assistência. Cada vez menos sendo ouvidas em suas pesares.

Cada vez mais sendo exigidas. Cobradas. Julgadas. Cada vez menos acolhidas em seus agonias e equívocos. É a era da internet. Estamos acompanhados o tempo todo. E jamais estivemos tão sozinhos.

Três meninos em duas semanas. O que estamos fazendo com nossos adolescentes? Vai ser que a superproteção desprotege? Impede essas crianças de irem aprendendo pouco a pouco a lidar com a frustração? De interagir com erros, equívocos, derrotas?

A gente protege de tal forma que não deixa que eles fiquem cascudos. Fortes. São uns pequenos pintos que acabaram de nascer. Como largar para voar? Agarramos forte. Protegemos. Esquecemos que só o voo fortalece a asa. Só a asa forte permite voar pela vida afora.

Então, por uma afeição enviesada, aleijamos o espírito dos nossos pequenos. Fica um espírito mole, fraco, sem grandes defesas. Incapaz de alçar o grande voo da infância àofperíodoaadulto Incompleta para as pressões da escola, do grupo, do mundo. Agravada pela difícil transição que tudo isso acarreta.

O pior de tudo e o golpe letal: a gravata do casamento. Que punhalada no coração! Ela ainda se recordava de entrar na loja, selecionar a mais linda, de dar para ele como surpresa. Recordou dele, na igreja. Dela tirando a gravata. Deles tirando tudo. Felizes e repletos de afeição.

Na quinta-feira 12 de abril a moça havia tido uma grande afeição. Com ele havia casado, havia tido um filho, havia sido contente. Até que o destino resolvesse acabar com tudo de uma hora para a outra. O destino é esse invejoso. Viúva, ela havia urrado de dor. havia ficado desesperada. Quase havia enlouquecido. Pelo filho, havia sido forte, havia seguido a vida.

Já acompanhou alguém se preparando para o ENEN? É insano. O que a gente faz com esses meninos? Um ano de pressão em cima? Uma ano com a faca em cima da cabeça? Nossa sociedade é doente. O invés de questionarmos, mergulhamos de cabeça no esquema. Sem perceber o tratamento doentio e sádico que ele impõe a todos nós.

Para agravar a questão, tudo nos adolescentes é bastante intenso. Tudo parece ser uma dor ilimitada. Uma questão sem solução. Tudo dói mais à flor da pele. É o desenvolvimento cerebral que ainda está sendo deduzido. E que, de acordo com algumas teorias, só vai ser deduzido lá pelos vinte e três anos de idade. Por isso é difícil esperar. Suportar. Superar.

A entrada na adolescência, por si só, já é bem difícil para todos. Período de rabujice, de mudanças de costumes. De isolamento. De questionamento. De busca do grupal. Então como perceber quando não é só coisa de adolescente? Quando o buraco está mais debaixo, mais fundo do que a gente imagina?

A escola tem um papel fundamental na detecção de problemas. O olhar atencioso do professor pode auxiliar a resgatar vidas. Mas como olhar atentamente numa turma de quarenta ou cinquenta estudantes? Como ser atencioso quando você tem um programa louco a satisfazer? É o esquema comento as relações afetivas. Impossibilitando a proximidade. Jogando todos nós no vácuo da solidão.

A pessoa que deseja se matar fala sobre morte. Para escapar da dor emocional pode mergulhar nas drogas, no álcool. Tem mudanças de humor constantes. Se expõe em situações arriscadas. Passa a render mal na escola ou no trabalho. Se isola.

Exibe uma perda de interesse por tudo e por todos. Muda os costumes de sono, apetite e banho. Dá sinais de que está padecendo. Tanto na família quando na escola, é preciso olhar, enxergar, ouvi e sediar. O olhar atencioso e cauteloso salva.

É preciso falar sobre o suicídio, sim. O silêncio mata. Falar sobre suicídio não leva ao suicídio. Pelo contrário, dá à pessoa a cpossibilidadede conversar sobre o atemae pedir aassistência

Quem ameaça se matar, se mata, sim. Muitas vezes por erro de cálculo. Mas pode ocorrer. Uma pessoa que fala em se matar não está desejando aparecer. Está pedindo assistência. Não julgue, ajude.

O suicídio é como um edifício que implode. Fica um vazio insólito. Uma falta que marca presença. Um buraco onde só cabe dor. A resolução de não desejar mais estar aqui é bastante complicada de lidar para quem fica junto com os escombros da lembrança.

Curiosa, abriu o saco. Umas cuecas velhas, um terno gasto, umas camisas de propaganda. O pijama velhinho de flanela. O que ele utilizava para noites de filmes e frio. Emblema de intimidade. Emblema de estar à vontade. Em casa. Sem cobranças. Eles, um filminho e a pipoca.

Busquem assistência. Procurem um psicólogo. Se precisar, um psiquiatra também. O medicamento tem a função de reduzi a intensidade do que se sentar-se. Torna as agonias mais toleráveis.

Mas é a terapia que trabalhará a dinâmica das afeições. A maneira de lidar com as perdas e os fracassos. Melhorar a baixa autoestima. Reduzi a pré-requisito de perfeição. Provocar mudanças. Assinalar saídas.

Os telefones do Centro de Valorização da Vida são 188 ou 141 . Também é possível receber suporte emocional via internet , email, chat e Skype 24 horas por dia.

Se o pesa lidar com uma pessoa que está pensando em se matar, ou que se matou, . É difícil. É habitual a família precisar de assistência para passar por esse momento. Mas se rejeitar a fazer, afirmando que que precisa é o outro. Uma coisa não exclui a outra. Peça auxilia também.

Viver dói e exige coragem. Em uns mais, em outros menos. Mas em todos dói. Ficar vivo, enfrentar o dia a dia, é quase um ato de heroísmo. Viver é delicado. Uma trama de muitos nós. Mas sempre vale a pena.

Tente mais uma vez, se você tentou e não conseguiu. E mais uma vez. E outra. E mais uma. Até conseguir. Até respirar fundo e sentir o ar ir no final do pulmão. A vida que mais caleja é a que mais te deseja vivo. Passará. Tenha fé.

Mônica é carioca, professora e psicóloga clínica. Expert em atendimento a crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias.

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Poesia Toda Prosa

Fonte: Extraoglobo-pt

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>É preciso falar sobre o suicídio, sim. O silêncio mata.
>>>>>Há amores que melhoram como vinho. Outros viram vinagre. Não sabem envelhecer – April 26, 2018 (Extraoglobo-pt)

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