Uma pessoa fragilizada é como um bicho sangrando no oceano. Atrai predadores.

Por: SentiLecto

É ótimo, quando ele é bom. Ela é tudo para ele. Transam. Passeiam. Se divertem. Depois acaba. Como se esse afeto fosse movido a pilha de Paraguay. Jamais dura muito tempo.

É ele quem dita o prazo da afeição. A frequência de desaparecer e aparecer. Só o seu desejo rege a relação. As culpas são todas dela. A razão? Sempre dele. Desculpas? Besteira. Não pede. Também por que pediria se está sempre certo?

A moça de hoje tem uma relação assim. Seu parceiro é volúvel. Oscila entre estar perto e longe. Entre cuidar e abandonar. Entre amar e ferir de várias maneiras.

Oscila a moça também entre euforia e amargura. Entre a vontade de ir e ficar. Entre a dúvida entre se abrir ou se proteger.

Na sua vez, declararia que o ar está no ar, mas ia ficar grotesco. Então não declararei. Ar é livre e farto. Uma fungadinha e pronto, resolvi meu problema. O que dói não é a falta de ar. Ninguém rouba o que é meu. O ar nem é meu. Ar não tem proprietário. É de quem desejar, de quem pegar.

Na quinta-feira 29 de março eles saíam uma vez por mês. Há oito meses. Esse era o máximo que a moça conseguia com seu crush. A moça, apaixonada, exibia justificativas. O selecionado, ela suspeitava, padecia de depressão. Fechado, desanimado, arredio.

Conforme o tempo passa, cada vez é mais difícil cair fora. A pessoa vai afundando numa areia movediça de amargura e desesperança. Vai se sentindo murcha, sem luminosidade. A vida perde o gosto. A graça. Por que não consegue se desvencilhar?

Moça, a cada caso parecido com o seu que recebo no consultório, me pergunto se é a relação ruim que joga a pessoa na depressão ou é a depressão que faz a pessoa entrar numa relação que tem tudo para ser ruim. O que vem antes? O que é causa? O que é conseqüência?

Inveja vem do latim Videre que significa olhar. Inveja é a maneira de olhar para mim e para o outro. O meu olhar de seca pimenteira no êxito alheio.

Uma pessoa fragilizada é como um bicho sangrando na floresta, ou no oceano. Atrai predadores. Vai falecer. Uma pessoa carente atrai predadores. O odor da chance vai longe. O lobo é aproximado. Seduz. Conquista. Persuade. Arma o bote. E agride, sem dó.

O lobo pode ser um homem ou uma mulher. Estamos falando de humanos. Predadores existem em todos os sexos. Eles chegam generosos. Amorosos. Prontos para a conquista. Ninguém conquista no grito. É no mel.

Depois botam as mãozinhas de fora. Desaparecem. Atacam. Criticam. Negligenciam. Fazem pouco caso. A presa, viciada, corre louca atrás. Eles se divertem assistindo. Não faça isso.

Certamente há qualidades nossas que permitem que essa espécie de pessoas se aproximem. Mesmo a gente percebendo, não se afasta. Há obstáculos emocionais que facilitam a entrada de quem não presta. E que, sem colocar o limite necessário, deixam que permaneçam.

A parceria bichada mina a autoestima. Traz decepções. Deixa a vida esvaziada. Piora o quadro que estava aí antes. O quadro não iniciou com a relação. Melhorou com a euforia do começo. Piorou com a piora dela.

A moça me pergunta se é afeição ou comodismo. Moça, afeição não maltrata. Não abandona. Não faz pouco caso.

Responda às aopçõesabaixo:

Seu parceiro:

Te abandona habitualmente?

É grosseiro com você?

Comportar-se como se não ligasse?

Não é afeição, se você marcou pelo menos uma das opções acima. Caia fora sem medo. É preciso faxinar sem dó. Jogar fora quem não presta. Abrir espaço para o novo. Instituir um novo início. Ter coragem para ser contente.

Mônica é carioca, professora e psicóloga clínica. Expert em atendimento a crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias.

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Poesia Toda Prosa

Fonte: Extraoglobo-pt

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Uma pessoa fragilizada é como um bicho sangrando no oceano. Atrai predadores.
>>>>>Odeio A grama do vizinho – April 15, 2018 (Extraoglobo-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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