Clássicos da Arquitetura: Casa e escritório do arquiteto / Hans Broos

Por Bernardo Brasil Bielschowsky e João Serraglio

Em meio a grandes muros, que mais parecem represas de rios, surge um muro de tijolos estruturais, mais baixo, aproximando-se da escala humana.

O muro deixa aparecer um volume circular, de concreto aparente moldado in loco. É uma caixa d’água, um indício de que atrás do muro existe uma casa.

Ao abrir o portão chegamos a um patamar de recepção, uma espécie de mirante de supervisão e meditação do terreno acidentado, composto por uma flora exuberante. Um guarda-corpo, em concreto aparente, parte desse mirante, e faz tanto a restrição desse espaço como serve de elemento de condução para o interior da residência. Esse guarda-corpo cruza a casa conectando sua maneira com as maneiras do terreno.

Na sua vez, a premissa única era a busca de relações diversas com o terreno e as múltiplas vistas sobre uma paisagem muito heterogênea e deslumbrante.Com este esquema cada ambiente foi conectado para criar visuais de cada dimensão. O resultado é uma casa extensa e iluminada, na qual os moradores podem desfrutar dos pátios.

Entrando na casa, temos um grande espaço integrado internamente e conectado à paisagem por grandes aberturas. Um pequeno escritório/recepção se conecta com a sala de jantar, o uso aumenta essa sensação de permanência visual de o mesmo piso de tábuas corridas de madeira de lei e por o ritmo imposto por as vigas que sustentam a laje superior. Estes ambientes formam um mezanino, que se integra verticalmente com o setor social no caminhar de baixo através de um grande vazio.

Por outro lado, caracterização do Produto. Com vidros Schüco Structural instituímo um conseqüência de um bloco sólido de vidro apoiado em quatro frontispícios com superfícies massivas em madeira.

A casa volta-se para o norte, aproveitando assim a iluminação e a ventilação natural, integrando interior e exterior . Ainda nesse pavimento superior temos o setor íntimo – a suíte do arquiteto – com as aberturas voltadas para o leste e o setor de serviços – cozinha, lavanderia e suíte do caseiro – com aberturas voltadas para o oeste.

O elemento que marca a conexão entre os ambientes internos e externos é o mesmo guarda-corpo do mirante de acesso, que entra dentro da casa como limite das aberturas do escritório, tem a função de guarda-corpo do vazio interno na sala de jantar e sai novamente para o exterior como guarda-corpo da sacada e da escada externa que desce para a churrasqueira no caminhar de baixo.

Na orientação leste da casa, a sala de estar, de jantar e cozinha têm acessos à vsacadacom piscina e área para churrasqueira. A escultura que combina as funções de churrasqueira e mesa foi feita de lâminas de aço inox com 10 mm de espessura.

Do lado oposto do mezanino, entre a sala de jantar e a entrada do quarto do arquiteto, surge um poço de luz que ilumina a escada de acesso ao caminhar inferior.

Na parte de baixo, a área social volta-se para o norte, com grandes aberturas que permitem integração com o terreno, um grande jardim com paisagismo elaborado por Roberto Burle Marx. Os toalete não tem janelas mas recebem iluminação zenital.

O térreo é o ambiente de destaque da casa, totalmente aberto e integrado com o exterior, e parcialmente integrado com o pavimento superior, através de pé-direito duplo proporcionado pelo vazio do mezanino. A casa está imersa no jardim, o que é possibilitado pelos panos de vidro, e ao sistema de cobertura independente e que progride para dentro do jardim, ampliando ainda mais a sensação de fusão entre os ambientes internos e externos. O uso de permanência aumenta essa sensação de o mesmo piso cerâmico e a manutenção de o mesmo nível entre os ambientes externos e externos. Esse ambiente de estar social se abre tanto para o jardim, como para a sacada com churrasqueira, deixando uma sensação de um ambiente de grandes encontros e festividades. O pano de fundo desse ambiente é um painel de concreto com ilustrações de Burle Marx, que além de elemento escultórico, é uma lareira e tem a função de armário.

Ainda nesse pavimento temos uma biblioteca particular e uma suíte para visitas com abertura para a parte interna da casa; e a casa de máquinas, depósito, toalete e vestiário da piscina com abertura para a parte externa da casa.

O grande desnível do terreno entra pela casa, através do mezanino, e dele participa também o escritório, volume separado da área da casa, mas integrado através do jardim, que ocorre sobre a laje desse ambiente, cuja acesso é independente. Muros de contenção sinuosos coordenam o desnível e o paisagismo, que atende a casa como jardim no nível mais alto e como cobertura do escritório no seu nível mais baixo. Projetam-se as próprias edificações como grandes muros de contenção de o terreno. A cobertura da residência se realça pela independência, que possibilita a planta livre, e a cobertura do escritório se realça pela sua integração, visto que é o próprio jardim da casa.

O conjunto de edificações e jardins em platôs recorda um parque urbano, dentro de um terreno privado. O paisagismo vence o desnível, através de percursos, escadarias e contenções, regulares e irregulares, formando grandes platôs com espaços de lazer e meditação, em meio à natureza exuberante e em contraste ao concreto puro e aparente. Esse “parque urbano privado” faz a conexão da casa, onde a cobertura progride sobre o jardim, com o escritório, onde a cobertura é um terraço-jardim. Ilustrações em alto relevo estão gravados nos muros de contenção do jardim e no painel do interior da casa, fundindo ainda mais os ambientes internos da residência com o jardim externo.

Ao fundo, separado por um armário-estante que guarda as cópias dos mais de 400 projetos desenvolvidos pelo escritório, fica a sala do arquiteto. Entre muitos livros, mapas croquis, cadernos de anotações e todos os demais espécies de material de pesquisa que possam ser usados, trabalhava o mestre Broos. Mapas são ilustrações.

Fonte: archdailybrasil-pt

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Clássicos da Arquitetura: Casa e escritório do arquiteto / Hans Broos
>>>>>Casa A / Igor Petrenko – February 20, 2017 (archdailybrasil-pt)
>>>>>>>>>Casa Undermountain / O’Neill Rose Architects – January 22, 2017 (archdailybrasil-pt)
>>>>>>>>>>>>>Casa em uma Casa / Plural – (archdailybrasil-pt)
>>>>>>>>>>>>>Casa em Hollywood Hills / Struere – (archdailybrasil-pt)
>>>>>>>>>>>>>Casa Splow / Delution Architect – (archdailybrasil-pt)
>>>>>>>>>Casa NGR / Oficina Conceito Arquitetura – January 26, 2017 (archdailybrasil-pt)
>>>>>>>>>Casa Ex of In / Steven Holl Architects – February 06, 2017 (archdailybrasil-pt)
>>>>>>>>>>>>>Casa Piano / LINE architects – (archdailybrasil-pt)
>>>>>Casa na Mantiqueira / Una Arquitetos – March 02, 2017 (archdailybrasil-pt)
>>>>>Casa Dois Pátios / Muñoz Arquitectos – (archdailybrasil-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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